Protesto sobe de tom contra vida mais cara
Na quinta-feira, 17, teve início a jornada nacional de esclarecimento e mobilização Romper com as injustiças. Novo rumo para Portugal. Uma vida melhor, promovida pelo PCP. O dia foi de protesto contra o aumento do custo de vida, com dezenas de acções de contacto, “buzinões” e tribunas.
«O apelo que fazemos é este: não se conformem, venham para a rua, indignem-se!»
A noite deu lugar ao dia, e do céu estrelado nasceu um sol de tons rubros. Ou, pelo menos, assim pareceu a quem, no alvor do dia 17, tenha olhado para cima. Muitos, certamente a maior parte, não se terão apercebido das cores vermelhas que ganharam contornos naquela manhã. Como em qualquer outro dia, a mente não dá desforra às preocupações quotidianas. A casa por pagar, o filho sem creche, a doença por tratar, a comida para comprar, a viatura por atestar, a força para trabalhar ou a vida para viver cada vez mais apertada.
E tão cedo milhões entraram no automóvel, autocarro, barco, comboio, tão cedo chegaram ao destino. Ao fim da autoestrada, à paragem ao cais, à estação. Mas heis que a correria do reme-reme diário se viu cruzada por uma mensagem. Nalguns casos, uma faixa, a apelar a um “buzinão”. Noutros, um folheto, oferecido no fim de um braço esticado.
Em ambas as situações, bandeiras tão vermelhas como o sol flamejavam com foices e martelos – deve ser o PCP.
E em cada uma, a promessa de «romper com as injustiças», por «uma vida melhor» – é mesmo o PCP!
Ir à rua contra uma «brutal injustiça»
Paulo Raimundo foi um dos muitos militantes a cruzar o passo da multidão no Cais do Sodré, Lisboa – onde distribuiu folhetos e informou os transeuntes das posições do Partido.
«Estamos confrontados com um aumento brutal dos combustíveis e do preço dos alimentos. Como se não fosse pouco, vêm aí novos aumentos das taxas de juro», afirmou à imprensa. O povo, garantiu, vive uma «brutal injustiça», contrastante com os «lucros nunca vistos» dos grupos económicos.
O Secretário-Geral clarificou que, naquele dia – primeiro passo da jornada nacional –, em vários pontos do País, se protestou para pôr fim às injustiças e afirmar que há soluções. «O apelo que fazemos é este: não se conformem, venham para a rua, indignem-se!», sublinhou.
Governo está «a ser cúmplice»
No viaduto junto à entrada de Almada na Ponte 25 de Abril, Paula Santos acompanhou outros militantes que, com uma gigantesca faixa, apelaram a um “buzinão” – apelo correspondido pelas centenas de carros que passaram.
A líder parlamentar exigiu, em declarações, respostas da parte do Governo, afirmando que o Executivo «não pode ser cúmplice» do aumento do custo de vida. «Creio que esta adesão [à acção do PCP] da população mostra a indignação com o brutal aumento dos preços, que é insuportável», frisou.
No dia seguinte, 18, Alfredo Maia interveio num debate parlamentar sobre o aumento do custo de vida, no qual defendeu as soluções reais propostas pelo Partido logo no dia 15: salário mínimode 1100 euros; aumento intercalar de pelo menos 50 euros em todas as pensões; regime de controlo de preços nos produtos do cabaz alimentar essencial; preço máximo do “gás de botija” (13kg) nos 20 euros; e preço de referência para os preços dos combustíveis. Nesta data, Paula Santos criticou as declarações de dia 17 de Luís Montenegro, classificando-as de propaganda.




