- Nº 2756 (2026/09/24)«O povo palestiniano precisa da nossa solidariedade», lê-se no apelo à participação na manifestação que se realiza dia 10 de Outubro, em Lisboa, com início no Largo de Camões, às 15h00.
«Em clara violação do cessar-fogo na Faixa de Gaza, Israel continua o genocídio, os assassinatos, os bombardeamentos, incluindo sobre hospitais, a sistemática destruição e demolição de edificações, o bloqueio à entrada urgente e necessária de ajuda humanitária», denunciam as organizações promotoras da acção, lançada pelo CPPC, a CGTP-IN, o MPPM e o Projecto Ruído.
No apelo conjunto sublinha-se que Israel «ocupa cerca de setenta por cento» do território da Faixa de Gaza, comprimindo cada vez mais contra o mar a população palestiniana, que «sofre de subnutrição e grave carência alimentar, não tem acesso a tratamentos e cuidados médicos e é obrigada a viver em abrigos precários e sem condições sanitárias».
Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Leste, agrava-se a violência e da expulsão de palestinianos das suas casas e terras, acrescentam. «O banditismo dos colonos israelitas, em conjunto com a violenta acção do exército de Israel», intensifica esse processo, enquanto «se multiplicam os planos para a construção de novos e ilegais colonatos».
A situação dos presos políticos palestinianos nas prisões israelitas é igualmente denunciada, perante relatos de «inenarráveis torturas e cruéis humilhações».
Para as organizações promotoras da manifestação, a continuidade desta política é favorecida pelo «suporte dos EUA e da União Europeia», que acusa de «normalizar» a actuação de Israel através do seu apoio e cumplicidade. Critica-se igualmente as tentativas de «criminalizar» quem defende os direitos nacionais do povo palestiniano e quem se solidariza com a sua causa.
Mobilização em defesa da paz
Antes da manifestação de Lisboa, realizam-se outras iniciativas de solidariedade com o povo palestiniano. Dia 25 de Setembro, em Guimarães, está prevista uma acção na Alameda de São Dâmaso. Para além de denunciar a situação na Faixa de Gaza, a iniciativa contesta a recepção, nos Paços do Concelho, do embaixador de Israel em Portugal pelo presidente da Câmara Municipal.
A União dos Sindicatos do Distrito de Braga/CGTP-IN considera que a situação exige «a mobilização em defesa da paz e da solidariedade entre os povos» e a intensificação da exigência junto das autoridades portuguesas para que ponham termo a qualquer forma de cumplicidade com a política de agressão e ocupação levada a cabo por Israel.
Entretanto, a CDU questionou o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, sobre que «justificações políticas e éticas fundamentam a decisão de acolher oficialmente o representante de um governo acusado de crimes contra a humanidade, correndo o risco de associar o nome de Guimarães ao branqueamento dessas acções», «de que forma pretende este executivo garantir que os eventuais acordos ou parcerias económicos e científicos não violam os princípios do direito internacional e a solidariedade com os direitos do povo palestiniano» e se «está a Câmara Municipal disponível para se distanciar publicamente destas políticas, apelando ao cessar-fogo imediato, ao fim do bloqueio à Faixa de Gaza e ao cumprimento das deliberações da ONU para concretização do Estado da Palestina com as fronteiras de Junho de 1967 e capital em Jerusalém Leste e o cumprimento do direito de retorno dos refugiados palestinianos, como determinam as resoluções da ONU e o direito internacional».
No Porto, dia 28 de Setembro, realiza-se, às 18h00, na Praça dos Leões, o acto público «Fim das armas nucleares».
O genocídio não é uma comédia!
O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) saúda os artistas portugueses que têm recusado participar em espectáculos ao lado de figuras que, segundo a organização, assumem posições de apoio ao Governo de Israel e de negação dos crimes cometidos contra o povo palestiniano.
Num comunicado divulgado dia 15 de Setembro, o MPPM manifesta solidariedade com «a atitude digna e vertical dos artistas portugueses» que se recusaram a partilhar o palco com Jerry Seinfeld, cabeça-de-cartaz de um espectáculo patrocinado pela MEO, no dia 1 de Novembro, que o movimento identifica como um destacado apoiante do governo israelita.
O MPPM repudia as «manobras de insulto e difamação» dirigidas contra os artistas que tomaram essa posição e considera que estes exercem o seu «legítimo direito de não querer compactuar» com posições que, no seu entendimento, contribuem para legitimar o genocídio.
A organização apela ainda à reflexão sobre o significado da participação no espectáculo, «quer como artista, quer como espectador», e reafirma o compromisso com o reconhecimento dos direitos nacionais do povo palestiniano e com o movimento internacional de solidariedade com a sua luta.
«O MPPM continuará a defender intransigentemente o reconhecimento e efectivação dos direitos nacionais do povo palestino», afirma a Direcção Nacional.