- Nº 2756 (2026/09/24)

Uma intervenção ímpar que é preciso reforçar

Opinião

A 50.ª Festa do Avante! foi um extraordinário êxito político-cultural, com projecção na intervenção que o Partido prossegue.

Para o êxito da Festa contribuíram muitos factores, desde a Festa em si mesma com as suas características, ao programa, à efeméride dos seus 50 anos, às muitas batalhas políticas travadas ao longo do ano, em particular, a luta de meses contra o pacote laboral, que seria decisiva para o derrotar e, claro, à acção de reforço do Partido entretanto iniciada e já com resultados visíveis.

O comício da Festa, no domingo, foi a demonstração desse grande êxito político, com a realização daquela que foi a maior iniciativa política, ao longo do ano no nosso País: um comício rico pelos conteúdos, pela imensa manifestação de solidariedade com Cuba, pela grandiosa dimensão de massas, com uma forte participação da juventude, pela força e combatividade.

Este acontecimento com todo o seu significado político contribui para projectar a acção do Partido que, como a vida vem mostrando (e a Festa confirmou) é absolutamente necessário e insubstituível para defender direitos, para lutar contra a subida do custo de vida, pela melhoria dos salários e das pensões, em defesa dos serviços públicos, pela paz e a solidariedade internacionalista, num quadro de intervenção em que ressalta a importância do combate de fundo pela alternativa à política de direita (que com o apoio do Chega e da IL e a cumplicidade do PS o Governo prossegue), por uma política patriótica e de esquerda, indissociável da democracia avançada inspirada nos valores de Abril, da luta pelo socialismo e o comunismo.

É tendo presente este amplo leque de objectivos imediatos, intermédios e supremos (indissociáveis uns dos outros), que melhor se entende o sentido da intervenção do Partido no momento actual e tendo presentes as condições concretas em que se exerce essa intervenção. A Festa do Avante! foi mais um momento concreto indicativo do papel insubstituível do Partido, na luta por estes objectivos, tal como, na segunda metade de 2025 e primeira metade de 2026, o foi a luta contra o pacote laboral, que acabou por ditar a sua derrota. Mas o prosseguimento da intervenção do PCP, a natureza dos problemas que é preciso enfrentar, a correlação de forças no plano institucional, a luta de fundo que é preciso travar para colocar Portugal num rumo de desenvolvimento soberano e progresso social, rompendo com a submissão às imposições da União Europeia e ao domínio do capital monopolista, a complexidade da situação nacional e internacional que vivemos, exigem o reforço da organização do PCP. Um PCP mais forte para melhor intervir.

E, com um PCP mais forte, numa dinâmica de intensificação da luta de massas e de alargamento da unidade e convergência com democratas e patriotas, estaremos em melhores condições para tomar a iniciativa, resistir e avançar, sejam quais forem as circunstâncias em que tenhamos que o fazer.

O PCP é um Partido com um ideal e um projecto de transformação social que é imprescindível reforçar: porque este é o Partido com que os trabalhadores e o povo podem contar; porque, contra as imposições da UE e do imperialismo, este é o Partido que se bate pelo desenvolvimento soberano de Portugal; porque este é o Partido que assume a defesa dos direitos das crianças e dos pais; porque defende intransigentemente os serviços públicos e as funções sociais do Estado; porque denuncia as injustiças e combate as desigualdades sociais; porque se bate pelos direitos, nomeadamente ao trabalho com direitos, à saúde, à educação, à segurança social e à habitação; que tem um projecto de política alternativa para romper com o ciclo de exploração, declínio nacional e empobrecimento em que temos vivido e que retome os trilhos de Abril.

Daí, então, a questão incontornável: o que é que cada um de nós pode fazer para reforçar o Partido com que sempre podem contar, na luta por uma vida melhor, por um Portugal com futuro, por um mundo de progresso social e de paz?

O que pode fazer cada um de nós, os membros do PCP, mas também os seus amigos e simpatizantes, os que conhecem e valorizam a sua acção mas dele se mantêm distantes, os que, em cada Festa do Avante!, vêem o que é, como funciona e se organiza o PCP, mas não são seus militantes?

São, na verdade, muitas as coisas que cada militante pode fazer para reforçar o Partido (que as páginas 16 e 17 desta edição referenciam). Mas, para os que não são militantes, e reconhecem o seu papel insubstituível, por que não aderir ao PCP, participar mais intensamente na sua luta do dia-a-dia, apoiar a sua acção, adquirir, ler e divulgar a imprensa partidária?

De facto, não basta reconhecer o que afecta e agrava as condições de vida dos trabalhadores e do povo. É preciso agir organizadamente para erradicar as causas que estão na sua origem.

Ou seja, não basta reconhecer que o PCP é imprescindível. É preciso dar-lhe a força necessária a uma melhor e mais intensa intervenção.

 

Manuel Rodrigues