- Nº 2756 (2026/09/24)

Na mira do imperialismo

Opinião

Estamos a menos de duas semanas das eleições gerais no Brasil, a 4 de Outubro, que elegerão o Presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Nestas eleições estão em causa a democracia e a soberania do país, mas também a integração latino-americana e a proclamação desta região como zona de paz.

Ao longo do ano de 2026, o imperialismo norte-americano tem intensificado, por toda a América Latina e Caraíbas, acções de aberta ingerência, coerção e agressão, bloqueios e sanções, pondo em prática o dito “corolário de Trump” da doutrina Monroe, exposto no final de 2025 na denominada “Estratégia de Segurança Nacional dos EUA”.

Desde a agressão militar à Venezuela e a sua tutelagem, o recrudescimento do criminoso e genocida bloqueio e cerco energético a Cuba, às pressões sobre o governo progressista do Uruguai, às interferências directas nos processos eleitorais na Argentina, Honduras, Equador, Chile, Peru, Colômbia, favorecendo forças da extrema-direita e fascizantes, os EUA apontam agora como alvo o Brasil, procurando derrotar, nestas eleições, o projecto soberano e de desenvolvimento protagonizado por Lula da Silva.

A intenção é pôr toda a América Latina ao serviço dos interesses hegemónicos do imperialismo norte-americano e o Brasil é uma peça-chave nesses intentos, pois é hoje uma das dez maiores economias no mundo, a segunda maior detentora de terras raras, a seguir à China – com quem tem reforçado as suas relações –, e joga um importante papel no processo de rearrumação de forças em curso, como é exemplo a sua participação em espaços de cooperação multilateral, como o BRICS. A administração norte-americana tem usado vários instrumentos que visam a ingerência e o condicionamento da soberania do Brasil. Seja a imposição de tarifas extraordinárias sobre produtos brasileiros, com objectivo de afectar a economia brasileira e condicionar as suas relações comerciais externas, as sanções contra o juiz do Supremo Tribunal que julgou Jair Bolsonaro, as crescentes pressões em torno das questões de segurança pública e sobre a actuação das instituições brasileiras, como é exemplo o relatório anual enviado ao Congresso dos EUA que acusou o Brasil de “falhar” no combate a organizações ligadas ao narcotráfico, classificados previamente por estes como “organizações terroristas”, alimentando a retórica da extrema-direita no Brasil.

Não obstante tudo isto e apesar de contradições dentro do governo de Lula da Silva, composto por diversificadas forças, o Brasil tem defendido a sua soberania e rejeitado as pressões dos EUA, assim como tem defendido a paz e a cooperação entre os povos. Nos últimos 5 anos foram revertidas as políticas anti-sociais dos governos de Temer e Bolsonaro, retirando 8,6 milhões de pessoas da pobreza, e em 2025, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da FAO – a 1ª vez tinha acontecido em 2014 no governo de Dilma Rousseff – e o desemprego caiu para mínimos recordes no segundo trimestre deste ano, cerca de 5,3 %. Nestas eleições, joga-se o futuro imediato do povo brasileiro e do Brasil, com implicações para a América Latina, para a cooperação multilateral no plano internacional, para a Paz. A eleição de Lula da Silva e o avanço das forças progressistas no Brasil serão fundamentais para a defesa da democracia e da soberania do Brasil, para a possibilidade de construir um país ao serviço dos interesses do povo brasileiro, para a defesa da paz e a luta anti-imperialista que travamos.

 

Cristina Cardoso