Nos 56 anos da CGTP-IN, lutar pelas reivindicações dos trabalhadores

João Silva

A CGTP-IN é uma organização sindical unitária, independente, democrática, solidária, de massas e de classe

No dia em que esta edição do Avante! chega às mãos dos seus leitores, milhares de trabalhadores de todos os sectores de actividade, acompanhados pelos seus representantes eleitos – dirigentes, delegados e activistas sindicais –, ao mesmo tempo que dão continuidade à luta pelas suas reivindicações imediatas e preparam a participação na grande jornada nacional de luta marcada para 17 de Outubro, assinalam o 56.º aniversário da sua organização sindical de classe, a CGTP-Intersindical Nacional.

No dia 1 de Outubro de 1970, aproveitando as condições criadas pela longa luta das massas trabalhadoras contra o fascismo, a exploração e a opressão, quatro sindicatos – Caixeiros, Lanifícios, Metalúrgicos e Bancários – emitiram a convocatória para a primeira reunião Intersindical, que se realizou a 11 de Outubro, com a presença de 14 sindicatos, onde se discutiu contratação colectiva, horário de trabalho, censura e liberdade de reunião. Foi a primeira de muitas reuniões que consolidaram a Intersindical como organização de classe, impulsionadora da luta heróica das massas trabalhadoras por melhores condições de vida e de trabalho, pela liberdade e a democracia. Ali se forjaram os princípios que caracterizam a CGTP-IN como organização sindical unitária, independente, democrática, solidária, de massas e de classe.

Com o nascimento da Intersindical, centenas de milhares de trabalhadores encontraram na organização colectiva a força e a confiança necessárias para se unirem e lutarem em defesa dos seus interesses. Quando eclodiu a Revolução de Abril, milhares de trabalhadores estavam em greve, paralisando sobretudo grandes empresas industriais.

Todas estas razões legitimam a CGTP-IN como organização de classe simultaneamente obreira e produto da longa luta da classe operária e dos lutadores antifascistas que tornaram possível a Revolução de Abril de 1974 e, com ela, as liberdades políticas e sindicais e o conjunto de direitos que enformam o regime democrático de que os trabalhadores e a sociedade portuguesa passaram a usufruir. A contratação colectiva e o salário mínimo nacional, as férias pagas e o subsídio de Natal, a liberdade de organização sindical e a protecção social, o ensino público e gratuito, o acesso aos cuidados de saúde e a melhoria significativa da qualidade e das condições de vida – são, entre outras, algumas das conquistas que têm a marca indelével do movimento sindical de classe protagonizado pela CGTP-IN, numa acção que moldou o Portugal democrático e consagrou o direito ao trabalho com direitos como pilar fundamental da liberdade nascida com a Revolução, consagrado na Constituição da República.

Comemorar lutando
Passados 56 anos da sua fundação e 52 sobre a Revolução de Abril, a CGTP-IN e toda a sua estrutura, constituída por sindicatos representativos de todos os sectores e dezenas de milhares de dirigentes, delegados e activistas, continua a ser a organização de classe em que milhões de trabalhadores, incluindo os não sindicalizados, confiam para os representar e organizar a luta pela defesa dos direitos individuais e colectivos, da Constituição da República e do regime democrático de Abril, como ficou demonstrado com a participação nas greves gerais de Dezembro de 2025 e Junho de 2026, que contribuíram decisivamente para a derrota do famigerado pacote laboral do Governo PSD/ Montenegro.

Os tempos que vivemos colocam novos desafios aos trabalhadores. Mas o exemplo que podemos colher do percurso da CGTP-IN é que, com organização, persistência, determinação e luta é possível alcançar aquilo que à partida pode parecer impossível. A conquista das 40 horas semanais, a reposição de salários e direitos roubados durante o período da troika (designadamente a reposição das 35 horas na Administração Pública), a derrota de vários pacotes laborais e do governo PSD/Passos Coelho em 2015, a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores, a que não são alheias as 12 greves gerais realizadas desde o 25 de Abril, constituem motivos de confiança para a conquista de um futuro melhor – um futuro que tem de ser conquistado pelas nossas mãos.

Nunca esquecer que a melhor forma de valorizar o percurso da CGTP-IN ao longo destes 56 anos e homenagear os seus construtores é dar força à concretização das decisões aprovadas pelos seus órgãos dirigentes, participando na grande manifestação nacional de dia 17 e, naturalmente, prosseguindo nas empresas e nos sectores a luta pela conquista das reivindicações dos trabalhadores.



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