- Nº 2757 (2026/10/1)

Alemanha pelos direitos e contra o militarismo

Europa

Na Alemanha, milhares de trabalhadores mobilizados pelos sindicatos protestaram em Berlim e noutras cidades do país contra as políticas do governo CDU/CSU/SPD de ataque aos direitos laborais e sociais. Os estudantes rejeitaram nas ruas a política militarista e de guerra, em que se integra a tentativa de instaurar o serviço militar obrigatório.

Os trabalhadores saíram às ruas em várias cidades no sábado, 26, em manifestações organizadas pelos sindicatos, sob o lema “Conquistado com esforço! O teu trabalho. A tua saúde. A tua pensão.” As manifestações foram realizadas em frente aos portões das fábricas, particularmente da indústria automóvel, e em praças públicas, contra a política de ataque aos direitos laborais e sociais e de cortes sociais promovida pelo governo CDU/CSU/SPD liderado por Merz.

«Não vamos permitir que nos tirem simplesmente aquilo que construímos ao longo de muitos anos em matéria de direitos sociais», declarou a presidente da Confederação Alemã de Sindicatos (DGB, na sigla em alemão). Os sindicatos rejeitam que as políticas minem os direitos, reduzam a segurança social e menosprezem o fruto de toda uma vida de trabalho. Recusam ainda a tentativa de culpar os trabalhadores pela situação económica, bem como os ataques à duração da jornada de trabalho, ao direito à saúde, à prestação de cuidados sociais e às pensões, afirmando que não vão deixar tirar aos trabalhadores o que foi conquistado com muito esforço.

Rejeitando os cortes na segurança social e o aumento da carga sobre os trabalhadores, os sindicatos reivindicam direitos laborais e sociais e melhores salários.

Jovens contestam serviço militar obrigatório

Os estudantes manifestaram-se na sexta-feira, 25, numa centena de cidades, contra a possibilidade de retorno do serviço militar obrigatório. A porta-voz do movimento “Jovens Contra o Recrutamento Militar Obrigatório” afirmou que os jovens não querem alistar-se nas forças armadas alemãs. O movimento estudantil, que voltou às ruas na sexta-feira, continua a merecer um forte apoio da população.

A nova lei sobre o serviço militar entrou em vigor em Janeiro deste ano. Numa primeira fase, houve restrições de viagem para os jovens e agora exames médicos obrigatórios de alistamento, mesmo antes da data originalmente anunciada de 1 de Julho de 2027. As convocatórias estão a ser enviadas principalmente para jovens que indicaram no questionário obrigatório que não tinham qualquer interesse na Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs). Caso os objectivos de recrutamento militar estabelecidos pelo governo alemão não sejam alcançados, o parlamento poderá decidir impor o serviço militar obrigatório, suspenso na Alemanha desde 2011.

Entretanto, o movimento da paz alemão está a convocar para o próximo sábado, 3, novas manifestações sob o lema “Não à acumulação de armas, ao recrutamento e à guerra! Pela paz, pelos direitos democráticos e pela segurança social!”.

Na consideração de activistas do movimento da paz alemão, os jovens já estão a experimentar o que significa a imposição, a toda a sociedade, de uma agenda de preparação para a guerra por parte do governo alemão. Salientam ainda que as grandes acções estudantis contra o recrutamento militar obrigatório, que vão já na quarta mobilização, revelam perspectivas reais de desenvolvimento de um movimento juvenil antimilitarista.

Os protestos dos trabalhadores de dia 26 e as manifestações pela paz de 3 de Outubro poderão lançar as bases para levar os estudantes e os trabalhadores juntos às ruas, fazendo convergir os movimentos da paz e laboral. Será esta convergência que poderá oferecer uma perspectiva real para conter os propósitos belicistas e mudar fundamentalmente a correlação de forças na Alemanha.