- Nº 2757 (2026/10/1)

Lula defende soberania do Brasil contra ingerências externas

Internacional

As eleições do próximo domingo no Brasil vão permitir aos brasileiros a escolha do presidente da República, senadores, deputados estaduais e federais e governadores. O actual presidente, Lula da Silva, concorre a um novo mandato. Flávio Bolsonaro é o candidato da extrema-direita, alinhado com o imperialismo norte-americano.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva advertiu perante as Nações Unidas que não permitirá ingerências estrangeiras nas eleições brasileiras de 4 de Outubro nem acções destinadas a subverter a vontade popular. Ao terminar a sua intervenção no início do debate da Assembleia Geral da ONU, assegurou que as eleições serão transparentes e que cada candidato gozará da máxima liberdade de expressão, embora tenha realçado que alguns deles utilizam essa liberdade para alinhar com interesses estrangeiros contra o Brasil.

Alertou também para as redes de desinformação que procuram minar a confiança no processo eleitoral, mas destacou a existência de um sistema eleitoral moderno e sólido. O chefe de Estado brasileiro avisou ainda os inimigos da democracia, nacionais ou estrangeiros, que «a democracia brasileira pertence aos brasileiros e brasileiras».

No mesmo discurso, abordou a criminalidade organizada e assegurou que o Brasil está preparado para enfrentar os grupos que aterrorizam as comunidades, afectam os trabalhadores e famílias e provocam a morte de agentes policiais. Afirmou que cabe ao Brasil, e não a outros, a responsabilidade de defender as fronteiras e garantir à população o direito a viver sem medo. «Não necessitamos de porta-aviões a vigiar as nossas águas», vincou, ao reclamar cooperação para bloquear o fluxo de armas e dinheiro que alimentam o crime.

«Ninguém está por cima da lei», assegurou Lula ao defender que a luta contra a corrupção continuará, independentemente de quem acabe por ser afectado. Estes pronunciamentos têm lugar depois dos EUA designarem este ano duas organizações criminosas brasileiras como “terroristas”, medida rejeitada pelo governo do Brasil, que alertou para os possíveis efeitos desta decisão dos EUA para abrir espaço a acções de interferência externa e colocar em causa a soberania do Brasil.

Soberania versus submissão

Os temas levantados por Lula da Silva na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas são alguns dos que têm igualmente marcado a campanha eleitoral, fortemente polarizada entre Lula da Silva, apoiado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e outras forças políticas progressistas e movimentos sociais, e o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, filho do anterior presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado, apoiado pelos sectores reaccionários brasileiros e os EUA.

Lula concorre a um novo mandato presidencial de quatro anos. Acompanha-o como candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), actual vice-presidente do Brasil. Se nenhum dos candidatos presidenciais obtiver mais de metade dos votos na primeira volta, haverá uma segunda volta, a 25 de Outubro.

«Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objectivos» afirmou Lula da Silva nas Nações Unidas.