- Nº 2758 (2026/10/8)
Também no dia 1, depois de Abril e Julho, Paulo Raimundo foi de manhã cedo ao Centro de Saúde do Olival, no Cacém (Sintra), onde uma fila imensa esperava conseguir senha para marcar consultas ou exames para os próximos três meses. O primeiro a chegar, que já lá tinha estado em Julho – quando tentou, sem êxito, conseguir a desejada marcação – chegou às 2h30 da manhã e por ali ficou madrugada fora à espera que se abrissem as portas, às 8h00. Os seguintes chegaram pouco depois, às 2h45, 3h00…
Muitos dos que ali estavam eram idosos e doentes crónicos. Se o primeiro da fila queria saber porque não via do olho esquerdo, outra utente esperava uma guia para fazer análises à diabetes.
Histórias semelhantes repetiram-se ao longo da interminável fila. «Até parece que estamos a pedir esmola, mas a saúde é um direito», desabafou uma idosa com 80 anos.
Se a forma de organização daquele Centro de Saúde obriga os utentes a este calvário trimestral, o problema principal é outro: a falta de médicos. 93 por cento dos utentes não têm médico de família, mais de 15 mil pessoas. A 4 de Janeiro, o Secretário-Geral do PCP voltará ao local, mantendo o desafio ao primeiro-ministro e à ministra da Saúde para que façam o mesmo.
A saúde voltou a ser tema à tarde, numa reunião do PCP com a administração da ULS de São José. À saída, Paula Santos, referindo-se especificamente ao Hospital Pediátrico Dona Estefânia, onde se encontrava, criticou a «carência de profissionais» patente naquele como noutros estabelecimentos.
O hospital, sinalizou, garante respostas únicas na região e no País, mas vê-se pressionado pelo encerramento dos serviços de pediatria de outros hospitais da Área Metropolitana de Lisboa.