- Nº 2758 (2026/10/8)
«A luta continua nas escolas e na rua», «Atrair para a profissão, só com a valorização» e «Negociação sim! Imposição não!», foram algumas das palavras de ordem entoadas durante o percurso. Na faixa que abria o desfile, encabeçado pelos Batucando, orquestra de percussão do Montijo, que chamou a atenção para o que ali estava a acontecer, lia-se «A escola pública exige respostas. Os professores também», lema da campanha da Federação que arrancou no dia 1 de Outubro, seguida de outras reivindicações: «Somos professores. Damos rosto ao futuro. Exigimos valorização, já!», «Aposentação é um direito. Não é um privilégio!» e «Unidade na valorização da profissão e da educação».
Chegados à praça, teve lugar um momento cultural protagonizado pelo Quarteto de Cordas da Orquestra Académica Portuguesa, seguido de outras intervenções políticas, a cargo de Manuela Mendonça, do Secretariado Nacional da FENPROF e da Comissão Executiva da Internacional da Educação, que destacou a importância do 60.º aniversário da recomendação da UNESCO e da OIT sobre o Estatuto dos Professores, e frisou que a falta de professores, à escala mundial, não será ultrapassada sem responder aos baixos salários, às cargas de trabalho e à precariedade.
José Feliciano Costa, Secretário-Geral da FENPROF, também referiu que «não há educação de qualidade sem professores valorizados», tendo alertado para o que considera ser uma transformação profunda da escola pública, face à desresponsabilização do Estado.
Por seu lado, Francisco Gonçalves, também Secretário-Geral da Federação, centrou-se nas medidas que o Governo pretende concretizar no próximo ano, como a revisão do Estatuto da Carreira Docente, o estatuto do director e da gestão escolar, a descentralização de competências, as alterações ao regime de educação inclusiva, a reorganização curricular e a revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo. Face ao agravamento do custo de vida e à situação dos milhares de professores deslocados, apelou-se à participação de todos na manifestação nacional da CGTP-IN (págs. 4 e 5).
O momento contou também com as palavras de Tiago Oliveira, Secretário-Geral da CGTP-IN, que acusou PS, PSD e CDS, agora com o apoio da IL e do CH, de, com as suas políticas, privilegiar a entrega de «partes significativas do aparelho do Estado aos interesses do capital, em detrimento da resolução dos problemas concretos». «É uma ofensiva de ajuste de contas com a Constituição», acusou.
O grupo Eira Velha encerrou a programação, antes da votação de uma moção intitulada «Com as professoras e os professores: 60 anos a defender a profissão, a valorizar o seu estatuto, a dar rosto ao futuro».
Solidariedade do PCP
A acção contou com uma delegação do PCP, integrada, entre outros, por Jorge Pires, da Comissão Política do Comité Central, que destacou a dimensão da luta dos professores ao longo do último ano lectivo, apontando problemas como o caos nos exames nacionais, o desmantelamento do Ministério da Educação e as dificuldades na relação entre os professores e a tutela. As críticas estenderam-se à falta de professores e à situação de milhares de alunos que chegaram ao início do ano sem escola atribuída. «Há motivos para os professores estarem descontentes e continuarem a luta», afirmou.