Reforçar a luta, organizar, intervir

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política)

São grandes as exigências, mas também as forças de que dispomos

Vivemos um tempo marcado pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores e das populações: o custo de vida aumenta, o acesso à habitação está cada vez mais difícil, os serviços públicos são sujeitos a uma pressão crescente e avançam opções que põem ainda mais em causa a sua capacidade de resposta. Os salários e as pensões continuam insuficientes para fazer face às necessidades, enquanto os grupos económicos acumulam lucros e concentram cada vez mais riqueza.

Perante esta realidade, é preciso intensificar a luta, reforçar a organização e afirmar com confiança o projecto e as propostas do Partido. É preciso demonstrar, na prática, que há alternativa, que não estamos condenados a este rumo e que é possível construir um outro caminho para o País, colocando no centro os direitos, necessidades e aspirações dos trabalhadores e das populações.

A recuperação do discurso da crise procura justificar opções que vêm sendo tomadas, nomeadamente no plano da União Europeia, com a crescente canalização de milhares de milhões de euros para o militarismo e a guerra. A propaganda de guerra intensifica-se. Pretende-se assim preparar os povos para aceitar novos sacrifícios, como se fossem inevitáveis. É necessário combater esta mistificação, esclarecer as suas consequências e afirmar que os recursos que faltam para salários, pensões, habitação, saúde, educação e serviços públicos não podem ser desviados para a corrida ao armamento, para a guerra e quem dela beneficia.

 

Reivindicação, mobilização e luta

A luta organizada faz a diferença. A luta prolongada, intensa e vitoriosa contra o pacote laboral confirmou a força dos trabalhadores quando se organizam e se mobilizam. E também que a luta é um instrumento decisivo para elevar a consciência e desmascarar a política que conduz ao agravamento das desigualdades.

É nesta intervenção concreta que temos de concentrar forças: estar onde estão os problemas, ouvir os trabalhadores e as populações; conhecer cada situação, identificar causas e organizar a resposta; transformar a insatisfação em reivindicação, a reivindicação em mobilização e a mobilização em luta; acompanhar, persistentemente, cada luta e cada reivindicação.

A jornada convocada pela CGTP-IN para o próximo sábado assume particular importância. As manifestações de Lisboa, Porto e Coimbra são um momento de afirmação da força dos trabalhadores e de expressão pública das suas reivindicações: salários e pensões dignos; direitos laborais; serviços públicos de qualidade; contra o aumento do custo de vida; direito à habitação; defesa da Segurança Social; contra a guerra e pela Paz.

É preciso que esta jornada seja uma grande expressão de descontentamento, mas também de confiança e força, e uma afirmação de que os trabalhadores e as populações não aceitam o caminho que lhes querem impor e estão disponíveis para lutar.

 

Um PCP mais forte, uma intervenção mais combativa

Coloca-se assim ao colectivo partidário a tarefa de esclarecer, organizar e mobilizar – com trabalho concreto, diário e persistente, em cada local de trabalho, concelho e bairro. A força da nossa intervenção depende da nossa organização: quanto mais organizados estivermos, mais capacidade teremos para chegar aos trabalhadores e às populações, conhecer os seus problemas, identificar as suas aspirações, construir reivindicações e transformar a indignação em luta organizada. Isto exige compromisso, iniciativa, responsabilidade; planear, concretizar, acompanhar e avaliar; identificar dificuldades, encontrar respostas e não desistir. Exige que cada camarada assuma o seu papel e contribua para a concretização das tarefas.

Reforçar o Partido é aprofundar a ligação aos trabalhadores e às populações, fortalecer a organização e a capacidade de mobilização, chegar a mais trabalhadores, envolver mais pessoas, conquistar novos militantes e criar condições para que mais democratas e patriotas participem na defesa dos interesses do País e na construção da alternativa de que somos portadores. É também reforçar a capacidade de comunicar: alargar a venda e a projecção do Avante! e de O Militante; produzir mais instrumentos de intervenção sobre problemas concretos; fazer chegar mais longe as posições, propostas e denúncias do Partido; disputar, com iniciativa e confiança, a batalha das ideias. E é ainda assegurar as condições materiais para a intervenção: temos de continuadamente cuidar do reforço financeiro, de modo a garantir os meios indispensáveis à acção política, à organização e à presença junto dos trabalhadores e das populações.

São grandes as exigências, mas também as forças de que dispomos. Temos um projecto, um ideal, uma experiência de luta e uma organização com capacidade para intervir e transformar. O momento exige mais iniciativa, organização, ligação às massas e luta. Exige um Partido presente, activo e mobilizador. Exige mais compromisso.

Com confiança no projecto e no ideal do Partido, com determinação e espírito de luta, saberemos responder às exigências do presente e abrir caminho à alternativa de que o País precisa. Sim, um PCP mais forte é preciso! É possível!



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