Sábado, em Lisboa, Porto e Coimbra, manifestação nacional da CGTP-IN

É já depois de amanhã, sábado, a manifestação nacional descentralizada promovida pela CGTP-IN sob o lema «Mais salário! Melhores pensões e serviços públicos! Contra o aumento do custo de vida! Defender o SNS e a Segurança Social!».

O aumento dos salários e pensões é determinante para fazer face ao custo de vida

A manifestação terá expressão em três cidades: em Coimbra, às 10h30, da Rotunda do Portugal dos Pequenitos à Praça 8 de Maio; no Porto, da Praça da Batalha à Praça D. João I; e em Lisboa, do Cais do Sodré ao Rossio. A manifestação culmina o “Mês de Acção, Mobilização e Luta”, com expressão em todo o País e nos mais variados sectores.

No folheto de mobilização para a manifestação, a CGTP-IN reclama respostas «aos problemas dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, dos jovens, das famílias» e garante que «a luta é o caminho». Foi ela, lembra, que derrotou o pacote laboral, mostrando que «há força para resistir e vencer».

As razões que motivaram a convocação deste protesto estão cada vez mais actuais. No referido folheto, denuncia-se o fosso crescente entre «a larga maioria, que luta diariamente para pagar as contas, a renda ou a prestação ao banco, para pôr combustível no carro ou a comida na mesa, e uns poucos que lucram cada vez mais com o aumento da exploração». E mostra-se a dimensão da injustiça: em 2026, 18 grupos económicos da banca, da energia, das telecomunicações, do retalho, da indústria e das auto-estradas, amealharam – por dia! – 32, 4 milhões de euros. Ou seja, «enquanto os trabalhadores passam dificuldades, os patrões estão muito bem servidos».

Como «não tem de ser assim», a CGTP-IN reclama uma política alternativa que «enfrente os interesses dos grandes grupos económicos e que rompa com o favorecimento desses mesmos interesses». O aumento dos salários e das pensões, o reforço dos direitos e a diminuição dos horários serão exigências reafirmadas nesta manifestação. Exige-se, ainda, a valorização do Serviço Nacional de Saúde, «que tem sido alvo de grande desinvestimento público»; a defesa da Segurança Social, «combatendo o ataque às pensões e à protecção social» que está em curso; e a redução dos custos da habitação, «que estão incomportáveis».

 

Muitas razões e vontades

Aos motivos gerais, somam-se razões específicas. A Interjovem, num folheto próprio que está a distribuir aos jovens trabalhadores, garante que a «precariedade não é inerente à juventude», mas sim «um flagelo que não nos permite viver um presente em paz e construir um futuro digno». E apresenta dados: metade dos jovens até aos 25 anos tem vínculos precários, denuncia, lembrando que estes ganham menos 20 por cento do que os que têm contratos efectivos e que 10,7 por cento deles encontram-se em situação de pobreza. Acrescenta ainda que 40 por cento do desemprego resulta da não renovação de contratos precários.

A estrutura juvenil da CGTP-IN reafirma, assim, algumas das suas reivindicações: aumentos salariais de 15 por cento, nunca inferiores a 150 euros; a regulação de horários; a redução do horário para as 35 horas sem perda de remuneração; o combate à precariedade, limitando os motivos justificativos da celebração de contratos a termo e pondo fim à chantagem patronal que usa este tipo de vínculos para impor a abdicação de direitos.

O CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal e o CENA-STE – Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE) entregaram pré-avisos de greve para o próximo sábado, de modo a permitirem a participação dos trabalhadores dos respectivos sectores na manifestação.

A União dos Sindicatos do Algarve esteve reunida no dia 7 para preparar a manifestação de dia 17 e o seu XI Congresso, que terá lugar a 23 de Outubro em Faro. Na Madeira, a União de Sindicatos promove uma jornada de luta no Funchal, com início marcado para as 10h00 junto à Casa Sindical (Rua do Bom Jesus), seguindo-se uma manifestação até à Rua Dr. Fernando Ornelas.

«Aumentar salários e pensões! Baixar lucros para baixar preços»: PCP mobiliza para dia 17

O PCP está a fazer a sua parte na mobilização para a manifestação nacional do próximo sábado. Num folheto próprio – com três versões, uma para cada um dos três locais em que o protesto terá lugar –, o Partido denuncia que «comprar está cada vez mais difícil, muitos pagam cada vez mais, para que uns poucos acumulem riqueza como nunca».

Lembrando os lucros alcançados pelos principais grupos económicos – GALP: 1312 milhões; Repsol: 1900 milhões; Jerónimo Martins e Sonae: 1006 milhões; banca: 14 milhões por dia –, critica os que «falam em impostos para não atacar os lucros»: «Perante a escalada de preços, o Governo diz que não pode fazer nada, PS, Chega e IL só falam em impostos – tudo e todos unidos para garantir que não se toca nos lucros e que não se mexe nos preços. Os lucros históricos da banca, das petrolíferas ou da grande distribuição são o problema que outras forças políticas fingem não ver.»

O PCP reafirma a sua proposta de regulação de preços – praticada em vários países e até nos Açores – e recorda o que sucedeu com o IVA Zero no cabaz alimentar, aquando da epidemia de COVID-19: «Rapidamente os preços voltaram ao mesmo, já os lucros continuaram a somar.» Denuncia ainda o desmantelamento dos serviços públicos, nomeadamente o SNS e a Escola Pública, a falta de transportes e as dificuldades crescentes na habitação, concluindo que «não é incompetência, é projecto político».

No folheto, o PCP reafirma as suas exigências fundamentais para enfrentar a especulação e a exploração, parte integrante do «novo rumo para Portugal» a que aponta. São elas, entre outras: aumento geral dos salários; salário mínimo nacional de 1100 euros já em Janeiro; aumento de 5 por cento em todas as pensões, num mínimo de 80 euros; aumento da oferta pública de habitação, o controlo das rendas e a redução das prestações; regulação do preço dos combustíveis, alimentos, energia e telecomunicações; a fixação do preço da botija de gás em 20 euros; o investimento nos serviços públicos; a construção de uma rede pública de creches, a garantia de vagas no pré-escolar, a gratuitidade de cadernos de fichas e refeições escolares.



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