- Nº 2761 (2026/10/29)Centenas de estudantes concentraram-se, no dia 21, junto da sede do Governo, contra o aumento das propinas. Como eles, muitos outros, dos ensinos Superior e Secundário, saem à rua em todo o País.
Na concentração, os estudantes deixaram clara a sua posição: «A luta continua, os estudantes estão na rua».
Como explicou Beatriz Ferreira, da Associação de Estudantes (AE) da FBAUL, os estudantes lutam tanto contra o descongelamento das propinas, previsto na proposta de Orçamento do Estado (OE), como contra o corte de 7,6 por cento de financiamento, a “reforma” da acção social e o novo regime de graus e diplomas – o “decreto da exclusão”.
Ao protesto, aderiram as AE da FLUL, FBAUL, FPIE, IST, FCSH, FCT, ISPA, ESML, ESTC e Lusófona, além de muitas comissões de residentes, núcleos, tunas e praxes.
«Estamos dispostos a lutar»
Na intervenção de encerramento, David Talete, da AEFLUL, assinalou que esta não é a primeira vez que o Governo ameaça com o aumento das propinas. A mesma intenção, em 2025, levou milhares de estudantes para a frente da Assembleia da República, a 18 de Outubro.
O mesmo irá ocorrer, anunciou, quando iniciar a votação do OE na especialidade: no dia 18 de Novembro, está marcada uma manifestação nacional para as 14h30, no Largo do Carmo, Lisboa, rumo ao Parlamento.
«Queremos um ensino superior público gratuito, democrático e de qualidade. E estamos dispostos a lutar por ele», asseverou.
Problemas acumulam-se
Dirigentes de AE e outros estudantes de diferentes faculdades da região levaram reivindicações específicas para o palco da concentração.
Tomás Gonçalves, da FLUL, alertou para o incumprimento do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior: «Temos 18 mil camas para 150 mil deslocados». Contra a “reforma” da acção social, Moisés Sousa, da FCSH, antecipou um corte «violento» nas bolsas.
Enquanto Leonor Serpa, da FBAUL, denunciou os custos com «todos os materiais» do Ensino Superior artístico, suportados pelos estudantes, Vasco Candeias, da FPUL, denunciou um «sistema» produtor de burnouts [esgotamento profissional] e ansiedade.
António Jarmela, do IST, por seu lado, criticou a possibilidade do descongelamento das propinas de mestrado na sua instituição, que poderão subir para o dobro, e Matilde Mira, do ISCTE, expôs as longas filas na única cantina da sua instituição (com pólos em Lisboa e Sintra) – o que a levou a promover um abaixo-assinado, já subscrito por mais de 500 estudantes.
Acções em todo o País
A luta no Ensino Superior não é apenas na capital. Naquele dia, em Braga, centenas de estudantes da Universidade do Minho manifestaram-se contra o aumento das propinas e a falta de acção social e alojamento.
Na sexta-feira, 23, dezenas protestaram junto à Porta Férrea contra a redução do tempo complementar de exame para estudantes com necessidades educativas especiais na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Para ontem, 28, estavam agendadas outras acções de luta por todo o País: manifestações em Coimbra e na Covilhã, um protesto em Évora e uma tribuna em Aveiro.
PCP pelo fim das propinas
A ameaça do aumento das propinas é igualmente rejeitada pelo PCP, que contrapõe com a eliminação de todas as propinas, taxas e emolumentos no Ensino Superior público. Num projecto de lei entregue no próprio dia 21, a bancada comunista propõe que esta eliminação seja feita de forma faseada, em dois anos.
O Secretário-Geral do PCP marcou mesmo presença, de forma solidária, na concentração em Lisboa. Em declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo exortou o Governo a mudar de postura e começar a ouvir a «voz das ruas».
Secundário por investimento e contra exames
Teve início no dia 26 uma semana de luta no Ensino Secundário, promovida pelo Movimento Voz aos Estudantes. As acções têm lugar em mais de 50 escolas em todo o País.
A iniciativa decorre sob o mote «Investir na escola pública, valorizar a avaliação contínua». Os estudantes do Secundário defendem, designadamente, o fim dos exames, a garantia de professores para todos os alunos, obras nos estabelecimentos e democracia nas escolas.
No dia 27, os alunos das escolas Tomás Cabreira (Faro) e Soares dos Reis (Porto) organizaram, respectivamente, uma tribuna e uma concentração à porta dos estabelecimentos. No dia seguinte, outras escolas juntaram-se – caso dos protestos na Avelar Abrotero (Coimbra) e na Levante da Maia.
Para hoje e amanhã estão previstas mais acções, com destaque para os protestos nas escolas da Moita e Quinta do Marquês (Oeiras) e as tribunas nas secundárias de Marco de Canaveses, da Amadora, Camões (Lisboa) e Leal da Câmara (Sintra).
O Movimento Voz aos Estudantes também confirmou, no dia 20, que o abaixo-assinado lançado por si no final de Setembro contra os exames nacionais conta já com mais de 4000 assinaturas de alunos de todo o País.