- Nº 2761 (2026/10/29)A entrega do novo cartão do Partido é uma das linhas de trabalho definidas pelo Comité Central na resolução Um PCP mais forte. É preciso! É possível!. Em entrevista ao Avante!, Rui Braga, membro do Secretariado do Comité Central, dá conta de como está a decorrer este processo iniciado em Março.
O Partido assumiu, desde o primeiro momento, a importância de afastar o processo de entrega do novo cartão de um acto «meramente administrativo». Antes pelo contrário, se preparada e executada com o devido cuidado e atenção, trata-se de uma oportunidade de excelência para dar resposta às restantes prioridades colocadas pelo Comité Central ao Partido.
A conversa desta semana surge após uma entrevista publicada no Avante! de 9 de Abril, em que o mesmo dirigente explicou a importância do cartão de membro do Partido e o valor do seu processo de entrega para o reforço do colectivo partidário.
Entretanto passou-se cerca de meio ano desde a nossa última conversa sobre a entrega do novo cartão. Ainda assim, voltava a perguntar-te que objectivos fundamentam a decisão de entregar, na actual situação política, o novo cartão?
Os objectivos mantêm-se e reforçam-se. Dissemos na altura que era um processo integrado e que não devíamos fazer da entrega do cartão um acto formal ou administrativo até. Ligámos a entrega do cartão com a Resolução do Comité Central (CC) sobre o Partido e o reforço da sua organização e intervenção. Para além das cinco prioridades que apontávamos, afirmámos que é necessário avançar noutros importantes aspectos que completam as dez linhas principais da orientação, nas quais se inclui a entrega do novo cartão de membro do Partido e a elevação da militância.
A realidade mostra a necessidade de avançar nestas tarefas. Vivemos tempos difíceis e conturbados, mas sabemos que grandes perigos convivem com grandes potencialidades. Ainda este fim-de-semana tivemos uma vitória com particular impacto e significado para todos os que lutam contra as forças mais obscuras e reaccionárias, que foi a vitória da candidatura do Lula no Brasil. Mas temos também, no plano nacional, uma extraordinária vitória que foi a derrota do pacote laboral e de todo o projecto que lhe estava associado. Estes momentos confirmam, acima de tudo, que é pela luta organizada que se criam as condições para inverter e derrotar esta política e afirmar a alternativa.
É por isso que, quando se evidencia a natureza do capitalismo e a violência do imperialismo e em que emerge a necessidade de um novo rumo para Portugal e para o mundo – o reforço do Partido é um elemento decisivo.
Recordando também os objectivos que apontaste na altura, que passos se deram? Como está a correr o processo de entrega do cartão nas organizações regionais do Partido?
Em primeiro lugar gostava de salientar que o Partido não «parou» para proceder à entrega do cartão. Como referi, essa tarefa faz parte de um trabalho integrado e é desenvolvida ao mesmo tempo que estamos a dar resposta a um outro conjunto de questões.
Contudo, do que conhecemos, pode-se dizer que, de uma forma geral e com diferentes andamentos de organização para organização, esta tarefa da entrega do novo cartão, está a correr bem.
Definiu-se, de forma geral, responsáveis pela tarefa, constituíram-se equipas de trabalho, apontaram-se objectivos e existe controlo de execução. Claro que temos, nalguns casos, de proceder a ajustes, ver o que pode estar a correr menos bem, identificar dificuldades, mas com a consciência de que com trabalho e organização é possível superá-las e cumprirmos com os objectivos a que nos propusemos.
Têm-se encontrado desafios? Começam-se a colher resultados? Este processo tem contribuído para o incremento da intervenção do Partido?
De certa forma, os desafios que temos encontrado resultam, essencialmente, de olharmos para esta tarefa não como um fim em si mesmo, mas de integrá-la no trabalho do Partido e potenciá-la naquilo que abre para o conjunto das outras prioridades e linhas de trabalho que a Resolução aponta.
Se olharmos para essas prioridades e linhas de trabalho, são vários os casos, já identificados, que resultam deste processo. Quer no que diz respeito ao recrutamento, à responsabilização de quadros pelas mais diversas tarefas, no reforço da organização e da intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores, mas também junto da juventude, com outras camadas sociais e áreas específicas e na acção para garantir a independência financeira do Partido, com muitos camaradas a aderirem ao pagamento da sua quota por débito directo, por exemplo.
Como já referiste a entrega do cartão não é a única tarefa que temos em mãos. É possível que a entrega do cartão dê um contributo positivo ao trabalho que o Partido tem pela frente?
A questão é precisamente essa: o contacto e a conversa que a propósito da entrega do novo cartão se permite ter com cada membro do Partido, abre caminho para esse contributo positivo ao trabalho do Partido.
Se olharmos para esta tarefa como apenas a entrega do novo cartão aos militantes e a actualização dos seus dados, estamos a transformar esta tarefa numa questão administrativa e, porventura, desperdiçamos uma extraordinária oportunidade para contactarmos todos os membros do Partido e fazer desse contacto um elemento decisivo para dar resposta a todas as outras questões que são prioridades e linhas de trabalho apontadas pela Resolução. Por isso continuamos a crer que sim, é possível que a entrega do novo cartão de membro do Partido dê um contributo positivo ao restante trabalho.
Previa-se que se procurasse concretizar o essencial deste trabalho até ao final do ano. Esse objectivo mantém-se?
Esse é um objectivo que mantemos e devemos procurar concretizar. Daquilo que nos é dado a observar, do que já está concretizado, do resultado desses contactos, diria que estamos num bom caminho.
Claro que quanto mais nos aproximamos do final da tarefa, e é perfeitamente natural que assim aconteça, ficarão para o fim os casos em que se tem de tomar outro tipo de medidas, mas, como já referi, com planificação, execução e controlo de execução é possível não só concretizarmos esta tarefa, como fazer com que ela contribua para o reforço do Partido.