O mundo está «mais perigoso»

Esta é uma das conclusões do relatório anual da Amnistia Internacional intitulado «Um catálogo de erros: exportação de armas do G8 e violações dos direitos humanos», apresentado quarta-feira, em Londres.
A AI tece sérias críticas à guerra contra o Iraque dizendo que « foi feita por causa da suspeita da existência de armas de destruição em massa no país. Mas nada foi feito para deter o bem documentado fluxo de armas que alimentam conflitos» e, lançando o desafio para que se divulgue «a lista de empresas que forneceram tecnologia ao Iraque para desenvolver os seus programas de armas», sublinha que a campanha tornou o mundo mais perigoso e fez brotar «as sementes de mais conflitos».
A organização denuncia que um terço do total das armas comercializadas a nível mundial, entre 1997 e 2001, teve origem em cinco países do grupo G8 (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Rússia), e que, a coberto do chamado «sigilo comercial», funcionam nestes países grupos traficantes que se escusam a relatar a quantidade e o tipo de fornecimentos estabelecidos.
Assim, conclui-se, parte da tecnologia militar e de segurança das nações mais poderosas do mundo é canalizada para países que sistematicamente violam os Direitos Humanos.


Utentes defendem serviços públicos

O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos realizou, na quinta-feira passada, uma iniciativa de denúncia pública em relação à «fórmula neoliberal» do Governo para o sector da saúde.
A acção decorreu simultaneamente nas cidades de Lisboa, Seixal, Loures, Vila Nova de Gaia, Torres Novas e Coimbra, e envolveu várias comissões e associações de utentes na distribuição de um documento onde se aponta a «fúria» privatizadora do Governo.
O MUSP considera que a passagem a gestão privada de 34 hospitais do Serviço Nacional de Saúde, só representa «a satisfação dos interesses dos grandes grupos económicos», cujas consequências serão a «desarticulação da rede pública de cuidados de saúde primários e a precarização do emprego dos trabalhadores da saúde, agravando significativamente a qualidade dos serviços prestados».
Ainda, sublinhou o MUSP, «a política economicista que o Governo procura implementar» através da «privatização das unidades lucrativas», «nada tem a ver com uma política séria para a Saúde, mas antes tem como objectivo a redução do défice para satisfação das condicionantes da UE».


Lisboa e Porto festejam livro

A 73.ª edição da Feira do Livro teve início nas passadas quarta e quinta-feiras, respectivamente em Lisboa e no Porto.
Os certames contam este ano com a presença de um número recorde de editores e livreiros e, pela primeira vez desde há alguns anos, a organização é levada a cabo conjuntamente pelas duas associações representativas do sector.
Em Lisboa a iniciativa está patente até ao próximo dia 15 de Junho no espaço do Parque Eduardo VII, com uma oferta variada nos 212 pavilhões de expositores.
No Porto, os 127 stands encontram-se distribuídos pelo pavilhão Rosa Mota e pelo espaço envolvente dos jardins do Palácio de Cristal, dedicando, pela primeira vez este ano, a iniciativa a um escritor da cidade, Agustina Bessa-Luís.
Apesar dos sucessos alcançados, o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, António Baptista Lopes, apontou a grave crise que atravessa o sector, bem como a falta de apoio do Governo na promoção do livro e da leitura.


Crianças sem Dia Mundial

A UNICEF divulgou dados que apontam para a persistência de situações dramáticas que fazem das crianças as principais vítimas.
Segundo um relatório daquela entidade, apresentado quinta-feira em Bagdad, o número de crianças subnutridas no Iraque duplicou depois da ofensiva militar norte-americana e britânica, sendo que as que sofrem de má nutrição aguda subiu de 4 para 7,7%, totalizando cerca de meio milhão de crianças.
Apesar de ter retomado no dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança, o programa de distribuição de alimentos, a agência advertiu para o facto de ainda haver zonas inacessíveis e cuja realidade poderá agravar ainda mais os números apurados.
O relatório aponta ainda para a extrema carência das condições de fornecimento de água potável, motivo que está na base da propagação de epidemias e da degradação das condições higiénico-sanitárias no país, estimando que, só em Bagdad, cerca de 40% do sistema de abastecimento de água potável tenha sido destruído pelos bombardeamentos.


Demissões na Sociedade Portuguesa de Autores

Os órgão sociais da SPA apresentaram, na quarta-feira passada, a sua demissão e pediram à Assembleia Geral que marcasse «o mais brevemente possível» novo acto eleitoral.
Segundo o vice-presidente da direcção, Manuel Freire, a «situação piorou e era insustentável», pelo que propôs «a demissão colectiva da direcção».
Perante a não aceitação da sua proposta demitiu-se, o que viria a acontecer também com os restantes membros horas depois.
Recorde-se que o processo foi desencadeado pelas investigações da Polícia Judiciária e da Direcção-Geral das Finanças às contas da SPA, por alegadas irregularidades fiscais e gestão danosa do património.


Resumo da Semana