Instabilidade no Exército

A Associação Nacional dos Sargentos (ANS), ao comentar a demissão do chefe do Estado Maior do Exército, declarou-se, sábado, «preocupada com o bem-estar social dos seus homens, porque não há bem-estar sem meios».
Lima Coelho, presidente da ANS, disse à Lusa «não estar ainda esquecido o que se passou com o general Alvarenga (Sousa Santos) que, numa altura em que revelou preocupações com a falta de meios para assegurar a continuidade da missão militar, foi demitido (do cargo de chefe do Estado Maior das Forças Armadas)».
«Agora, o general Silva Viegas, que vinha alertando para dificuldades no próprio Ramo, é obrigado a demitir-se», acrescentou o presidente da ANS.
«Embora, pontualmente, haja matérias que venham sendo resolvidas, o facto é que as reformas estruturantes, profundas e fundamentais não têm passado de promessas - e não me refiro exclusivamente ao Ramo Exército», acrescentou Lima Coelho.
Aquele dirigente associativo considera ainda que «deve ser preocupante para todos os cidadãos que os chefes militares cheguem a estes extremos de se demitirem porque isto indicia que algo vai mal no seio das Forças Armadas».


Estradas pouco seguras

O Núcleo de Motoristas da Beira Litoral «entupiu» sábado as estradas da região de Aveiro, numa marcha com o objectivo de incrementar o convívio entre profissionais do volante e alertar para os problemas da rede viária portuguesa.
Cerca de 400 camiões, levando 600 pessoas, percorreram as estradas nacionais n.º 1, 333 e 109, entre Albergaria-a-Velha, Águeda, Vagos e Ílhavo, onde os motoristas trocaram o volante pelos talheres, para um descontraído almoço-convívio.
No entanto, o clima de festa não impediu que os dirigentes do Núcleo aproveitassem a iniciativa para «mostrar às autoridades o muito que há a fazer para tornar as estradas de Portugal mais seguras».
Apontando situações pontuais de «grande perigo», António Botelho considerou que o «o pior é vermos estradas novas com defeitos inaceitáveis», como os itinerários principais IP4 (Porto-Bragança) e IP5 (Aveiro-Vilar Formoso).
Dando Espanha como um bom exemplo, defendeu que se recorra à construção de túneis para melhorar as estradas de montanha e o recurso a pavimentos absorventes, que facilitem a circulação em tempo chuvoso. As suas críticas dirigiram-se ainda ao estado de «completo abandono» das estradas secundárias.


Palmela pela paz

Um concerto pela paz, um estendal de roupas brancas para enviar para o Iraque e vários espectáculos de teatro assinalaram, sexta-feira, o início da 3.ª edição do Festival Internacional de Artes da Rua (FIAR) de Palmela.
No sábado, realizou-se uma exposição de pintura e um espectáculo do grupo Producciones Impredibles, de dança contemporânea espanhola. O dia ficou concluído com a leitura de contos pelos Alunos da Escola Superior de Teatro e Cinema, leitura de poemas, um círio, actuação do Ensemble de Saxofones do Conservatório Regional de Música de Palmela e vários espectáculos de teatro. A noite terminou com a actuação de DJ no Espaço Convívio, localizado no Largo de São João, frente ao Cine-Teatro homónimo.
O espectáculo «Pino de Verão», do grupo de teatro «O Bando», que se realizou no domingo, no miradouro do Castelo de Palmela, encerrou o certame.


Descontentamento na Grã-Bretanha

Uma sondagem publicada pelo jornal Daily Telegraph indica que 45 por cento dos britânicos é favorável à destituição do primeiro-ministro Tony Blair, que enfrenta a mais grave crise desde a sua chegada ao poder, em 1997.
Segundo a sondagem realizada pelo instituto YouGov, num universo de 2219 inquiridos, 68 por cento dos britânicos estima que reina no actual governo uma cultura de manipulação.
Este inquérito é a mais recente de uma série de consultas que revelam uma queda significativa da popularidade de Blair, fundamentalmente desde o aparente suicídio do especialista em armamento David Kelly, que a BBC já admitiu ter sido a sua fonte para uma notícia sobre a alegada manipulação, pelo governo, do dossier sobre o programa de armamento iraquiano, de forma a justificar a guerra no Iraque.


Repórteres Sem Fronteiras suspensos

A acreditação da organização não-governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF) junto da ONU foi suspensa por ano, em resultado da votação da passada quinta-feira, em Genebra, do Conselho Económico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas.
Vinte e sete estados, entre os quais vários países africanos e árabes, como a Líbia, e ainda Cuba e China, votaram a favor da suspensão daquela ONG, 23 votaram contra e quatro abstiveram-se.
A 17 de Março passado, durante a abertura da sessão anual da Comissão dos Direitos do Homem (CDH), membros da RSF lançaram folhetos para dentro da sala e empunharam faixas com inscrições a denunciar a presidência líbia da Comissão e as violações dos direitos humanos na Líbia.
A sanção priva temporariamente a RSF do seu estatuto de ONG acreditada junto da ONU e impede-a de participar nas reuniões das Nações Unidas e na próxima sessão da CDH na primavera de 2004.


Resumo da Semana