Missão de risco

A coluna de jornalistas que seguiu para o Iraque para acompanhar a chegada do contingente da GNR foi, na manhã de sexta-feira, atacada por um grupo armado no sul do país junto à fronteira com o Koweit.
A comitiva, constituída por três jipes onde seguiam diversos profissionais da comunicação social, foi abordada por dois carros com homens armados que, perante a fuga dos dois primeiros veículos, imobilizaram a viatura onde seguiam Maria João Ruela, Rui do Ó e Carlos Raleiras.
A jornalista da SIC, ferida numa perna na sequência do assalto, e o operador de câmara foram resgatados pouco depois por iraquianos que os transportaram ao hospital mais próximo, tendo Maria João Ruela sido sujeita a intervenção cirúrgica num hospital de campanha britânico e regressado a Portugal no passado fim-de-semana.
Carlos Raleiras, da TSF, foi sequestrado juntamente com o carro por cerca de 30 horas, após o que foi libertado, havendo apenas a registar a perda de algum material.
Entretanto o Sindicato dos Jornalistas responsabilizou o executivo de Durão Barroso pelo sucedido, já que, segundo o comunicado divulgado, «os jornalistas portugueses foram abandonados à sua sorte» pelo Governo e pela GNR numa missão que comporta elevado risco dada a instabilidade que se vive no país.


Gageiro mostra Lisboa

O Palácio Galveias acolheu, na passada quinta-feira, a sessão de lançamento do novo livro do fotojornalista Eduardo Gageiro intitulado «Lisboa no cais da memória».
A obra, que conta com textos do Presidente da República, Jorge Sampaio, e do jornalista e investigador António Valdemar, reúne cerca de três centenas de fotografias da cidade procurando traçar através das imagens o conjunto de alterações sociais, urbanísticas e dos modos de vida ocorridas no período entre 1957 e 1974.
Paralelamente à edição, vai estar patente no mesmo espaço, até ao próximo dia 7 de dezembro, uma exposição que acolhe mais de sete dezenas de fotos retiradas do livro, numa composição quase cinematográfica da cidade de Lisboa, captada pela objectiva de Eduardo Gageiro.


Fazer ouvir o protesto

Cerca de uma dezena de associações de surdos mobilizaram, sexta-feira, mais de três centenas de alunos de diversos graus de ensino para protestarem contra a falta de interpretes de linguagem gestual nas escolas.
Os manifestantes, que partiram da Avenida da Liberdade em direcção ao Ministério da Educação, fizeram-se ouvir alto e bom som devido aos tambores e às buzinas com que chamaram atenção para as suas reivindicações.
Segundo representantes das estruturas dinamizadoras, a falta de pessoal técnico traduz-se na maior dificuldade de aprendizagem por parte destes alunos, que se dizem discriminados e reclamam igualdade de direitos, nomeadamente o direito a poder aprender livremente sem barreiras de comunicação.
Em causa está a carência de interpretes nas escolas portuguesas, realidade estimada em pouco mais de uma dezena de profissionais para dois mil alunos, só na área da grande Lisboa.


As prisões da miséria

A divulgação do «Relatório sobre o Sistema Prisional 2003», na passada quinta-feira, por parte do Provedor de Justiça, Henrique Nascimento Rodrigues, confirmou as preocupações latentes em relação às taxas de encarceramento preventivo, sobrelotação das cadeias e risco de contágio e propagação de doenças infecto-contagiosas, temas recorrentemente abordados neste tipo de documentos, mas cujas soluções políticas tardam a ser implementadas no país com a mais elevada taxa de reclusão da União Europeia.
Segundo o relatório, Portugal regista um dos valores relativos mais elevados de presos preventivos, com 28,5 por cento de detidos sem condenação definitiva num universo total de mais de 13 mil indivíduos.
Apesar de preocupantes, estes números ficam aquém das taxas registadas em Itália, com 43 por cento, e na Bélgica, com 35 por cento, não se devendo, no entanto, desacelerar a aplicação de regimes de coacção e controlo à distância, como as pulseiras electrónicas, sublinhou o Provedor.
A sobrelotação dos estabelecimentos prisionais é outro dos problemas abordados, revelando-se como uma das mais graves carências do sistema, sobretudo nos estabelecimentos masculinos.
Com base nos dados apurados, 8 cadeias regionais têm uma taxa de ocupação superior a 200 por cento da sua capacidade, enquanto outras 23 registam valores homólogos na ordem dos 150 por cento, tanto mais preocupantes quanto se apurou igualmente que 17 por cento da população prisional não dispõe de sanitários, havendo casos em que esta taxa se eleva até aos 60 por cento.
Finalmente, em relação às doenças infecto-contagiosas, os números são francamente preocupantes, uma vez que se estima que pelo menos 14 por cento dos reclusos esteja infectado com o vírus da Sida e que aproximadamente 30 por cento contraiu um dos dois tipos de hepatite, B ou C.
Em face disto, Nascimento Rodrigues apelou à aplicação do programa de troca de seringas nas prisões, bem como à construção de salas de injecção assistida e ao incremento da prevenção primária, formas eficazes de combater a propagação das doenças que mais matam no interior das cadeias portuguesas e propiciam o surgimento em força de doenças oportunistas como a tuberculose pulmonar.


Resumo da Semana