Lisboa
Sondagens
Desde as eleições autárquicas, Santana Lopes já encomendou pelo menos três sondagens à Euroteste, enquanto presidente da CML: uma em Junho de 2002, e duas em 2003 (início de Março e fins de Novembro). Encomenda ele, acompanha ele o seu próprio «valor eleitoral» no dia-a-dia daquilo que julga ser o pulsar da Cidade em relação a ele próprio. Pagamos todos nós. Alguém há-de fechar a porta.
Ora, a verdade parece ser a de que os resultados não lhe agradam muito. Não serão muito famosos, sobretudo para quem pretende estar sempre na crista da onda, sempre «bem informado» e pronto a tomar a «grande decisão» (em direcção a Belém? Em direcção a uma qualquer Figueira da Foz? Em direcção à presidência do PSD? Sabe-se lá. Nem ele sabe. Em direcção a mais além, qual náufrago no alto mar, qual viajante sedento perdido em deserto de areia sem água: mais além, no ponto da miragem…).
Sondagens? São instrumentos de «trabalho», na óptica de Santana Lopes. A Cidade que pague.
Mesmo que o Orçamento municipal já não tenha para onde esticar, sobretudo com os custos já anunciados do Caneiro de Alcântara e com o preço final galopante do Túnel das Amoreiras. E mesmo que ainda nem sequer se imagine em quanto vai ficar a operação Parque Mayer, que afinal pode até ser expropriado – que grande negócio para os privados-donos do Parque. A ver vamos.

Tiro «certeiro»

Os resultados da sondagem de finais de Novembro terão deixado Santana Lopes muito desiludido e preocupado. Há «items» inesperadamente positivos para a Cidade, mesmo se ainda se está a viver o período de estado de graça. Que pode estar a chegar ao fim.
Primeiro óbice: há muita gente que entende que a oposição está a cumprir bem o seu papel. Mais ainda se considerarmos a maneira capciosa como a pergunta é feita, induzindo desde logo um determinado tipo de resposta (o texto é flagrantemente manipulador. Veja-se a isenção e neutralidade da pergunta: «Há quem diga que a oposição na CML está sempre a colocar obstáculos ao cumprimento do programa de actuação (sic) do Presidente da Câmara»). Mesmo neste ponto, e para grande espanto quer de quem encomendou a sondagem quer de quem a realizou para esse «patrão», a quem quereria agradar mais com os resultados que lhe traz na bandeja, para todos esses, os resultados são desanimadores. É que, de acordo com a sondagem, acham que a oposição cumpre bem o seu papel (apesar do carácter capcioso da pergunta): mais de metade dos homens inquiridos, mais de metade das pessoas com idade entre os 35 e os 54 anos, mais de metade dos activos e mais de metade dos indivíduos com escolaridade equivalente ao secundário ou superior. Um tiro nas ambições de Santana.

Santana falha em Lisboa

E ainda há pior para este cliente da Euroteste. Por exemplo: os inquiridos consideram como maiores problemas de Lisboa, passados dois anos/metade do mandato, exactamente os problemas que Santana Lopes prometeu resolver e que para a maioria dos inquiridos estarão a agravar-se de tal modo que os colocam na linha da frente das suas preocupações, a ponto de se tornarem no «maior problema». Concretamente: a criminalidade e a insegurança, o congestionamento do trânsito, a falta de estacionamento, o mau estado dos passeios, a falta de limpeza nas ruas.
Santana Lopes não resolveu nada: agravou. Falhou redondamente até agora.
Outro exemplo que deve ser desanimador é o facto de 30% dos inquiridos terem afirmado expressamente que a actuação do presidente da CML «não é boa nem má», ou, nesta avaliação, o facto de só uma pequena percentagem de mulheres acharem que a actuação da CML é mais positiva do que negativa (uma diferença de apenas 11%, quando a actual maioria ainda está em estado de graça…).

Comparações despropositadas

Comparar o actual presidente da Câmara com o seu antecessor, que sentido faz? Mas mesmo aí ainda há resultados surpreendentes que devem ter dado que pensar a Santana Lopes. Vejam-se estes resultados: 30% das respostas, na comparação, acham que a actuação é igual. 20% acham-na pior ou muito pior! De notar que as mulheres foram mais críticas que os homens.
Outro absurdo, tem a ver com a grelha de boletins de voto.
Não faz hoje qualquer sentido voltar a colocar no boletim de voto para simular uma votação por um lado o CDS isolado e, por outro, a coligação PSD-PPM, bem como não tem sentido colocar à votação simulada uma coligação PS-PCP-PEV. Mas a empresa tem usado esta grelha.
E o resultado de uma votação simulada entre os inquiridos (tem o valor que tem, e é pouco, mas) seria então o seguinte: o CDS anulava-se nos 2% e a coligação do PS com o PCP e o PEV empataria na casa dos 23% com o PSD, sendo que acima dos 35 anos teria uma vitória de 5 a 7% de diferença para mais. Votariam mais nessa coligação as mulheres.
Mas tudo isso é despropositado e não faz hoje qualquer sentido, nem está na ordem do dia. Há ainda muito trabalho para fazer para derrotar as opções que, venham de onde vierem, são contra Lisboa e estão a comprometer as próximas décadas.


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