Este ano, o Natal não é para todos
Marcha de protesto da USL
Dirigentes e activistas sindicais da União dos Sindicatos de Lisboa/CGTP-IN, alertaram, na quinta-feira passada, a população em plena azáfama de compras, para o aumento do desemprego na Região.
A marcha partiu do Largo do Chiado e serpenteou depois a baixa lisboeta até à Praça da Figueira. Á frente, vários pais Natal empunhavam uma faixa preta onde se lia, a letras gordas, a causa do protesto: desemprego.
Arménio Carlos, dirigente da USL, explicou ao Avante! que, com esta política e este Governo, este Natal não é para todos.
Lembrou o aumento assustador do desemprego e da precariedade no distrito, salientou o aumento de empresas onde os salários não estão a ser pagos atempadamente e fez notar que há muitos trabalhadores que perderam os postos de trabalho há anos e continuam a aguardar que se faça justiça na atribuição do pagamento de salários em atraso e indemnizações que, em alguns casos, aguardam decisões dos tribunais há mais de vinte anos.
Para Arménio Carlos, outro motivo pelo qual este Natal não é para todos deve-se ao comportamento do Governo que apenas beneficia os interesses de poucos em detrimento da esmagadora maioria dos trabalhadores.
A iniciativa pretendeu também chamar a atenção da sociedade para entender que «o País que o primeiro-ministro diz existir, provavelmente existe noutra galáxia ou outra terra que não Portugal e reafirmar que esta política é inaceitável», afirmou.
Os manifestantes assumiram o compromisso, no fim da marcha, de continuar a luta pelo emprego com direitos, contra o desemprego e a precariedade, por melhores salários e pela manutenção dos direitos consagrados nas convenções colectivas de trabalho.
No ar, ficou o aviso de que Janeiro será um mês de grande acção reivindicativa.
Numa outra faixa que seguia mais atrás estavam discriminadas algumas das empresas onde as consequências sociais do desemprego estão a fazer-se sentir, juntamente com o encerramento de empresas.
Os transeuntes puderam constatar que a Melka atirou 240 trabalhadores para o dsemprego, o Estoril Sol - 220, a Cabos d’Ávila - 195, a Casa Hipólito - 424, a Lanalgo - 93, a Trefilaria - 333, a Lisgráfica - 99, a Laureano - 34, a Samsung - 1.100, a Amadeu Gaudêncio - 800, a Kallen - 124, a Foc - 228, a Regina - 143 e ainda a RTP que já despediu 537 trabalhadores. E muitas mais existem, como se podia constatar no documento distribuído na rua.
Ali se referia que a taxa de desemprego no distrito de Lisboa é superior à média nacional em 1,4 por cento, situando-se nos 7,7 por cento, dados do IEFP apresentados em Novembro.
Nesse mesmo mês, o número de desempregados inscritos nos centros de emprego era de 93638, mais 12618 que no mês homólogo, o que perfaz mais 1052 desempregados por mês.
Neste contexto, os votos de Arménio Carlos e da USL à coligação PSD/PP, este Natal, são de que «saiam do Governo que estão cá a mais e o mais depressa possível».

Porto e Setúbal

Também a União de Sindicatos do Porto/CGTP-IN desenvolveu, no passado dia 19, uma concentração na Rua de Santa Catarina, para denunciar a situação social no distrito.
A USP recordou os milhares de trabalhadores e respectivas famílias que, em consequência da política levada a cabo pelo Governo vão passar as ”festas” com imensas dificuldades, seja pelos salários e reformas de miséria auferidos, seja pelo desemprego ou pelos atrasos nos processamentos de subsídios de desemprego e doença.
A União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN entregou, no dia 18, um conjunto de «prendas» de Natal no Governo Civil de Setúbal: o aumento do desemprego e a degradação da sua qualidade, o aumento do custo de vida e a perda de poder de compra, a redução do direito a protecção social, o ataque aos direitos com o Código do Trabalho, o ataque à Administração Pública e aos serviços públicos, tudo isto foram prendas devolvidas ao Governo.
Os activistas e dirigentes da USS deslocaram-se, em marcha, da Praça do Quebedo até ao Governo Civil.


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