Bush e seus acólitos mentiram ao mundo
PCP desafia Durão a explicar-se
A colossal mentira iraquiana
Durão Barroso deve explicações ao País sobre as alegada provas que o levaram a concluir pela existência de armas de destruição em massa no Iraque.
A exigência é do PCP que propôs nesse sentido um debate de urgência com a presença do Primeiro-Ministro. Para a bancada comunista, que levou o tema ao período antes da ordem do dia de uma das sessões plenárias da semana transacta, torna-se hoje claro que o chefe do Governo – perante a evidência dessa enorme mentira que foi a afirmação de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição maciça – não pode fugir às suas responsabilidades e deixar de demonstrar com clareza os fundamentos que o levaram a envolver o nosso País na guerra.
«Perante a dimensão do escândalo, os responsáveis opor tamanha falta de escrúpulos não podem fugir às pesadas responsabilidades que têm de assumir, pelas mentiras, pelas mortes e pela devastação do Iraque, aos olhos de uma opinião pública que se sente justamente ultrajada», sublinhou o deputado comunista António Filipe, aludindo à atitude imperial de Bush e Blair mas também de seus acólitos como Aznar ou Durão Barroso.

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«O primeiro-ministro disse, para todos os portugueses ouvirem, ter visto provas da existência de armas de destruição em massa no Iraque. Agora que se sabe que tudo não passava afinal de uma colossal mentira, os portugueses têm o direito de saber que provas eram essas e
se mentiu por dolo ou por negligência», afirmou António Filipe, em declaração política, no Parlamento.
«Temos o direito de saber em que informações se baseou a sua posição de apoio à guerra, ou se não teve acesso directo a nenhum documento e apoiou a guerra por
ouvir dizer», insistiu o deputado comunista, que desafiou Durão Barroso a desclassificar e a apresentar ao Parlamento todos os relatórios na posse dos serviços secretos portugueses relacionados com o assunto, bem como a tirar ilações do facto de saber que as razões que suportaram a sua decisão de envolver o nosso País eram afinal falsas.
Recordado foi ainda que «a justificação primordial» do ataque ao Iraque assentou sempre na tese da «existência de armas de destruição em massa, que representariam uma ameaça para a região e para o mundo» e nunca o argumento da «ditadura que só adquiriu autonomia depois de terem falhado todos os outros».

O desmoronar da mentira

«É hoje uma evidência que afinal não havia armas de destruição em massa no Iraque», observou António Filipe, exemplificando com as palavras do próprio secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que afirmou recentemente não estar seguro de que «teria apoiado a guerra do Iraque se soubesse, como sabe hoje, que o regime iraquiano não possuía essas armas de destruição em massa».
Também os restantes partidos da oposição, no fundamental, corroboraram as posições da bancada comunista, tendo o PS e o BE exigido que o Primeiro-Ministro preste esclarecimentos ao Parlamento e aos portugueses.
Não se pronunciando sobre a exigência dos partidos da oposição em ouvir o chefe do Executivo, os partidos da maioria, pela voz do deputado Nazaré Pereira (PSD), limitaram-se a repetir o estafado argumento do «compromisso de Portugal com os seus aliados». Por si ensaiado foi ainda uma provocação, dirigindo-se à bancada comunista, interrogando sobre qual «o lado em que se encontra», se o das democracias ou das ditaduras.
«Já éramos contra o regime de Saddam Hussein quando os senhores eram seus aliados», replicou, de pronto, António Filipe, acrescentando que o ex-ditador iraquiano «disse
muitas mentiras ao longo da sua vida, mas desta vez quem mentiu foram os Estados Unidos».


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