Editorial

«CDU: uma campanha esclarecedora, de apelo à inteligência dos eleitores»

OS CAMINHOS DO VOTO

A dois meses das eleições para o Parlamento Europeu, a CDU apresentou a lista com a qual vai concorrer a esse importante acto eleitoral. A lista é encabeçada pela deputada europeia Ilda Figueiredo, logo seguida de outro actual deputado, Sérgio Ribeiro e de Odete Santos, deputada na Assembleia da República – os dois primeiros com amplas provas dadas naquele Parlamento, ambos ocupando os primeiros lugares em matéria de trabalho desenvolvido na defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses; a terceira, possuidora de um semelhante e igualmente notável currículo enquanto deputada na Assembleia da República. Depois, segue-se um conjunto de nomes de figuras destacadas em várias áreas da vida nacional, em representação das organizações que dão expressão legal e política à CDU: o PCP, o PEV e a ID. Trata-se de dirigentes sindicais, de autarcas, de professores, de nomes prestigiados da arte e da cultura portuguesas - de entre os quais sobressai José Saramago, Prémio Nobel da Literatura – que, no seu conjunto, fazem da lista apresentada na Terça-feira, na Casa do Alentejo, um importante trunfo da CDU para a campanha eleitoral que se aproxima – campanha que se quer participada, esclarecedora, de apelo à inteligência dos eleitores e eleitoras.

Nas eleições de 13 de Junho decide-se a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu. Todavia, outras questões de não menor relevância dependem em grande medida dos resultados desse acto eleitoral – tudo exigindo ao eleitorado a reflexão e a ponderação indispensáveis a uma opção de voto consciente e lúcida.
Na realidade, em primeiro lugar, o eleitorado português tem nas suas mãos a possibilidade de decidir quem são os seus representantes no Parlamento Europeu, ou seja, de decidir a quem confia a responsabilidade de, naquela instância europeia, defender, na medida das suas possibilidades e aproveitando todas as possibilidades que lhes são proporcionadas, os seus interesses e os do País. Ora, não há melhor caminho para uma escolha justa e consciente do que avaliar o trabalho feito pelos deputados das várias forças políticas em anteriores mandatos, comparar esse trabalho, tirar conclusões... e votar em consonância. Quem assim fizer, não terá dificuldade em constatar que os deputados comunistas eleitos pela CDU se encontram na primeira fila no que respeita à quantidade e à qualidade do trabalho desenvolvido. E se assim é - e é! - dizem-nos a inteligência, a razão, a lucidez, que o voto na CDU é, de facto, o mais seguro para quem tenha como objectivo eleger para o Parlamento Europeu deputados que lhe garantam não se poupar a esforços para defender os interesses do povo e do País. Esse é, pois, um dos caminhos do voto em 13 de Junho.

Mas o voto na CDU vale mais do que isso. De facto, os resultados das eleições para o Parlamento Europeu poderão vir a ter reflexos outros na vida nacional, nomeadamente no que toca ao Governo Barroso/Portas e à política que este tem vindo a levar à prática. Sabe-se que, em consequência da política de direita – praticada ora pelo PS, ora pelo PSD, ora por qualquer deles aliado ao CDS/PP – o estado do País é, hoje, lastimável. Eis alguns fragmentos do retrato das consequências dessa política: destruição de importantes conquistas de Abril; empobrecimento crescente do conteúdo democrático do regime; subordinação cada vez mais acentuada do poder político ao poder económico; meio milhão de desempregados; cerca de um milhão de trabalhadores com vínculos precários; legislação laboral cada vez mais ao jeito dos interesses do grande capital; acentuação crescente das desigualdades sociais; constantes e brutais aumentos de preços de bens essenciais e consequente quebra dos salários reais; estado de lástima em matéria de Saúde, Ensino e Segurança Social; 2 milhões de pessoas vivendo abaixo do limiar da pobreza, das quais, um milhão passando fome; envolvimento de Portugal nas guerras de agressão ao serviço dos interesses do imperialismo norte-americano...
Tal situação, geradora de um amplo e generalizado descontentamento, coloca na ordem do dia a necessidade de derrotar este Governo e a sua política e de os substituir por um governo e por uma política capazes de iniciar a resolução dos graves problemas que afectam a maioria dos portugueses e portuguesas – objectivo que será tanto menos difícil de alcançar quanto mais elevado e expressivo for o resultado eleitoral da CDU.

Daí a importância acrescida do sentido do voto nas eleições de Junho próximo.
As forças que integram a CDU - entre elas, de forma mais saliente, o PCP - têm tido uma intervenção forte e coerente no combate à política de direita. Com rigor, pode dizer-se que estas forças têm assumido uma postura singular nesta matéria, tendo dado um contributo relevante na resistência e no combate à política de direita, na defesa dos interesses e direitos dos portugueses, na apresentação de propostas visando responder aos problemas existentes. Assim tem sido e assim continuará a ser após as eleições de Junho – sendo certo que essa intervenção assumirá uma intensidade e uma amplitude tanto maiores quanto maior for a expressão eleitoral da CDU. Esse é, pois, outro dos caminhos do voto nas próximas eleições.
Assim, os votos conducentes ao reforço eleitoral da CDU complementam-se enquanto caminho certo para a melhor defesa dos interesses nacionais no PE e enquanto factor essencial para dar mais força e eficácia à luta contra o Governo e a política de direita e por um governo e uma política de esquerda.


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