• José Alvarez

No Euro 2004 os portugueses viram a face do desporto moderno
Futebol europeu na feira do capitalismo
O Euro 2004, organizado pela UEFA em Portugal, deu lugar a explosões de alegria sempre que se produziram vitórias das lusas cores. Tais manifestações, envolvendo o país inteiro, mostraram raízes surpreendentes. Por um lado, uma genuína expressão de gáudio por triunfos desejados, especialmente os que se verificaram contra a Espanha e a Inglaterra. Por outro, assistimos ao acordar de um vibrante e romântico patriotismo que sabíamos existente mas parecia adormecido pela acção de forças conhecidas. O povo português viu que o Euro 2004 lhe dava amplas oportunidades para libertar-se daquelas forças e dizer ao mundo que o seu tradicional espírito rebelde continua vivo, que lhe arde no peito um intenso amor pela bandeira verde e vermelha republicana e pelo hino nacional de Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça.
Escravizados pelo capitalismo os portugueses e as portuguesas mostraram-se bem dignos de si próprios. Neles e nelas ressurgiu a consciência de que são filhos e filhas de um país cujo passado de grandeza mas, também, de considerável sofrimento, não pode ser esquecido. Ergueram a cabeça perante os estrangeiros. Mas, como é natural, ficaram-se pelos valores essencialmente do futebol e passaram ao lado de certas realidades de que o «jogo da bola» se faz acompanhar no nosso tempo. Grandes nomes do capitalismo global tornaram possível a realização do impressionante evento. Mas esses nomes tiraram enorme partido do acontecimento futebolístico a que aderiram. Com efeito, as vendas dos principais patrocinadores subiram, vertiginosamente, a nível mundial. Esses patrocinadores, a Coca-Cola, a Carlsberg, a Mastercard, a JVC, a Hyundai, a Canon, a MacDonalds, foram os verdadeiros donos do Euro 2004. O futebol, na realidade, pertence-lhes. Porque mergulhado nos mil labirintos do capitalismo nada pode fazer sem eles ou outros que funcionam a diversos níveis como as modernas empresas de fabrico de artigos de «merchandising» que os clubes procuram vender ou as que operam no mercado do calçado, do vestuário e dos equipamentos gerais para clubes. Empresas como a «Adidas», a «Nyke» e muitas outras que fabricam os seus produtos nos países mais pobres contra salários de miséria e utilizando trabalho infantil, estão no domínio de um mercado que continua em expansão. Para essas empresas, a organização de competições como o Euro 2004 significa mais lucros e mais domínio dos diversos sectores em que operam.
Mas o futebol tinha uma tradição pura que o comercialismo em que o afogaram destruiu. Antigamente, chamavam-lhe um jogo de operários. Agora, alucina as multidões, fá-las mergulhar num oceano de onde, eventualmente, jamais sairão. A fantástica transformação do futebol e dos desportos em geral numa actividade ao serviço de «businessmen» e de grandes companhias financeiras, industriais e de serviços, operou-se em cinquenta anos, apenas, e teve duas ou três fases, somente. Os próprios clubes, fonte de tudo o que tem acontecido, também passaram a empresas. Perderam as suas estruturas associativas. Deixaram de pertencer aos respectivos fundadores, aos sócios e simpatizantes que os desenvolveram e engrandeceram. Passaram para a mãos de gente sem ideal e, em muitos casos, de homens de negócios falidos, surgidos de outras actividades. Como aconteceram tão espantosas transformações? A história dos clubes de futebol é já um capítulo da própria história do moderno capitalismo.

Manchester United – de clube de ferroviários a potência financeira dos nossos dias

O clube de maior êxito comercial e financeiro é o Manchester United. Perdeu o campeonato de Inglaterra na época terminada recentemente. Mas ganhou a Taça. Em termos de títulos ainda não é tão importante como o Liverpool, por exemplo, mas a sua grandeza afirma-se temporada após temporada. Entretanto, era um clube de ferroviários há mais de cem anos. Esses trabalhadores da companhia de caminhos de ferro que servia o Lancashire e o Yorkshire tinham decidido fundar um clube de futebol a cujas actividades dedicassem as suas horas de lazer. Defrontaram-se com problemas clássicos: os do arrendamento de campo onde jogar, os da compra de equipamentos. Com o andar dos anos o clube de ferroviários foi conhecendo senhorios e pequenos homens de negócios que emprestavam dinheiro mas, gradualmente, se apoderavam do controlo respectivo. Quando se começou a ouvir falar com mais frequência naquele clube que já não pertencia a ferroviários, descobriu-se que era a família Edwards que trabalhava em negócios de carne e possuía diversos talhos em toda a cidade de Manchester, a proprietária de 100 por cento das quotas da sociedade denominada Manchester United, Limited. Mas como a equipa de futebol começava a coleccionar triunfos e troféus, o povo que, na verdade, fazia o clube, continuava a encher o estádio de Old Trafford. É justo, entretanto, dizer-se que os Edwards, pai e filho, se mantinham passivos quanto ao futuro e pareciam não pensar em mergulhar o United em negócios alheios aos do próprio futebol, aliás geridos por um «manager», o homem que treinava a equipa de futebol e manejava as finanças, as compras e as vendas de jogadores. Mas quando o velho Edwards morreu, o filho confrontou-se com propostas diversas de oportunistas que desejavam entrar como sócios no capital social do clube. Para tal efeito, encheram a cabeça do jovem Edwards com milhões de libras. O que, de facto, aconteceu foi que este começou a dividir as quotas em títulos diversos que vendeu por preços elevados. O Manchester United, finalmente, começava a dar-lhe dinheiro em vez de preocupações.

Murdoch entra em jogo

Os novos sócios conseguiram o acordo de Edwards para que o clube fosse transformado em sociedade anónima, ou plc (private limited company), o que aconteceu. Mais tarde, já com as quotas da família Edwards transformadas em milhões de acções foi decidido fazer cotar a nova sociedade na Bolsa de Londres, o que também constituiu um êxito financeiro. O novo Edwards, ainda presidente do clube, estava rico. Só tinha uma coisa a fazer – afastar-se e partir para tirar partido dos milhões acumulados. O Manchester United, entretanto, via as acções passarem de mão para mão. Rupert Murdoch, o magnata dos meios de comunicação, adquiriu a totalidade do clube por valores tidos, até então (anos noventa), como inimagináveis. O governo britânico considerou incompatível a posse de um clube por uma empresa como a Sky TV cujos negócios já ganhavam espaço na área do futebol, e a venda do ultra-famoso United foi anulada. Mas surgiram outros. Actualmente, os principais accionistas do clube são dois ou três grandes proprietários de estábulos e de cavalos de corrida além de uma família de americanos que tem o controlo de clubes de futebol americano. As acções do Manchester United valem mais de um bilião de libras.

Um negócio de peso

Hoje, o volume anual de vendas (gerência de 2002-2003) aproxima-se dos 300 milhões de euros, enquanto os salários pagos a jogadores está declarado como tendo sido de 120 milhões de Euros, também anuais. Valores desta magnitude permitem ao Manchester United pagar ao capitão da sua equipa de futebol (o irlandês, Roy Keane) um salário de 150.000 euros semanais. Em negociações recentes, o avançado-centro do clube, o holandês Ruud van Nistelrooy, conseguiu atingir salário idêntico. O mesmo que, aliás, David Beckham percebia antes de tomar a infeliz decisão de passar-se para o Real Madrid. As assistências aos jogos disputados em Old Trafford, atingem a média de 67.630 pessoas por jogo e o clube orgulha-se de controlar um vasto mercado de vendas de «merchandising» em diversos países do Oriente, como sejam Singapura, a Malásia, a Indonésia, a China. Outros clubes têm tentado os mesmos métodos comerciais e de «marketing» divisados pelos «cérebros» que operam em Old Trafford. Mas sem grande êxito.

Administradores

Para dirigir clubes como o Manchester United, o Juventus, o Milan, o Real Madrid, etc., os accionistas carecem de bons administradores. Esses altos funcionários, técnicos de uma actividade cujas características são únicas e não abundam no mercado, são homens com conhecimento mais ou menos profundo da vida dos clubes e dos aspectos que a caracterizam. Homens que, bons avaliadores do mercado de compras e vendas de jogadores, podem decidir o futuro se souberem vender na altura própria pelo valor mais aceitável ou comprar quase silenciosamente por preço relativamente modesto. Quanto valem os jogadores de um determinado clube de futebol? Qual a idade média dos mesmos? A resposta à primeira questão depende da segunda. Se houver juventude na equipa e os futebolistas forem de alta qualidade o valor do clube aumenta e as acções sobem, também...

O «manager» Mourinho

Foi quando confrontado com a necessidade de recrutar um grande administrador para o Chelsea, o clube cujo proprietário é o russo Roman Abramovitch, que o bilionário magnata da indústria petrolífera siberiana resolveu contratar Peter Kenyon, até então ao serviço do Manchester United. Dizia-se que Mr. Kenyon era um dos melhores administradores no mercado. O russo não hesitou em oferecer-lhe um salário de 1,5 milhões de Euros por ano. Logo o novo alto-funcionário ao serviço do clube de Stamford Bridge decidiu que o recrutamento do treinador português, José Mourinho, seria essencial para que as expectativas criadas por Abramovitch ganhassem forma real. Kenyon tinha falhado, espectacularmente, em atrair o seleccionador de Inglaterra, o sueco Sven-Goran Eriksson. Mas com Mourinho ao seu serviço a estratégia de compras e vendas seria facilitada. É o que está a acontecer, mas com consequências talvez inesperadas. Erros de Kenyon conduziram à impossibilidade de levar David Beckham para o Chelsea e à declaração do capitão do Liverpool, Steven Gerrard, de que não estava interessado em mudar-se para o clube de Abramovitch. Outros jogadores de alto calibre internacional, como é o caso do ucraniano, Andrei Shevchenko, que joga no Milan, também recusaram transferir-se para o Chelsea. Peter Kenyon, como se verifica, está a perder pontos perante a entidade patronal dado que as transferências propostas não se materializam.
Nesta conjuntura, a posição de José Mourinho começa a ganhar embalagem. Ele poderá vir a transformar-se num «manager» do estilo antigo. Independentemente de treinar a equipa do Chelsea, é possível que receba a função de comprar e vender, segundo as suas próprias preferências no mercado do futebol. Kenyon, assim, recolherá ao escritório. Mourinho, pelo contrário, transformar-se-á no homem mais poderoso do Chelsea e do futebol inglês além de Abramovitch, evidentemente. Ele possui qualidades de administrador na área do futebol. Na verdade, não é aos Bancos que vai buscar-se essa rara espécie de homens tão necessários, também, ao desenvolvimento do capitalismo no mercado de massas que é, evidentemente, o moderno futebol.

Gigantes da alta finança entram no futebol

Nationwide, é uma importante companhia britânica de financiamentos para a compra de habitação própria. A sua rede de escritórios alarga-se a toda a Grã-Bretanha. Mas, tendo necessidade de expandir os negócios e conseguir uma mais elevada percentagem média de clientes no mercado, em competição directa com os Bancos e outras companhias do ramo, voltou-se para o futebol. Apareceu, portanto, a subsidiar os campeonatos da 1ª, 2ª e 3ª divisões da Liga inglesa e a Taça de Inglaterra. Durante a última final da Taça, que teve lugar em Cardiff, no Millennium Stadium, a 22 de Maio, falámos com alguns dirigentes da Nationwide sobre o papel da importante companhia no âmbito do futebol.
Disse-nos Mr. Simon, uma das personalidades mais ligadas ao desenvolvimento das relações entre a sua empresa e os meios do futebol: «Está você a ver? Se o nome da nossa companhia aparecer na qualidade de patrocinadora de grandes eventos do futebol em Inglaterra, o público fixa-o. E aqueles que, mais tarde, careçam de adquirir casa própria, procurar-nos-ão, de certeza, para o financiamento da compra». A verdade é que a final da Taça de Inglaterra resultou numa enorme manifestação desportiva (?) da qual, certamente, a Nationwide retirou benefícios.
Mas a poderosa companhia foi mais longe, ainda. Em vésperas do Euro 2004 decidiu convidar uma criança portuguesa para estar presente na final que o Manchester United e o Millwall disputaram (vitória do primeiro por 3-0) com vista a que a amizade luso-britânica fosse reforçada. Foi assim que o jovem Miguel Ivo (8 anos de idade) da Escola primária No. 5 de Oeiras, foi convidado para, na companhia dos pais, Teresa e Jorge Ivo, se deslocar a Cardiff e assistir à final. Surgiu no relvado à frente da equipa londrina do Millwall quando as duas equipas finalistas entraram em campo. Então, perante seiscentos milhões de pessoas que assistiram através da TV ao grande acontecimento futebolístico, o nome da Nationwide apareceu como patrocinadora da final da Taça mas, igualmente, como impulsionadora da amizade anglo-portuguesa em vésperas do Euro 2004 que os ingleses pretendiam vencer.
A ideia da Nationwide pareceu-nos inteligente. Colocam o seu nome na frente de importantes jornadas do futebol, pagam subsídios, financiam despesas, mas não mergulham na directa administração de iniciativas com carácter permanente ou de média duração.

Falências

Ao contrário, as companhias de TV assinam contratos volumosos com a Liga Premier e com a Liga dos Clubes de Futebol ingleses para a transmissão dos jogos dos campeonatos da chamada Liga dos milionários (a principal) e da 1ª, 2ª e 3ª Ligas de Futebol contra o pagamento de somas consideráveis que se distribuem pelos clubes participantes nos campeonatos. Mas na época de 2002-2003, a falência de uma dessas companhias, a ITV Digital, subsidiária da conhecida ITV, companhia privada que actua em concorrência com a BBC (estatal), conduziu à suspensão de pagamentos aos clubes participantes nos campeonatos das três divisões secundárias. Tal suspensão afectou, gravemente, a situação financeira de mais de 60 clubes em toda a Inglaterra e a Liga, como lhe competia, levou aos tribunais a referida ITV Digital que estava falida mas cuja empresa-mãe, a ITV é considerada uma companhia multi-milionária. Esta, contudo, recusou aceitar qualquer responsabilidade nas dívidas da sua subsidiária o que levou os clubes lesados a considerar que o sistema de antigamente, aquele que funcionava independentemente dos grandes interesses e métodos do capitalismo era e é, de facto, o melhor. Mas dizem que é impossível e indesejável voltar atrás. Ninguém, evidentemente, quer ou deseja recuar no tempo. Isso, contudo, não significa reconhecer que o velho sistema associativo não era, de facto, o melhor. Esta situação leva-nos ao sistema português.
Nos clubes portugueses mais conhecidos, estão a surgir dirigentes que, em vez de intitularem-se como aquilo que, na verdade, são, pretendem usar o título de «Chief Executive Officers», julgando sobreporem-se, assim, com tão pomposo nome, aos sócios e aos simples adeptos. Mas a real situação dos nossos clubes não permite que aos títulos adoptados correspondam os recebimentos financeiros a que esses dirigentes aspiram. Tudo acaba, consequentemente, no desastre e na fantasia a que o grande público volta as costas com desprezo. É devido ao mau trabalho desses «médicos de Molière» que os clubes entram, uns após outros, no campo da falência. Para onde vai, afinal, o futebol?

O império do Chelsea no império de Abramovitch

A passagem do magnata russo, Roman Abramovitch, nos mares, nos portos, em cidades portuguesas, deu lugar a intensa curiosidade. Mas o povo de Portugal não viu com bons olhos a ostentação a que assistiu. O proprietário do Chelsea, F.C., trouxe dois «yachts», o «Le Grand Bleu» (para o pessoal que o acompanha) e o «Belorus» que ele próprio ocupa juntamente com a família e convidados de superior destaque. A frota incorporava, ainda, dois helicópteros e um submarino cuja missão consiste em garantir a segurança dos navios para que se evitem eventuais casos de ataque terrorista ou outros. Os dois «yachts» dispunham de equipamento fornecido pela firma alemã, Lurssen, de Hamburgo, para intimidar e desviar os «paparazzi» que tentassem manter-se por perto.

Dono de um dos maiores clubes ingleses a que o celebrado treinador português, José Mourinho, se juntou, Abramovitch, o 25º homem mais rico do mundo, tem a sua história. Nada seria nos dias da URSS, a não ser que mostrasse talento e se esforçasse para oferecer ao seu país os resultados das suas obras incorporando-se no trabalho do grande colectivo. Mas os tempos mudaram e a grande oportunidade apareceu. Juntando-se a Boris Berozovsky, o antigo professor de matemática que se apropriou das receitas da «Aeroflot» em divisas, Abramovitch aderiu, automaticamente, ao grupo de servidores de Boris Yeltsin no Kremlin. E quando o resultado das eleições presidenciais deram a vitória a Boris, este, tal como prometera, deu a Roman Abramovitch o lugar de governador da longínqua província siberiana de Chukotka, onde os jazigos de gás e petróleo são de ordem considerável. A privatização seguiu-se e o nosso magnata, ao apropriar-se pelo preço de amendoins das imensas reservas referidas, seguiu o seu destino.

O império dentro do império

Surgir em Londres era o que se esperaria. Já Berozovsky, a contas com tribunais moscovitas, para lá se deslocara com a intenção de furtar-se a mandados de extradição que aqueles tribunais solicitaram mas que a justiça inglesa negou. Agora, Abramovitch, acha-se no controlo de biliões resultantes da venda das matérias primas energéticas siberianas que registou em nome de uma empresa sua, a Siberneft. E esta, no campo da indústria do petróleo, é já uma poderosa companhia cujos recursos, dizem-nos, parecem inesgotáveis.
Para entrar nas graças das autoridades britânicas e, particularmente, do povo inglês, Abramovitch adquiriu o Chelsea e prometeu todas as vitórias aos simpatizantes do clube. Pelas acções dos sócios da empresa que era proprietária dos «blues» de Stamford Bridge, pagou mais de 150 milhões de Euros. Depois, inaugurou a orgia de compras de jogadores - Mutu, Crespo, Verón, Makalele, Lampard, Joe Cole, Johnson, entre outros. Nestes futebolistas, o investimento subiu, rapidamente, para um patamar não inferior ao dos 200 milhões de Euros. A sedução de José Mourinho, (7,5 milhões de euros anuais) tem em vista a remodelação da equipa do Chelsea através da venda dos jogadores de menor sucesso e da aquisição de novos «artistas» segundo as recomendações do antigo treinador do FCPorto.
Nestes termos, o que dirá qualquer tribunal londrino quando for chamado a julgar um eventual pedido da justiça moscovita para a extradição do magnata? A aventura do Chelsea fará correr rios de tinta durante a nova época futebolística. Neste caso, já não se trata de empurrar um clube para negócios múltiplos no campo do capitalismo global. Trata-se da construção de um império. Um império no interior de outro.



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