Violência racista

Actos de violência xenófoba e racista continuam a ser uma realidade na Europa. Os mais recentes incidentes ocorreram na Irlanda e em França, tendo como alvo, neste último país, um centro social judeu em Paris, que foi incendiado, enquanto no primeiro caso a fúria da extrema-direita foi direccionada para trabalhadores portugueses emigrantes.
Segundo o relato das agências, o ataque racista foi dirigido na madrugada do dia 21 contra duas famílias portuguesas, num total de sete pessoas, residentes no bairro de Moeran Park, em Portadown, Irlanda do Norte. Com as suas casas danificadas pela acção violenta de paus e pontapés, que partiram vidros e racharam portas, as duas famílias tiveram de ser temporariamente realojadas, na sequência da intervenção policial. Portadown é uma cidade situada 60 quilómetros a sul de Belfast e nela residem algumas centenas de portugueses, na sua maioria a trabalhar nas indústrias de transformação alimentar.


Colisão evitada no céu dos Açores

Um avião da TAP que se preparava para aterrar na Base das Lajes, na ilha Terceira, no dia 20, esteve em rota de colisão com uma pequena aeronave que levantara voo pouco tempo antes daquele aeroporto. Estavam a oito quilómetros de distância e a cerca de 30 segundos do embate quando a pronta intervenção do piloto da transportadora aérea nacional, numa manobra brusca, evitou a tragédia.
O procedimento de emergência do piloto, face ao perigo iminente, obrigando em escassos segundos a uma viragem e a uma radical mudança de altitude, originou ferimentos ligeiros em 34 das 141 pessoas que seguiam a bordo do Airbus A310 que fazia a ligação entre Lisboa e os Açores.
O Governo e a TAP abriram dois inquéritos para apurar responsabilidades e as circunstâncias exactas do incidente, inédito na história de cinco décadas do aeroporto das Lajes e da aviação portuguesa.


Obikelu conquista prata

É vice-campeão olímpico, batendo, com 9,86 segundos, o recorde nacional e o recorde europeu na prova dos cem metros. Chama-se Francis Obikwelu e ficou apenas a um centésimo de segundo de se sagrar como o atleta mais veloz do planeta, lugar conquistado por Justin Gatlin. Muita determinação e vontade de vencer deram-lhe o espírito e a fibra de campeão, num percurso de vida onde houve barreiras e adversidades, muitas, que teve de superar, como aquela a que esteve sujeito enquanto trabalhador da construção civil clandestino em Portugal, País que escolheu em busca de uma vida melhor. O luso-nigeriano, na hora da vitória, não esqueceu os deficientes portugueses, a quem dedicou a sua medalha de prata.


Por uma nova ordem mundial

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, defendeu a construção de uma nova ordem mundial mais equitativa. O chefe de Estado sul-africano, que falava na abertura da conferência ministerial de um dia do Movimento dos Não-Alinhados, realizada na cidade costeira de Durban, considerou igualmente necessário levar a cabo uma transferência de recursos dos países mais ricos para os mais pobres de forma a atingir os objectivos definidos pelas Nações Unidas no combate à pobreza.
O presidente da África do Sul relacionou esta questão com o actual equilíbrio mundial do poder e com a necessidade de o alterar através da transformação das instituições, designadamente da ONU. Para Mbeki é do interesse dos países em desenvolvimento que as instituições multilaterais sejam reestruturadas de forma a que passem a ter em conta as necessidades da Humanidade como um todo.


Michael Moore estreia-se em livro

O realizador norte-americano Michael Moore, autor do documentário «Fahrenheit 9/11», vai editar em Novembro um livro que reúne cartas que lhe foram dirigidas por soldados norte-americanos destacados no Iraque. A informação foi dada pelo próprio, no dia 19, no seu site oficial na Internet, onde revela estar tudo já acordado com uma editora.
«Will They Ever Trust Us Again?» («Voltarão a Confiar em Nós?»), é o sugestivo título da obra em suporte de papel, que está a ser aguardada com natural expectativa, depois do sucesso alcançado por Michael Moore no cinema.
O realizador, que não esconde a sua feroz oposição à administração do presidente George W. Bush, afirma-se orgulhoso por dar voz às tropas que lhe escreveram ao longo do último ano.
Inscrito nos planos de Michael Moore, para breve, está também a publicação de um outro livro, em conjunto com a edição em DVD de «Fahrenheit 9/11», que transcreve toda a história do documentário e material que não chegou a ser aproveitado para o filme que veio a vencer este ano a «Palma de Ouro» do Festival de Cannes.


Resumo da Semana