Editorial

«Os ideais de Abril estiveram sempre presentes nestes três dias de alegria e de felicidade»

A FESTA DO PARTIDO

Abril foi o tema central da 28ª edição da Festa do Avante!. A conquista da liberdade; a revolução, com os seus avanços históricos conduzindo a uma democracia avançada construída na base de uma ampla e intensa participação popular; a contra-revolução visando (e conseguindo) importantes recuos civilizacionais, re-entregando o poder político ao todo poderoso poder económico e financeiro, roubando direitos aos trabalhadores, roubando conteúdo democrático ao regime, roubando soberania ao País, roubando Abril ao povo; a luta, com as suas vitórias e as suas derrotas mas persistente, não dando tréguas, ontem, hoje, amanhã, aos inimigos de Abril – eis alguns dos ângulos através dos quais os visitantes da Festa observaram a revolução de Abril neste ano do seu 30º aniversário.
De resto, os ideais de Abril estiveram sempre presentes nestes três dias de alegria e de felicidade construídos por milhares de mãos e de vontades; por operários, intelectuais e trabalhadores de todas as áreas de actividade; por homens e mulheres que não desistem de sonhar com o futuro nem desistem de lutar pela materialização desse sonho. Por jovens – tantos que pode dizer-se que a Festa do Avante! é, cada vez mais, a festa da Juventude. De uma Juventude que participa de forma determinante na sua construção; que corresponde a uma cada vez mais elevada percentagem no conjunto dos visitantes da Festa; que marca presença preponderante na execução das múltiplas tarefas relacionadas com o funcionamento da Festa – e que, numa manifestação de assumida personalidade, rejeitando decretos mediáticos, ousa, vejam bem!, participar cada vez mais massivamente nas iniciativas políticas, particularmente no comício de encerramento. Como viu quem quis ver e jamais verá quem cego quer ser.

A Festa foi, mais uma vez, o que, convictamente, prevíamos que fosse. Não, naturalmente, por efeito de palpite astrológico e muito menos por crença em crendices de pêcêpólogos encartados ou em qualquer outro bruxedo. Sabíamos que a Festa seria o que foi – tanto na sua forma como no seu conteúdo - por muitas e muito concretas razões, a primeira das quais é a de que se trata da festa de um partido que tem como objectivo maior da sua luta a construção de uma sociedade livre, democrática, justa, solidária, liberta de todas as formas de opressão e de exploração; de um partido que, todos os dias, está na primeira linha da luta pela dela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País; de um partido sem o qual a oposição à política de direita e aos governos que a vêm executando há vinte e oito anos, se resumiria a um foguetório para iludir eleitores distraídos, travestindo de verdade a mentira que apresenta a alternância como se de alternativa se tratasse.
Esta é a festa dos comunistas e é o que é por isso mesmo. E seria coisa diferente, muito, muito diferente, se se tratasse da festa de qualquer um dos restantes partidos nacionais.
Quem tenha observado o processo de construção da Festa – desde o erguer dos pavilhões até à forma como tudo funcionou durante três dias – facilmente terá concluído que só um partido que luta por ideais e por objectivos como os acima enunciados poderá estar em condições de responder às exigências de colaboração voluntária, de militância consciente, de participação criativa, colocadas pela construção e realização de uma iniciativa com a dimensão e a magnitude da Festa do Avante!. Por isso, esta é a Festa do Partido. Por isso, nenhum outro partido nacional tem unhas para tocar semelhante guitarra nem a tal qualquer deles se abalança. Até porque – cada um faz o que sabe – preferem aprovar leis visando acabar com a Festa e com o Partido que a faz.

«A Festa do Avante! marcou a rentrée política do PCP, sem novidades»: resumiu, em notícia a abarrotar de novidades, um matutino da capital (e do capital). Com isto, queria o referido matutino informar os seus leitores que todos os partidos, à excepção do PCP, marcaram, as suas rentrées políticas com carradas de novidades...
A Festa e os seus comícios de abertura e de encerramento – que são, tão somente, os dois maiores comícios partidários realizados anualmente em Portugal – serviram, assim, de pretexto para a repetição da vetusta cassette do declínio irreversível e da morte anunciada do PCP – cassettevelha, revelha, roufenha, gasta, desgastada por décadas de vida fácil, de meretrício.
Aliás, a generalidade da imprensa diária repetiu-se, repetindo, sem ponta de originalidade, as práticas e as prosas dos anos anteriores. Percebe-se que assim seja: não podendo, como desejaria, ocultar uma realização presenciada e vivida por centenas de milhares de pessoas vindas de todo o País, optou pelo silenciamento de tudo o que entende dever ser censurado e desdobrou-se em reportagens delirantes (com honrosas excepções, que aqui se registam), prestando a si própria o enormíssimo favor de, através de silenciamentos, manipulações e deturpações, confirmar os silenciamentos, manipulações e deturpações que são o pão dela de cada dia – assim transformando em liberdade de desinformar, a liberdade de informar conquistada com o 25 de Abril.
Quanto à Festa... a Festa continua. E mais bonita do que esta só a do próximo ano. E assim será sempre. Mesmo com declínios irreversíveis e com mortes anunciadas. É que a velharia que povoa as tribunas de cangalheiros de serviço, não sabe nem sonha que, como os jovens comunistas sabem e proclamam, o sonho tem Partido.


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