Intervenção de José Casanova
Festa de Abril e do futuro
Transmito-vos as saudações fraternas e revolucionárias do colectivo do Avante! – órgão central do PCP e jornal que dá o nome à nossa Festa. Nesta 28.ª edição da Festa do Avante!, comemoramos o 30.º aniversário do 25 de Abril, comemorando a sua primeira conquista – a liberdade – e, na sequência dela, todas as outras conquistas que, transformando profundamente o País, fizeram a Revolução de Abril: os direitos dos trabalhadores, as nacionalizações e o controle operário, a reforma agrária, o poder local democrático, a descolonização e, dois anos depois, a Constituição da República Portuguesa, que consagrava a democracia de Abril como uma democracia avançada construída com uma ampla e intensa participação popular.
É bom lembrar, camaradas – é necessário lembrar e repetir – que a Revolução de Abril, que este ano tem presença marcante na nossa Festa, constituiu o momento maior – de maiores avanços políticos, económicos, sociais, culturais, civilizacionais – da história de Portugal; que a Revolução de Abril constituiu o momento de maior modernidade da nossa história colectiva – de modernidade de facto, e não dessa arca de velharias ideológicas que os ideólogos do capitalismo nos pretendem impingir como sendo coisas modernas. É bom e necessário lembrar, igualmente, o papel do PCP, quer na resistência que semeou as sementes de Abril, quer no desenvolvimento do processo revolucionário; quer na luta pela defesa das conquistas alvo dos furiosos ataques da contra-revolução; quer, ainda, na luta actual, contra a política de direita que outra coisa não é senão a política da contra-revolução de Abril.
De facto, a anteceder Abril e as 28 festas do Avante, há todo um longo e difícil caminho percorrido passo a passo por este Partido que é o nosso, pelas sucessivas gerações de comunistas que são as construtoras do PCP – um caminho feito com a coragem e a dignidade nascidas da confiança no ideal e no projecto comunista; um caminho que, com 83 anos de idade, é um caminho de hoje e do futuro.
Por tudo isto, camaradas, nenhum local é mais apropriado para comemorar a Revolução de Abril do que a Festa do Avante!, este espaço de liberdade e de luta, construído na base de uma ampla, consciente e assumida participação militante. A Revolução de Abril é o futuro, e a nossa Festa, Festa de Abril, e também ela uma conquista de Abril, é, também ela, a festa do futuro.
Camaradas: a Festa do Avante! é a mais evidente demonstração das potencialidades, da força e da criatividade do trabalho colectivo, da participação militante, voluntária, empenhada, consciente, solidária, aqui protagonizada por muitos milhares de militantes e amigos do Partido. A Festa é uma realização só possível de concretizar na base dessa militância consciente, revolucionária, suportada por ideais e valores que são, ao fim e ao cabo, os ideais e os valores da Revolução de Abril.
E isso exige que daqui saudemos quem deve ser saudado: todos aqueles – homens, mulheres, jovens, instituições – que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o êxito desta 28.ª edição da Festa do Avante!.
Começamos por saudar e agradecer os apoios que nos foram prestados por diversas entidades públicas e privadas, nomeadamente, para além de dezenas de clubes e colectividades:
Associações de Bombeiros Voluntários – do Seixal, do Sul e Sueste, de Almada, de Cacilhas, da Trafaria e Salvação Pública; Câmaras Municipais: entre outras as do Seixal, de Almada, de Palmela, de Setúbal e de Lisboa; Juntas de Freguesia: especialmente as de Amora e Corroios; E ainda: a Administração da Venamar, as administrações da Fertagus e dos Transportes Sul do Tejo, o Amora Futebol Clube, a Região de Turismo de Setúbal, o Comando Geral da PSP e, em particular, os comandos da PSP do Seixal e da Cruz de Pau, o Comando da GNR e, em particular, o Comando da Brigada de Trânsito – para todas essas entidades, o nosso obrigado pelo apoio que nos deram.
Camaradas: a Festa do Avante!, espaço de cultura e desporto, de alegria e convívio, de debate e de luta, é também, como não podia deixar de ser, um espaço de fraterna solidariedade internacionalista, enriquecida com a presença de representantes de vários partidos comunistas e organizações progressistas de dezenas de países. Daqui saudamos os nossos convidados estrangeiros, camaradas e companheiros vindos da Alemanha, de Angola, da Argentina, da Bélgica, da Bolívia, do Brasil, de Cabo Verde, do Chile, de Chipre, da China, da Colômbia, da Coreia, de Cuba, de El Salvador, de Espanha, da França, da Grã-Bretanha, da Grécia, da Itália, do Japão, do Líbano, de Marrocos, de Moçambique, da Palestina, do Peru, da República Checa, da Suécia, de Timor Leste, da Turquia, do Uruguai e do Vietname. A todos expressamos a nossa solidariedade, os nossos votos de grandes êxitos nas lutas que travam nos seus países, neste tempo complexo e difícil que vivemos – e que, por isso mesmo, torna cada dia mais premente e importante o reforço da solidariedade internacionalista, a conjugação de forças e de esforços de todos os que não desistem de lutar por uma sociedade nova, de justiça social, de liberdade, de paz, de fraternidade, de solidariedade.
Saudamos, finalmente, os construtores da Festa: os milhares de camaradas e amigos que, através de um notável esforço voluntário e colectivo e num ambiente de grande camaradagem e amizade, construíram esta bela cidade nova – feita de convívio e de alegria, de cultura e de fraternidade, de solidariedade e de luta – e assim se afirmaram, mais uma vez, como construtores do futuro; saudamos os que, nas suas organizações regionais, levaram a cabo as múltiplas tarefas indispensáveis ao êxito da Festa; saudamos os que, durante estes três dias, asseguraram o funcionamento desta cidade do futuro; saudamos os muitos milhares de visitantes da Festa – militantes e não militantes do Partido, homens, mulheres e jovens, que com a sua presença conferem maior expressão e dimensão ao conteúdo fraterno e solidário destes três dias.
E deixamos uma saudação muito especial, para os jovens comunistas, militantes e amigos da JCP, rapazes e raparigas que, na maioria dos casos, por altura do 25 de Abril de 1974, não eram ainda nascidos, e que aqui marcaram a sua presença como militantes dos ideais de Abril, com uma intervenção que é cada vez mais determinante nas jornadas de construção e que faz da Festa do Avante!, cada vez mais, a Festa da Juventude; uma saudação para esses jovens que, vindos de todo o País, aqui têm, em muitos casos, o seu primeiro contacto efectivo com o mundo do trabalho e com as ferramentas; aqui erguem estruturas, assentam paredes, colocam toldos, pintam as placas de madeira e os ferros; preparam a realização dos espectáculos e dos debates; erguem a Cidade da Juventude e participam na construção da cidade maior que é a Festa; uma saudação para esses jovens que, nos intervalos das jornadas de trabalho, falam dos seus problemas, debatem questões da actualidade política nacional e internacional e que, em todo o tempo aqui passado, em todo o processo de construção em que participam, confraternizam, convivem e vivem, constróem amizades e amores, crescem enquanto seres humanos adultos, responsáveis, conscientes; uma saudação para esses jovens, operários em construção, construindo e construindo-se com os instrumentos de trabalho de que é feito o futuro, construindo conscientemente a sua condição de revolucionários, de comunistas que são presente e futuro do Partido, demonstrando e confirmando que, como dizem naquele belo painel que encima a Cidade da Juventude, «o sonho tem Partido» – e que esse Partido se chama Partido Comunista Português, e que a juventude desse Partido se chama Juventude Comunista Portuguesa.


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