O espírito olímpico começa na escola
Não é possível evoluir no desporto de alta competição e obter bons resultados nos Jogos Olímpicos sem evoluir na cultura física, no desporto escolar, no desporto para todos. Em torno desta ideia central convergiram todos os intervenientes convidados a falar sobre o «valor do Olimpismo e do Paralimpismo no desporto de hoje», tema proposto para o debate que abriu sexta-feira a programação do espaço «À Conversa com…», no Pavilhão Central.
Em vésperas de partida da delegação de paralímpicos para Atenas e quando ainda estão bem vivos na memória os Jogos Olímpicos que tiveram como palco aquela cidade, este foi, pois, um debate oportuno e actual.
Actualidade conferida não apenas pela realização daqueles eventos mas também porque as questões que se prendem com a evolução da alta competição são inseparáveis da política desportiva nacional, o que significa, por conseguinte, que esta é uma matéria necessariamente sempre presente, como sublinhou no debate Carlos Rabaçal, membro do CC do PCP, que estava acompanhado na mesa por Augusto Flor, que moderou, Manuel Vieira (treinador) e José Carlos Cavaleiro (presidente da Associação de Deficientes Motores).
Por isso o PCP considera – e esta foi outra das ideias enfatizadas pelos presentes – que os Jogos Olímpicos, por serem o maior e mais mediático evento desportivo mundial, não podem deixar de merecer a maior atenção e cuidado, com os correspondentes recursos e meios capazes de garantir uma participação que dignifique o nome de Portugal.
A questão, porém, não se esgota aqui. Para além do espectáculo, como foi dito, os ideais e espírito olímpicos são indissociáveis de uma política de desenvolvimento desportivo ao serviço da população, da educação física e do desporto escolar, de apoio ao associativismo, com a criação de instalações desportivas adequadas, em suma, uma política que seja ela própria um poderoso investimento na saúde e bem-estar.
E a pensar no futuro, deixada pelos oradores foi também uma outra ideia-chave: é ilusório pensar numa participação qualificada nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, se não se promover e desenvolver o «desporto para todos», associado ao aumento da cultura física dos portugueses, em paralelo com todo o trabalho de apoio a uma correcta preparação dos atletas de alta competição.
A animar o debate, referenciadas nas diversas intervenções, estiveram ainda os aspectos positivos e negativos associados à evolução do Olimpismo, a mercantilização dos Jogos Olímpicos, a pressão sobre os atletas para a conquista de medalhas, o historial do Paralimpismo, a luta dos deficientes pela conquista do estatuto de cidadãos de plenos direitos.

JC


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