Liberdade para criar
As liberdades conquistadas com a Revolução de Abril não chegaram de modo idêntico e ao mesmo tempo a todas as formas de criação artística, referiram Manuel Gusmão, Filipe Diniz e Luísa Ramos, sábado à noite, no espaço À Conversa com...
O 25 de Abril trouxe a liberdade de escolher os temas e como os tratar, mas a explosão da criação literária pós-revolução viria a dar-se apenas nos anos 1980 e 1981. Mas Abril abriu o campo igualmente à criatividade social e revolucionária, sendo apontados como exemplos a reforma agrária e a Constituição de 1976.
O fascismo impôs a censura, cerceando brutalmente a liberdade de criação e fruição das artes. Mas, mesmo no quadro democrático, a liberdade pode não se exercer em toda a asserção da palavra. Foi apontado o exemplo do cinema, que abarca hoje muito mais público e muito mais obras – mas 90 por cento destas têm origem nos EUA, verificando-se uma ocupação hegemónica do espaço onde os filmes podem ser vistos. Foi também lembrada a iliteracia, que separa da arte muitos portugueses, enquanto o «mercado cultural» impõe limitações de natureza comercial e também de natureza ideológica.
Num momento em que a cultura mediática «de massas» ganha terreno, a Festa do Avante! foi apontada como exemplo bem sucedido de convivência da cultura erudita e da cultura popular.

DM


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: