«Até Amanhã, Camaradas»

A SIC exibiu nos dias 28 e 29 de Janeiro uma das mais relevantes produções de sempre da televisão portuguesa, a série «Até Amanhã, Camaradas». A história, escrita por Álvaro Cunhal e interpretada por 140 actores e 2400 figurantes, retrata as lutas operárias de 1944 e o papel do PCP na divulgação dessas lutas.
Cândido Ferreira, Paulo Pires, Leonor Seixas, Gonçalo Waddington, Adriano Luz, António Capelo, José Wallenstein, Marco d’Almeida e São José Correia são alguns dos actores que integram o vasto elenco desta produção, que, pensada inicialmente como série de seis episódios de uma hora, foi exibida em dois blocos de três horas.
Joaquim Leitão, o realizador que diz filmar «só aquilo em que acredita», explicou, dias antes, em declarações ao Correio da Manhã, que o livro que Álvaro Cunhal escreveu com o pseudónimo de Manuel Tiago «tem uma história que vale a pena contar». «A obra retrata um período da história pouco conhecido pelos portugueses e fala de heróis anónimos que sofriam na pele a falta de liberdade e a miséria, porque, naquela altura, havia fome e uma sardinha era dividida por seis pessoas. Esta gente lutava por um país melhor e tinha as suas paixões, sofria, era aventureira, perseguida...».
Integralmente gravada em película, «Até Amanhã, Camaradas» será posteriormente exibida nas salas de cinema.


Morreu Canto e Castro

O actor Henrique Canto e Castro, de 74 anos, morreu terça-feira em sua casa em Almada. Ao longo de quase 60 anos de carreira, o actor, nascido em Lisboa a 24 de Abril de 1930, fez teatro, cinema e televisão, tendo a peça «Rainha do Ferro Velho», em cena no Teatro Politeama, e a série «João Semana», em exibição na RTP1, sido os seus mais recentes trabalhos.

Aos 12 anos, Canto e Castro já trabalhava na Emissora Nacional e aos 17 concluiu o curso de teatro do Conservatório Nacional com 18 valores. Estreou-se no teatro com os Comediantes de Lisboa em 1946, com a peça «A Lição do Tempo», sob a direcção artística de Francisco Ribeiro.
Canto e Castro passou pelo Teatro Nacional Popular, Teatro Apolo, Teatro Ginásio, Grupo de Campolide, Teatro Nacional D. Maria, Teatro da Trindade, Teatro Aberto e Teatro de Almada.
No Teatro Aberto, onde nos últimos anos o actor subiu mais vezes ao palco, integrou o elenco das peças «O Tempo e o Quarto», «A Rapariga de Varsóvia», «A Dama do Maxims», e «O Bobo e a sua mulher esta noite na Pancomédia».
No cinema, participou nos filmes «Tráfico», «Cinco Dias, Cinco Noites», «Manhã Submersa», «O Último Mergulho», «Capitães de Abril», e «A Costa dos Murmúrios», entre outros.
Participou ainda em programas de televisão como «Duarte & Companhia», «Esquadra de Polícia», «Fura Vidas», «Residencial Tejo», e fez várias dobragens para séries de animação.

Canto e Castro era militante do PCP desde antes do 25 de Abril. O seu nome e a sua fotografia apareceram na última edição do Avante! como apoiante da CDU.

«O seu inestimável contributo no desenvolvimento e afirmação do teatro em Portugal, tanto antes do 25 de Abril, como depois, em liberdade, constitui um marco incontornável para a cultura portuguesa», salienta a Direcção do Sector Intelectual de Lisboa do PCP, na nota de condolências que emitiu.


Soldados da paz combatem políticas de direita

Mais de 200 bombeiros profissionais de todo o país manifestaram-se segunda-feira junto à residência oficial do primeiro-ministro, depois de uma greve de três horas e de um plenário onde aprovaram novas formas de luta.
O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, adiantou à Lusa que o plenário decidiu informar as populações de que «se algo correr mal, nomeadamente no período de incêndios, a culpa não é» dos soldados da paz. «Se o futuro governo não atender a alguns dos nossos pedidos vamos distribuir documentação pelas cidades, a informar que não temos culpa se algo correr mal. Não havendo efectivos como é que vamos prestar socorro», disse.
Fernando Curto salientou também a importância de os bombeiros profissionais fazerem simulacros regulares em espaços comerciais, escolas, no parlamento, nomeadamente.


Relembrar Ary dos Santos

O livro «Sentado no muro do cemitério a ver passar a classe operária», de César Príncipe, foi, sexta-feira, posto à venda, anunciou, no Porto, fonte da editora Arca das Letras. Em nota de imprensa, a editora revelou que o livro constitui uma reflexão do autor, sobre o poeta José Ary dos Santos, que César Príncipe considera «um valoroso soldado da língua portuguesa».
O autor, escritor e jornalista, considera que Ary dos Santos «era mais chegado aos demónios, também distinguidos na hierarquia celeste como anjos rebeldes perturbadores da lei e da ordem».
César Príncipe afirma ainda que Ary dos Santos «foi um excelente publicitário e sempre será um excelente poeta». «Um poeta que temos a obrigação de manter vivo», pois na sua opinião, caso assim não aconteça, «corremos sérios riscos de extinção (cívica e cultural) se não nos exercitarmos com a sua voz, com as vozes de todos os mortos e de todos os vivos que justificam a espécie humana».


Inconstitucionalidades em Guantanamo

Os tribunais militares norte-americanos constituídos para julgar suspeitos de terrorismo na base naval de Guantanamo, Cuba, são «inconstitucionais» de acordo com uma decisão tomada esta semana por uma juíza federal.
A magistrada Joyce Hens Green, ao determinar que os suspeitos estão protegidos pela legislação norte-americana - depois do Supremo Tribunal os autorizar a contestar a detenção -, pôs em causa o estatuto de «combatentes inimigos» definido pelo Pentágono em 2004.
Em declarações à comunicação social, Green criticou o presidente George W.Bush por manter em reclusão cerca de 550 indivíduos de duas dezenas de países - suspeitos de ligações à rede Al-Qaida e aos talibãs afegãos - privados dos seus direitos de assistência jurídica.


Resumo da Semana