Editorial

«Substituir a velha política de direita por uma política nova, de esquerda»

PARTICIPAÇÃO ENTUSIASMO CONFIANÇA

A pouco mais de duas semanas das eleições, crescem as perspectivas de um bom resultado eleitoral da CDU. E, sendo certo que, como afirmou o Secretário geral do Partido, na entrevista ao Avante!, qualquer que seja esse resultado ele será sempre insatisfatório e ficará sempre aquém daquilo que a acção do Partido justifica e merece, é igualmente verdade, como também sublinhou Jerónimo de Sousa, que o que vai ser determinante para o resultado da CDU é a participação do colectivo partidário na campanha eleitoral.
A participação é, de facto, um dos trunfos essenciais de que a CDU dispõe e será tanto mais proveitosa, em termos de votos, quanto mais intensa, entusiástica e confiante for: é ela que nos permitirá fazer chegar mais longe o apelo à reflexão serena sobre aquilo que está em jogo nestas eleições; que nos permitirá fazer chegar aos eleitores a nossa mensagem e as nossas propostas e os seus conteúdos; que nos permitirá superar os silenciamentos e deturpações a que a nossa campanha vem sendo sujeita.
Aliás, a participação militante é um dos vários traços distintivos do PCP: enquanto, em todos os restantes partidos, ela ou deixou de existir, ou se tornou irrelevante, no PCP é motor da actividade do Partido e factor essencial da sua democraticidade.

Mudar de política, substituindo a velha política de direita que, ao longo de vinte e oito anos, tem imperado no nosso País, por uma política nova, de esquerda ao serviço dos interesse dos trabalhadores, do povo e do País, é a grande questão que deve colocar-se ao eleitorado. Ouvindo os dirigentes do PS, do PSD ou do CDS-PP – os ataques que fazem uns aos outros, as culpas que mutuamente se atribuem pelo mau estado do País, os despudorados auto-elogios a capacidades só por eles vistas, as mil promessas de resolução de mil problemas – dir-se-ia que nenhum deles tem nada a ver com a situação existente, que todos acabaram de desembarcar na cena política carregados de abastanças e bem aventuranças. Ora, a verdade é que têm sido eles – e só eles – que, ao longo dos últimos vinte e oito anos, têm feito as políticas que conduziram ao estado actual do País. Porque têm sido eles – e só eles – que, desde o primeiro governo de Mário Soares até ao governo Santana Lopes/Paulo Portas, têm estado no poder. E é necessário não permitir que continuem a atirar areia para os olhos dos eleitores, fazendo da ocultação dessa realidade o trampolim para, fingindo que não, prosseguirem a política que sempre fizeram. É necessário desmascará-los e às suas práticas, dizer-lhes, de viva voz e através do voto, que é tempo de dar um novo rumo à vida dos portugueses.

É, igualmente, através da participação militante que podemos fazer chegar aos eleitores a necessidade de procederem a um exercício de reflexão essencial: o de compararem não apenas os discursos de campanha eleitoral das várias forças concorrentes, mas também os discursos e as práticas de cada uma delas nos períodos que medeiam entre cada eleição. Veja-se e compare-se o que há que ver e comparar: a quantidade e a qualidade do trabalho desenvolvido pelos deputados de cada um dos partidos concorrentes às eleições; a actividade e o conteúdo da intervenção de cada partido no dia a dia da sua actividade. Se assim se fizer, fácil é constatar a superior valia e actualidade da intervenção e das propostas da CDU e, o que não é menos importante, a evidente confirmação do papel dos comunistas na luta diária pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Ao longo dos quase oitenta e quatro anos de vida do Partido, sempre, onde e quando estão em causa os direitos dos trabalhadores, a liberdade e a democracia, o futuro do País, os comunistas estão presentes. Vimo-los, no passado fim de semana, na série televisiva «Até amanhã, camaradas» – trabalho notável que daqui saudamos e aos que o ergueram: produtor, realizador, técnicos, actores – a cumprir esse papel numa situação em que lutar tinha como consequência mais do que previsível, a prisão, a tortura, a morte. E é cumprindo esse mesmo papel que os comunistas de hoje prosseguem essa luta - a que os comunistas de amanhã darão continuidade. Porque se trata de uma luta de todos os dias de todos os tempos, e da qual, ao fim de cada jornada, os comunistas se despedem com um fraterno «até amanhã, camaradas».

Tudo isto tem a ver com a forma como a nossa campanha tem vindo a ser tratada na comunicação social – e, naturalmente, com o tratamento dado às outras forças concorrentes, em especial ao BE, menina dos olhos da dita comunicação social por razões óbvias. Com efeito, o BE, agora apoiado publicamente por Mário Soares, continua a ser o principal beneficiário dos favores da comunicação social e do coro unanimista dos seus comentadores ou analistas. Sem surpresas, aliás: é normal e natural que, quer Soares – que foi, não o esqueçamos o líder da contra-revolução de Abril – quer a comunicação social dominante – que é, não o esqueçamos, propriedade do grande capital – aplaudam tudo o que diz respeito ao BE: as contínuas manifestações de arrogância dos seus líderes, as trapalhices de que é feita a sua prática política, a propaganda enganosa a que recorrem na sua febre de caça ao voto, as aldrabices que tentam passar aos eleitores sobre supostas paternidades de iniciativas que de facto copiaram e plagiaram.
E também nesta matéria, a participação militante é fundamental: para repor a verdade onde foi posta a mentira, para informar onde a desinformação campeia – enfim, para impor o respeito pela inteligência e a sensibilidade dos cidadãos.


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