Editorial

«Estes votos querem dizer mais força para a luta contra a política de direita e por uma mudança a sério»

A LUTA CONTINUA

Mais votos, mais percentagem, mais deputados, mais acima (terceira força eleitoral): eis quatro mais que, complementando-se no resultado obtido pela CDU, emergem, como questão maior e mais significativa, das eleições de domingo passado. Trata-se de um resultado assinalável, sabendo como sabemos que desde 1983 (portanto, há vinte e dois anos) não juntávamos estes quatro mais num resultado eleitoral (a talhe de foice, recorde-se que a passagem a terceira força eleitoral não constava, mesmo, dos nossos objectivos para estas eleições – e, ainda a talhe de foice, recorde-se que esse era um objectivo expresso quer pelo CDS-PP, quer pelo BE)
Trata-se, assim, de um êxito que importa valorizar condignamente e que justifica a imensa alegria do colectivo partidário, de todos os restantes activistas da CDU e, certamente, de todos os que entenderam, e bem, que dar o seu voto à CDU era a melhor maneira de defenderem os seus interesses e direitos.
Trata-se, igualmente, de um êxito que é imperioso potenciar, dando continuidade intensificada à intervenção do Partido em todas as áreas, levando por diante, desde já, as orientações definidas pelo Comité Central, nomeadamente as iniciativas parlamentares – no cumprimento dos compromissos assumidos no decorrer da campanha eleitoral – e as medidas para o reforço do Partido, integradas na acção geral «Sim, é possível um PCP mais forte».

Trata-se, ainda, de um êxito que, naturalmente, há-de desagradar a todos os que, ao longo do tempo, não se têm cansado de decretar o «declínio irreversível do PCP».
Sem pretendermos concluir taxativamente que este resultado marca uma viragem definitiva na nossa evolução eleitoral – conclusão que seria, obviamente, precipitada - é lógico e justo concluir que ele vibrou um golpe profundo nas teses dos coveiros do PCP, os quais, porque medem a existência dos partidos exclusivamente na base das suas prestações eleitorais, se quedam cegos e surdos face à multifacetada e permanente intervenção dos comunistas. Pelo que, se esse critério é válido para todos os restantes partidos nacionais (com efeito, não é difícil perceber que nenhum desses partidos sobreviveria a um tão longo ciclo de perdas eleitorais) não o é aplicado ao PCP, como a realidade mostra – podendo dizer-se que, mesmo antes significativo resultado do passado dia 20 e com quase um quarto de século de perda de votos, nem assim o tal «declínio» era «irreversível», e que não o seria mesmo que o resultado do dia 20 continuasse a ser-nos desfavorável.
«Declínio irreversível» – mais do que isso: morte inevitável – ocorreria, isso sim, se o PCP deixasse de ser o que é e passasse a ser igual aos que são todos iguais; se o PCP deixasse de estar onde deve estar – ao lado da classe operária, dos trabalhadores, de todos os que são vítimas da política de direita – e baixasse os braços face às imensas dificuldades que todos os dias se lhe deparam; se o PCP, contados os votos, e fossem eles quantos fossem, aguardasse, sentado, as eleições seguintes.

Nunca o fez e nunca o fará. E é por isso que não há «declínio irreversível». E é por isso, também, que um segmento importante do eleitorado optou pelo voto na CDU – conscientemente, sabendo que depositou o seu voto em boas mãos; sabendo que, votando assim, estava a dar um contributo para a derrota do PSD e do CDS-PP e, ao mesmo tempo, a dar força aos que combatem a política de direita.
Sublinhe-se, então, o valor acrescentado dos votos na CDU: votos que contaram para eleger deputados – no caso dos deputados comunistas, homens, mulheres e jovens que, no Parlamento, defenderão com firme coerência os interesses dos trabalhadores, do povo e do País; votos que contaram, que são essenciais, para dar mais força à luta de todos os dias – à luta que prosseguiu logo no dia a seguir às eleições e continua até às eleições seguintes; votos que contaram para dar mais força e maior capacidade de intervenção ao PCP – único grande partido nacional que, sem disfarces, nem malabarismos, nem demagogias de caça ao voto dos incautos, com uma coerência feita de respeito pela inteligência dos cidadãos, combate, de facto, a política de direita e luta pela criação de condições para uma alternativa de esquerda, para uma mudança a sério na política nacional.

Na verdade, este resultado altamente positivo, estes votos (mais 55 mil do que nas eleições anteriores) querem dizer mais força para a luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda, mais força para a luta de todos os dias: nas empresas e locais de trabalho, nos locais de residência, nas ruas, nas escolas, nos campos, nas Autarquias Locais, na Assembleia da República, no Parlamento Europeu; mais força na luta pela defesa da soberania nacional; mais força na luta pela paz e contra a guerra; mais força nas manifestações concretas da nossa solidariedade internacionalista – mais força para a luta pelos nossos objectivos imediatos que são parte integrante e complementar do caminho para o objectivo supremo do PCP.
É para isto que um partido como o PCP quer os votos – quantos mais, melhor – que obtém em cada acto eleitoral. E é assim que os utiliza. E é assim que se reforça: porque o Partido reforça-se com a acção e, com mais votos, a acção será mais forte, mais ampla, mais intensa.
Sendo certo que, para o PCP, a conclusão maior a tirar de cada eleição, de cada luta, e que constitui seu traço distintivo essencial, pode resumir-se em três palavras: a luta continua.


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