A morte anunciada do Ballet Gulbenkian

Foi anunciada no início desta semana a extinção do Ballet Gulbenkian. Esta foi uma notícia que só pode ter sido recebida com estupefacção e tristeza por todos aqueles que se habituaram a ver na companhia uma referência cultural incontornável, designadamente no capítulo da dança.
A morte anunciada do Ballet Gulbenkian, actualmente dirigido por Paulo Ribeiro e composto por 25 bailarinos e quatro estagiários, além dos quadros técnicos, será concretizada até Agosto de 2006.
Ao longo dos seus 40 anos de existência, cumprindo o objectivo definido pelos seus criadores, a companhia apresentou ao público português um vasto reportório de dança contemporânea, proporcionando simultaneamente aos bailarinos e coreógrafos excelentes oportunidades profissionais.
À frente do Ballet Gulbenkian, desde a sua fundação, em 1965, assumindo a direcção artística, passaram nomes como o britânico Walter Gore, o croata Milko Sparemblek, o português Jorge Salavisa e a brasileira Iracity Cardoso.


Mortalidade infantil

Todos os anos morrem em Portugal 500 crianças à nascença ou antes de completarem uma semana de vida. Estes números, ainda que insatisfatórios, traduzem bem a enorme evolução positiva registada no país nos últimos 30 anos em termos de saúde materno-infantil.
É que a mortalidade perinatal, ocorrida a partir das 28 semanas de gestação e até uma semana depois do parto, sendo de 32 casos por cada mil nados vivos em 1975, passou actualmente para os cinco casos por cada mil nados-vivos, disse Beatriz Calado, da Divisão de Saúde Reprodutiva da Direcção-Geral de Saúde (DGS).
Para aquela especialista, que falava à margem do seminário sobre Saúde Materno-Infantil e Maternidade Segura, muitas destas mortes estão relacionadas com «uma certa desigualdade nos acessos aos cuidados de saúde de populações mais desfavorecida».
A mortalidade infantil durante o primeiro ano de vida também desceu de forma muito acentuada depois do 25 de Abril, passando de 40 mortes por cada mil nados-vivos em 1975 para quatro. Sucesso que é indissociável do Serviço Nacional de Saúde e do esforço dos seus profissionais, não obstante os ataques a que tem sido sujeito por parte de sucessivos governos.


Apoios sociais no Politécnico

Os estudantes do ensino superior politécnico são os que menos apoios sociais recebem do Estado, apesar de serem os mais carenciados. A conclusão consta de um estudo sobre a caracterização sócio-económica dos alunos, da responsabiliadde do Centro de Investigação e Estudos em Sociologia do ISCTE, divulgado no início desta semana.
De acordo com o trabalho, elaborado com base num inquérito aplicado a três mil estudantes portugueses, os alunos do ensino politécnico que beneficiam de apoios públicos recebem em média 125 euros mensais, enquanto os do sector público universitário recebem 165 e os do ensino particular 178 euros.
Apesar de beneficiar de menos apoios, «o ensino politécnico acolhe o maior número de estudantes cujas famílias têm menos recursos financeiros».
Ainda segundo a pesquisa, em Portugal, cerca de um em cada quatro alunos do ensino superior (24 por cento) recebe apoios do Estado, um valor inferior ao registado na maior parte dos 11 países europeus analisados no âmbito do projecto Eurostudent 2005.
Em termos comparativos, Portugal é o quarto país que menos apoio social dá aos alunos do ensino superior, apenas à frente da Itália (nove por cento), da Alemanha e da Espanha, ambas com 23 por cento de estudantes beneficiários.


Comunidades emigrantes

O plenário mundial do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) criticou o Governo pela ausência de uma política que contemple os cerca de cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo. A acusação surgiu no final dos trabalhos que reuniram durante três dias da passada semana, na Assembleia da Republica, em Lisboa, 96 representantes das comunidades portuguesas para debaterem as linhas orientadoras de uma «política global» para a emigração.
Os conselheiros pediram um ensino do português no estrangeiro mais digno, melhores condições nos consulados e uma reestruturação aos apoios sociais concedidos pelo Governo aos emigrantes e idosos carenciados.
Casos de escravatura e de exploração de mão-de-obra portuguesa nalguns países da Europa, nomeadamente no Reino Unido, Espanha, Holanda e Suíça, foram também denunciados pelos conselheiros.
Nesse sentido, exigiram ao Governo que actue junto dos parceiros comunitários para que se tomem medidas apropriadas contra esta situação. O plenário mundial ficou ainda marcado pela aprovação do manifesto «Uma política global para as comunidades portuguesas», que defende um processo de «reconstrução nacional» que envolva os emigrantes.


Bolseiros em situação precária

A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) revelou que em Portugal existem entre três a quatro mil bolseiros portugueses à espera de integração nos quadros das unidades de investigação, algumas pertencentes ao Estado.
«Há entre três a quatro mil bolseiros em situação de manutenção de serviços correntes que deviam ser integrados nos quadros, mas as vagas estão congeladas», sublinhou André Levy, da direcção da ABIC, também bolseiro de um pós-doutoramento, em declarações à Lusa.
A associação apresentou em Lisboa, na semana transacta, um manifesto em defesa de uma política nacional de emprego científico, lembrando que há um subaproveitamento dos recursos humanos na área da inovação e desenvolvimento (I&D).
O objectivo do manifesto, que está a circular na Internet e conta com mais de três mil assinaturas, é alertar para a «actual situação de franca carência» de políticas e de medidas concretas de emprego científico.


Resumo da Semana