Delegação portuguesa do FMJE
Reforçar a luta anti-imperialista intervindo diariamente
Filipe Neto, Daniel Azevedo e Paula Santos, delegados ao Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, falam dos 15 dias que passaram na Venezuela e destacam a troca de experiências.
A responsável pela delegação portuguesa do 16.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE) faz um balanço positivo da participação no evento, que se realizou em Agosto, na Venezuela. «A participação no festival foi muito exigente para a delegação portuguesa, mas estivemos à altura da responsabilidade», considera Paula Santos, também dirigente da JCP.
Alguns delegados portugueses aderiram à JCP no final do festival, uma decisão que Paula justifica com a queda de ideias feitas. «Houve um espírito de grande unidade entre os comunistas e os outros jovens. O contacto com os militantes da JCP e do PCP desmontou preconceitos. As pessoas perceberam que são os comunistas que lutam pelos jovens e por uma sociedade mais justa. Há muita gente que defende as mesmas coisas que nós, mas que dizem que nunca serão da JCP ou do PCP, que não são comunistas... Quando vamos falar de ideias concretas, percebemos que defendemos as mesmas coisas.»
Este festival é assumidamente político. Afinal, os jovens interessam-se ou não por política? «Vivemos numa sociedade que pretende alienar e alhear as pessoas de tudo o que são questões políticas. Porque política é tudo o que diz respeito à nossa vida... Nalguns casos o sistema é bem sucedido e muitas pessoas têm uma consciência social baixa. Mas também há muita gente que é interessada. Em relação à juventude, acho que há um aumento de interesse em relação à política», defende Filipe Neto, dirigente da Interjovem, lembrando que no movimento sindical, isso reflecte-se no aumento do número de sindicalizações e na quantidade de jovens que assumem tarefas como delegados e dirigentes sindicais.
«No festival, ficou claro que a nível mundial há muita gente disponível para lutar pela transformação da sociedade e contra o sistema imperialista», acrescenta Filipe Neto.
Daniel Azevedo, dirigente da JCP, refere que na preparação do festival, os jovens comunistas contactaram várias organizações e «as pessoas estavam muito interessadas em participar na iniciativa e na sua divulgação. Muitos jovens não foram à Venezuela devido aos custos da viagem. Se houvesse ajudas do Estado, muito mais gente iria ao festival.»
Paula Santos sublinha que existem muitas associações juvenis, bandas de música, grupos formais e informais que têm como objectivo intervir na sociedade: «Mesmo que os jovens não se apercebam que têm consciência política, apercebem-se que há muitas coisas que estão mal e que têm de ser modificadas. As letras de muitas canções falam sobre problemas sociais, por exemplo.»
E agora? No regresso a casa, o que há a fazer? «Continuar a lutar com mais ânimo», responde Daniel Azevedo. Paula Santos acrescenta: «Trazemos uma base de trabalho muito importante para continuar as nossas lutas em Portugal, em particular a Declaração Final. Reforçamos a luta anti-imperialista intervindo diariamente na nossa escola e no nosso local de trabalho, resolvendo o problema da nossa freguesia e da nossa comunidade.»

Um regresso com os ânimos reforçados

«De certeza que todas as pessoas que participaram no festival regressaram com as suas energias reforçadas para a luta tanto pelo festival em si, como por aquilo que conhecemos da Venezuela e do processo revolucionário bolivariano», afirma Filipe Neto.
«Se o festival se realizasse noutro país podia não ter o mesmo efeito», considera Paula Santos. Dá ânimo ver um país que pretende construir uma sociedade de outro tipo, procurando desligar-se do imperialismo e do capitalismo, com grandes preocupações com a qualidade de vida da população, a educação e a saúde. Pudemos assistir às alterações, visitando escolas de alfabetização, por exemplo. É importante ver que, enquanto em Portugal a educação avança para a privatização e os trabalhadores vêem os seus direitos ameaçados, na Venezuela prova-se que é possível o ensino ser gratuito, que se pode alfabetizar milhares de pessoas, que os serviços de saúde podem ser melhorados... Mostra-se que não é uma utopia haver uma sociedade em que a educação e a saúde são direitos de facto», declara.
Daniel Azevedo também defende que o país anfitrião do 16.º FMJE teve um peso importante. «O facto de se ter realizado na Venezuela acrescentou algo ao festival. Eu falei com muitos venezuelanos e nenhum me disse que o país era perfeito, mas também ninguém me disse que agora estava pior do que antes do Chávez ser eleito. É importante sentirmos que as pessoas estão agradadas quando as coisas são bem feitas. É bom confirmar que o caminho que queremos seguir é do agrado das pessoas», refere.
Para Paula Santos, visitar a Venezuela ajuda a «reforçar as nossas lutas em Portugal. As realidades são distintas, mas o conhecimento e a experiência dos outros também é muito importante.»

Os jovens são o presente e o futuro do movimento sindical

Para a Interjovem, o 16.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes constituiu uma excelente oportunidade de contactar organizações, jovens sindicalistas e trabalhadores de todo o mundo.
«Deu-nos uma percepção mais concreta do que se passa noutros países, nomeadamente no movimento sindical de jovens. Foi importante para nós reconhecer que em muitos países os jovens trabalhadores se estão a envolver no movimento sindical e estão disponíveis para a luta», refere Filipe Neto, salientando a troca de experiências e o conhecimento de diferentes perspectivas e formas de trabalhar.
Este dirigente da Interjovem participou numa conferência dirigida aos jovens sindicalistas, num grupo de trabalho com delegados da Venezuela, Brasil e Peru, e destaca duas conclusões do debate: «Primeiro que é necessário que o movimento sindical mantenha o seu carácter de classe e de ligação aos trabalhadores; depois a importância do trabalho dos jovens no movimento sindical e de atribuir aos jovens tarefas e responsabilidades. Os jovens são determinantes no movimento sindical. Não são apenas o futuro, mas também o presente.»
A os representantes da Interjovem ficaram satisfeitos com as informações que recolheram sobre organizações latino-americanas. «Nalguns países, durante décadas havia sindicatos controlados pelos governos ao serviço do imperialismo norte-americano e que hoje afirmam o seu carácter de classe e que lutam verdadeiramente pelos trabalhadores», diz Filipe.
O panorama laboral português está mais próximo do que se passa na Europa, mas em todo o mundo se verifica a ofensiva contra os direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo dos anos. «As realidades são diferentes, a forma como essa ofensiva é feita é diferente, mas o objectivo é o mesmo: que os trabalhadores não tenham quaisquer direitos. A ofensiva contra os direitos laborais é feita em todo o mundo», destaca Filipe Neto.


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