A adesão ao euro privou o País de instrumentos de regulação da economia
Moeda única penaliza Portugal
O insustentável preço do euro
Sete anos após a criação do euro, um estudo europeu vem confirmar e dar razão aos alertas e críticas desde sempre feitos pelo PCP quanto aos efeitos nefastos da moeda única para a nossa economia.
O laboratório económico Bruegel, instituição apoiada pelos governos europeus e empresas, divulgou na segunda-feira, 6, em Bruxelas, um relatório que dá conta dos efeitos desiguais que a adopção do euro teve sobre economias com níveis distintos de desenvolvimento.
A constatação, feita a posteriori, assente portanto em factos, apenas confirma e dá razão à análise do PCP que, desde o início, se opôs à sujeição de Portugal aos chamados critérios de Maastricht (défice, dívida pública, inflação) e exigiu um referendo sobre a adesão ao euro, como forma de permitir um amplo e necessário debate nacional para avaliar os impactos, que já se adivinhavam nefastos, para o futuro da economia nacional.
Mergulhado o País numa profunda crise, os sucessivos governos PS e PSD/CDS continuaram a negar o óbvio e a insistir nas alegadas vantagens do euro, escondendo o seu reverso negro. Face às crescentes dificuldades económicas que cedo se impuseram, arremessaram contra os direitos sociais e os salários das camadas laboriosas, aumentaram impostos, prometendo sempre a retoma ao virar da esquina, para o próximo ano...tudo em vão.

Um mau exemplo

O estudo feito pelos economistas Jean Pisani-Ferry e Alan Ahearne recorda que o próprio Tratado de Maastricht, no artigo 121, refere que «um alto grau de convergência económica duradoura» é uma das condições que devem estar reunidas para a adesão ao euro, apontando exactamente o caso de Portugal como um exemplo a não seguir pelos novos Estados-membros.
O que conta é «a convergência real», isto é os níveis de desenvolvimento real da economia (crescimento do Produto Interno Bruto), e não o respeito formal dos critérios de Maastricht, considerados «não necessários e não suficientes».
Isto porque nos países em que a inflação foi superior (embora dentro ou próxima dos limites do Pacto de Estabilidade) e o crescimento do PIB inferior face aos outros Estados-membros, a taxa de câmbio real da moeda perdeu valor.
Ora, Portugal manteve elevadas taxas de inflação entre 1999 e 2005 (de 2,3 a 4,4 por cento), iniciando uma rota de divergência real no crescimento em relação aos seus parceiros. O resultado é que a taxa de câmbio real subiu 30 por cento, retirando competitividade às nossas exportações. Por isso, a quota de mercado das exportações portuguesas tem vindo a cair ao longo dos últimos anos.
Esta evolução negativa foi agravada pela esperada entrada da China nos mercados internacionais, competindo directamente com sectores importantes da nossa economia, designadamente no têxtil, vestuário e calçado.
«O ajustamento aos choques globais exigiria uma desvalorização da taxa de câmbio real (...) em Portugal e não a valorização verificada», salienta o estudo. Infelizmente, esse valioso instrumento de soberania, que é o poder exclusivo dos Estados de variarem a taxa de câmbio, Portugal perdeu-o com a adesão submissa ao euro, cedendo-o ao Banco Central Europeu.
No actual quadro, o futuro de Portugal não se apresenta nada risonho: «a única forma de restabelecer a competitividade é através de uma taxa de inflação muito baixa, uma desinflação e talvez mesmo uma deflação», consideram os citados economistas.
Por outras palavras, a saída da crise não se vislumbra no horizonte e, a menos que haja uma ruptura com as actuais políticas, Portugal continuará a empobrecer, devido à irresponsabilidade dos governos PS e PSD que, ansiosos por entrar no clube dos ricos, não se importaram de hipotecar o País para pagar a quota.


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