Só após a retirada do CPE os sindicatos admitem negociar
Trabalhadores e estudantes convergem na acção
Franceses enfrentam a direita
Após as manifestações de sábado, que mobilizaram um milhão e meio de pessoas, a luta contra os despedimentos sem justa causa prossegue em França. Unânimes, organizações de trabalhadores e de estudantes marcaram nova jornada nacional de acções para a próxima terça-feira, 28.
Aos poucos, a intensa e persistente resistência popular ao «contrato de primeiro emprego» (CPE), tem obrigado o governo a recuar, convidando ao diálogo e prometendo concessões, sem no entanto abrir mão do seu projecto.
Em resposta ao que qualificam como «obstinação» do executivo, uma dúzia de organizações sindicais de estudantes exigiram a retirada do projecto CPE como condição prévia para a abertura de negociações. Até lá, prometem continuar e ampliar os protestos.
Pela primeira vez desde o início do movimento, a frente intersindical constituída pelas cinco maiores confederações sindicais e as principais organizações de estudantes do superior e secundário emitiram, na segunda-feira, 20, uma declaração conjunta em que fazem prova da sua unidade, convocando uma «jornada de acção nacional interprofissional com paragens de trabalho, greves e manifestações», para a próxima terça-feira, dia 28.
«Não se trata ainda da convocação de uma greve geral interprofissional, mas está muito perto disso», declarou o secretário-geral da FSU, Gérad Aschiéri. De resto, esta Federação Sindical Unitária, a mais representativa no sector da educação, foi uma das primeiras a apelar «à greve maciça».
Também as federações dos ferroviários (CGT e FO) já aderiram ao movimento,
prometendo paralisar a circulação de comboios em todo o país, entre as 20 horas de segunda-feira e as 8 horas de quarta-feira.

Universidades paradas

Do lado dos estudantes, não há igualmente sinais de abrandamento. A vaga de greves e bloqueios nas universidades prossegue pela terceira semana consecutiva. De acordo com dados divulgados pela União Nacional dos Estudantes de França (UNEF), 67 universidades, num total de 84, continuavam em greve no início da semana. Destas 56 estavam totalmente bloqueadas. Onze outras tinham o acesso fortemente condicionado.
Na segunda-feira, 20, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) manifestou em comunicado o seu apoio à retirada do diploma que permite o despedimento sem justa causa aos jovens menores de 26 anos. Entre outros aspectos, o seu secretário-geral, John Monks, denunciou a ausência de «negociações com os parceiros sócias», as quais são intrínsecas «ao modelo social europeu».
No mesmo dia, o patronato francês dava sinais de recuo face à duração, dimensão e amplitude crescente dos protestos. Num encontro com o primeiro-ministro, Dominique Villepin, duas dezenas de chefes de grandes empresas mostraram-se dispostos a apoiar alterações substanciais ao texto, designadamente no que toca à «necessidade absoluta de justificar o motivo do despedimento» e à redução do período experimental para um ano, julgado suficiente para a maioria dos presentes.
Segundo uma sondagem realizada no fim-de-semana, 60 por cento dos franceses desejam a retirada do CPE e, embora 63 por cento dos inquiridos estejam pessimistas, considerando que o governo não irá ceder nesta matéria, uma esmagadora maioria de 69 por cento, qualificam o movimento de protesto «inteiramente justificado» ou «justificado».


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