As prisões do fascismo

«Voz do Silêncio – Prisões Políticas Portuguesas», assim se chama o livro de Pedro Medeiros, que é resultado de um processo de investigação pessoal que o levou a recolher imagens nos espaços do Campo de Concentração do Tarrafal, da Prisão Forte de Peniche, Cadeia do Aljube, Prisão Forte de Caxias e Sedes da PVDE-PIDE/DGS de Lisboa, Coimbra e Porto.
São mais de duas dezenas de fotografias que se constituem em testemunhos que nos interpelam, assumindo-se, como diz o autor no texto de apresentação deste projecto, numa «viagem pelas marcas da memória que persistem no espírito e na voz interior destes lugares».
Dito de outro modo, este é um «revisitar os lugares da tragédia, mas também da dignidade, da solidariedade e do inconformismo», segundo Maria Manuela Cruzeiro, do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, para quem esta «é a nossa forma de reviver o passado, não como efeméride, mas como memória activa».
A apresentação do livro, realizada no dia 25 de Julho, no espaço fórum da FNAC Chiado, em Lisboa, para além daquela investigadora, contou com a presença e testemunho pessoal de António Dias Lourenço, Nuno Teotónio Pereira e João Varela Gomes.


O País envelhece

Mantém-se uma tendência para o envelhecimento da população no nosso País em paralelo com um aumento da esperança de vida, que se situa hoje acima dos 78 anos. É o que indicam os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados dia 7 de Agosto.
De acordo com o INE, «o comportamento demográfico no ano de 2005 é caracterizado pela manutenção da taxa de natalidade em simultâneo com o aumento da taxa de mortalidade, redução da taxa de mortalidade infantil, fraco saldo natural positivo e redução do saldo migratório, e ainda pelo aumento da longevidade».
Por cada 100 jovens existiam no ano passado 110 idosos, enquanto em 2004 este índice era de 109 idosos por 100 jovens, o que traduz um envelhecimento populacional.
Dados relativos ao ano passado indicam que em Portugal residiam 10.569.592 pessoas, das quais 5.115.742 homens e 5.453.850 mulheres.


Cabo Verde não esquece Tarrafal

Foi instituído em Cabo Verde o Dia da Resistência Antifascista. É a 29 de Outubro, data da abertura do antigo campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago, para onde foram deportados inúmeros presos políticos do regime colonial fascista português.
Esta decisão do governo cabo-verdiano, adoptada em resolução do conselho de ministros, prevê igualmente que as instalações daquela sinistra prisão passam a fazer parte do Património Nacional da República de Cabo Verde.
Trata-se, no fundo, com esta medida de grande significado, de reconhecer o «papel histórico e civilizacional» assumido pelo ex-campo de concentração do Tarrafal no processo de emancipação e da conquista da liberdade e da independência dos povos das antigas colónias portuguesas, em particular de Cabo Verde.
«A década de 30 do século XX é caracterizada pela chegada ao poder dos regimes fascistas na Europa», salienta o documento aprovado pelo governo de Cabo Verde, no qual se recorda que é neste contexto que «surgem, um pouco por todo o mundo, os campos de concentração, criados para infligir aos resistentes antifascistas castigos físicos e psicológicos, como forma de os neutralizar, ou mesmo apagar, na luta antifascista».


Sem-abrigo em Portugal

O número de sem-abrigo em Portugal Continental ascende a quase 3.000, de acordo com um estudo efectuado pelo Instituto de Segurança Social, divulgado pelos órgãos de comunicação social no dia 4 de Agosto.
Este estudo, iniciado em 2004 e concluído agora por aquele organismo público, revela que a maioria destas pessoas sem abrigo são homens, solteiros, em idade activa (entre 30 e 59 anos), de nacionalidade portuguesa e com baixo nível de escolaridade.
De acordo com o levantamento efectuado, por distrito, são principalmente quatro as problemáticas associadas a esta realidade dos sem-tecto.
À cabeça (25 por cento) estão os problemas familiares conjugais (conflitos vários, divórcios e falecimentos de pessoas próximas), surgindo em segundo lugar os problemas de saúde (23 por cento) - toxicodependência, alcoolismo, doença física ou mental. A falta de emprego (22 por cento) surge em terceiro lugar, ficando para último o problema de alojamento (17 por cento). Do universo de inquiridos 73 por cento revelaram estar no desemprego há mais de dois anos.


Resumo da Semana