Editorial

«O êxito da Festa do Avante! continua a ser, para muitos, um segredo»

QUE FORÇA É ESTA?

A Comissão Política do Comité Central do PCP, na sua primeira reunião de balanço da Festa do Avante!, sublinhou o enorme êxito da iniciativa – êxito que, para além de confirmar o crescente prestígio da Festa junto de largas camadas da população, evidencia uma cada vez maior influência e capacidade de atracção do Partido na sociedade portuguesa, particularmente no que respeita às massas juvenis que, todos os anos, e este ano de forma impressiva, marcam presença na Festa.
A Comissão Política saúda calorosa e fraternalmente o «nosso grande colectivo partidário» - ou seja, os militantes e simpatizantes do Partido e os militantes e simpatizantes da JCP – que, dando provas de uma elevada consciência partidária, política e ideológica construíram a 30ª Festa do Avante!, festa da militância comunista - e, por isso mesmo, festa da liberdade e da democracia, da fraternidade e da solidariedade, do convívio e da amizade, da cultura e da intervenção política, do trabalho voluntário e da criatividade, da luta e da confiança, da juventude e do futuro.
A CP saúda igualmente os muitos milhares de visitantes não militantes comunistas, cuja presença crescente é expressão de quebra de preconceitos e constituiu um contributo valioso para o enriquecimento do ambiente fraterno, solidário, amigo que percorreu a Festa.

O êxito da Festa do Avante! continua a ser, para muitos, um segredo que alguns remetem para o mito da máquina do PCP, aquela máquina como gostam de dizer, assim deturpando a realidade concreta que é o PCP e as causas essenciais da sua força, da sua eficiência e da sua capacidade. O camarada Álvaro Cunhal abordou esta questão no seu (nosso) livro O Partido com Paredes de Vidro: «O Partido, na sua realidade e no seu funcionamento, é precisamente o invés da máquina. Ou seja: é uma máquina cujo funcionamento, em vez de determinar e comandar a intervenção das várias peças, é por estas determinado. É uma máquina em que cada peça, cada roda, cada êmbolo, cada engrenagem, é um ser humano ou um colectivo de seres humanos, com inteligência, sentimentos e vontade, com independência bastante para auto-determinar a sua acção, com capacidade para dar uma contribuição própria, autónoma e criativa. O Partido não é pois aquela máquina. É um imenso colectivo de homens e mulheres cujo andamento é determinado por todos e por cada um»
Ou, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa na sua intervenção de domingo, num outro ângulo de visão das coisas e reportando-se ao processo de construção da Festa do Avante!: «Quando alguns querem fazer prevalecer valores como o egoísmo, o individualismo sobre o valor da participação, da obra, da acção e do sentir colectivos, que força é esta? O que mobiliza milhares de jovens, homens e mulheres de diversas origens e profissões, sem pagamento ou retribuição material e os transforma em construtores desta fascinante realização – onde cada um partilha com todos o seu esforço e o produto do seu trabalho, com a esperança de que corra bem e os visitantes sintam a Festa como sua? Não pode ser explicado por palavras tudo o que sentem e leva à mobilização de todos esses amigos e camaradas. Mas com certeza podemos afirmar que o seu sentir e o seu fazer irradiam das convicções, dos seus ideais e do seu Partido, do Partido Comunista Português»

Foi esse «imenso colectivo», com o impulso «das convicções, dos seus ideias e do seu Partido», que criou uma das mais belas (se não a mais bela), uma das mais participadas (se não a mais participada), das trinta festas do Avante! E foram esses mesmos factores – existentes na Festa de 1976 e prosseguidos até agora – que fizeram do comício de encerramento da Festa deste ano, seguramente um dos mais impressionantes de sempre, um acontecimento carregado de sinais positivos e de caminhos abertos para o futuro.
Sob um sol escaldante, dezenas de milhares de pessoas ouviram, atentas, a intervenção do secretário-geral do Partido. Não ouviram apenas: participaram activamente, pontuando as afirmações de Jerónimo de Sousa com aplausos (ou assobios, quando o orador se referia a pessoas e a actos que não merecem outra coisa), numa postura de total apreensão do conteúdo da intervenção e de forte sensibilidade política. Sublinhem-se, ainda, em relação a este comício memorável, dois aspectos de enorme relevância. O primeiro relacionado com a fortíssima presença de jovens, tão forte que nem é preciso fazer contas para concluir que parte grande dos muitos milhares de jovens que assistiram ao comício não eram militantes do Partido nem da JCP – estavam ali porque lhes interessava o conteúdo do discurso, estavam ali porque os seus problemas estavam a ser abordados e os seus interesses estavam a ser defendidos; estavam ali porque se sentiam em casa. O segundo aspecto assinalável é o que diz respeito ao facto, invulgar, de à medida que, através do som central da Festa, as palavras do secretário-geral do Partido chegavam a milhares de visitantes, o enorme recinto frente ao Palco 25 de Abril ia ficando cada vez mais cheio.
Tudo isto a confirmar a justeza das opiniões ali defendidas e das propostas apresentadas, visando a ruptura de esquerda com trinta anos de política de direita. Tudo isto a confirmar a disponibilidade dos trabalhadores e das populações para as lutas que essa política de direita nos impõe. Tudo isto a confirmar que «Sim!, é possível. Um PCP mais forte». Tudo isto a confirmar a determinação do colectivo partidário de prosseguir e intensificar as medidas e as acções com vista ao reforço do Partido.


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