Manifestantes contestam governo de Blair no congresso do labour
Protestos às portas do congresso dos trabalhistas
Chegou a hora para Blair
Cerca de 30 mil manifestantes desfilaram no sábado, 23, em Manchester, cidade onde se iniciou o congresso anual dos trabalhistas britânicos, a braços com a sucessão anunciada do primeiro-ministro, Tony Blair.
Vindos de toda a Grã-Bretanha, várias dezenas de milhares de activistas antiguerra ocuparam o centro da cidade de Manchester, respondendo ao apelo da coligação Stop the War (Fim à Guerra). Partiram depois em desfile o centro de conferências com uma mensagem clara para o primeiro-ministro: «É tempo de se ir embora, é tempo de as tropas regressarem a casa, é tempo de uma mudança da política externa britânica, é tempo de Tony Blair e o Partido Trabalhista escutarem o povo da Grã-Bretanha», declarou um dos organizadores do protesto, Andrew Burgin.
Nas proximidades do hotel que acolheu o ainda líder dos trabalhistas, famílias de soldados britânicos mortos instalaram «um campo de paz», com algumas dezenas de tendas, esperando atrair a atenção dos governantes.
O tema da guerra uniu os manifestantes que empunharam cartazes exigindo a saída do primeiro-ministro e condenaram a aliança com os EUA, observando com sarcasmo: «Blair e Bush, irmãos de sangue».

Má memória

Tendo já anunciado que abandonará o governo no próximo ano, Tony Blair, apesar de já estar no seu terceiro mandato não será recordado pelos britânicos como um «grande» primeiro-ministro, segundo uma sondagem publicada no fim-de-semana pelo jornal The Times.
De facto, revela o estudo, apenas seis por cento dos inquiridos consideram que o actual chefe do executivo passará à história como um líder «excepcional». A maior parte dos inquiridos (38 por cento) é de opinião de que será recordado como um «bom» chefe de governo, enquanto 18 por cento afirmam que ficará na memória como um «mau» primeiro-ministro.
Sendo que a participação nas guerras imperialistas no Afeganistão e sobretudo no Iraque constitui a principal causa do desgaste do governo trabalhista e do seu líder, o agravamento das condições de vida é uma realidade para muitos milhões de britânicos. No mesmo estudo do The Times foi perguntado se a situação no Reino Unido melhorou desde que os trabalhistas chegaram ao poder em 1997. Quase metade dos inquiridos (46 por cento) acredita que houve uma melhoria, mas uma percentagem semelhante (41%) não tem dúvidas em afirmar que a vida piorou.

Brown joga ao centro

Na segunda-feira, intervindo perante os delegados trabalhistas, o ministro das Finanças Gordon Brown, assumiu-se claramente como candidato à sucessão do seu amigo Tony. «Saborearei o momento em que vou enfrentar David Cameron e o Partido Conservador», afirmou Brown que se despediu de Blair com um elogio e um reparo: «Foi um privilégio para mim trabalhar com o mais bem sucedido primeiro-ministro deste país». E acrescentou: «É claro que em dez anos surgiram diferenças entre os dois e lamento que isso nos tenha distraído do que realmente interessa».
O resto do discurso dedicou-o ao seu programa político, colocando a tónica na palavra «descentralizar» e no reforço do papel do parlamento, órgão ao qual deverá caber a tomada «decisões tão importantes como fazer guerra e fazer paz».
Para os que ainda tinham dúvidas sobre a sua visão sobre a política externa, Brown esclareceu: «Deixem-me prometer que, no Afeganistão, no Iraque ou onde quer que seja, não haverá lugar para paraísos terroristas», disse o ministro, sublinhando que não pactuará com o «anti-americanismo».
De acordo com uma sondagem publicada no mesmo dia pelo Daily Telegraph, apenas 27 por cento dos britânicos vêem Brown como um bom primeiro-ministro. Neste momento o ministro das Finanças, escocês de 55 anos, é ultrapassado em cinco pontos pelo conservador David Cameron mas também por Tony Blair.
Precisando de todos os apoios, Brown estendeu a mão aos muitos opositores que tem no seio do partido, prometendo-lhes fazer uso de «todos os talentos que tem o nosso partido e o nosso país».


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