Editorial

«todos os avanços civilizacionais ocorridos no século XX têm a sua origem na revolução de Outubro»

ANIVERSÁRIO COM FUTURO

A poucos dias da passagem de mais um aniversário – o 89º - da revolução de Outubro lembramos esse acontecimento maior da história da luta libertadora dos povos.
Como temos sublinhado, tratou-se do primeiro grande passo na difícil, longa e complexa caminhada visando transformar o mundo, substituir uma sociedade velha de milénios assente na exploração, na opressão, na injustiça, na desigualdade, por uma sociedade nova, livre, justa, fraterna, solidária, porque baseada no fim de todas as formas de opressão e de exploração.
Foi neste conjunto de valores, assumidos e postos em prática com a intervenção activa das massas trabalhadoras, num processo de democracia participada como jamais existira, que radicou o êxito inicial da revolução de Outubro. Um êxito que não ficou limitado ao país que a construiu, antes se estendeu à escala de todo o planeta e foi motor decisivo de espantosos progressos económicos, políticos, sociais, culturais. De tal forma que, em rigor, pode dizer-se que todos os grandes avanços civilizacionais ocorridos no século XX têm a sua origem essencial nos ideais e na experiência concreta da revolução de Outubro.
Foi assim com as conquistas históricas alcançadas pelos trabalhadores de todo o mundo, para os quais o processo de construção do socialismo na União Soviética constituiu uma referência fundamental, um poderoso incentivo para a luta e um apoio incondicional a essa luta.
Foi assim quando da derrota do projecto nazi-fascista de domínio do mundo – derrota para a qual a URSS e o povo soviético deram um contributo decisivo, sacrificando pela democracia e pela liberdade mais de vinte milhões de vidas humanas.
Foi assim em todo o processo da luta libertadora dos povos, pela paz, pelo fim do colonialismo e do fascismo – e é importante lembrar que, no caso concreto do nosso País, os antifascistas portugueses tiveram na União Soviética o seu mais solidário aliado na luta contra a ditadura fascista.

O fracasso dessa experiência histórica, com o desaparecimento da União Soviética e o retorno do capitalismo à pátria de Lenine, constituiu um grave retrocesso histórico, uma tragédia civilizacional cujas consequências já conhecidas permitem adivinhar as que se avizinham.
Esse fracasso, cujas causas profundas importa continuar a avaliar, teve origem num vasto e complexo conjunto de factores, donde emergem: a violenta e persistente ofensiva desencadeada contra a Revolução, desde o seu início, por parte do capitalismo internacional; as práticas de afastamento e afrontamento dos ideais comunistas – por isso de perversão da democracia - por parte de governantes que assim se isolaram das massas trabalhadoras e populares, suporte essencial da Revolução; a existência de dirigentes partidários e de governantes que, traindo a confiança que neles depositaram o partido e o povo, se passaram para o campo inimigo, passando a combater o que antes defendiam e a defender o que antes combatiam.
Contudo, se analisarmos a situação que hoje se vive no mundo - se procedermos a uma avaliação entre o antes e o depois do fracasso da tentativa de construção do socialismo na URSS e na comunidade socialista do Leste da Europa – não é difícil constatar que esse fracasso não tornou o mundo mais livre, nem mais democrático, nem mais justo, nem mais pacífico, nem mais humano. Bem pelo contrário, a nova ordem imperialista de cariz totalitário hoje dominante, conduziu a graves regressões civilizacionais traduzidas em crescentes atentados a direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos; em ataques sistemáticos ao conteúdo da democracia e na tentativa de imposição de um modelo feito à medida dos interesses do imperialismo norte-americano – e no qual avultam perigosos traços fascizantes; nas tentativas de criminalização dos ideais de liberdade e de justiça social; no desenvolvimento de práticas belicistas em que os EUA, invocando hipocritamente o pretexto do combate ao terrorismo, se comportam como aquilo que, de facto, são: o maior centro de difusão de terrorismo do mundo visando o seu domínio total.

Nos dias actuais está em curso uma intensa ofensiva ideológica – concebida pelos ideólogos da nova ordem e difundida pelo poderoso polvo mediático, propriedade do grande capital – que tem como objectivo maior a diabolização do ideal comunista de liberdade, justiça e fraternidade, e a santificação do capitalismo explorador, opressor e belicista. A essa campanha há que responder sublinhando o óbvio: que a revolução de Outubro foi o primeiro passo da mais avançada, da mais humana, da mais progressista experiência alguma vez tentada na história da humanidade – e que o fracasso dessa experiência não foi o fracasso dos ideais que a sustentaram, os quais permanecem vivos e cada vez mais actuais, como a evolução da situação todos os dias evidencia.
Vivemos hoje tempos difíceis que colocam obstáculos de enorme dimensão, a todos os que não desistem de lutar pela sociedade justa, livre, solidária e pacífica que, ao longo dos séculos, tem sido o sonho comum da humanidade.
E é com a clara consciência desse realidade que, nas novas condições e face às novas exigências impostas pela situação actual, milhões de homens, mulheres e jovens prosseguem, em todo o mundo, a luta travada por sucessivas gerações de comunistas ao longo de mais de um século. Uma luta que é necessário ampliar e intensificar com determinação e com confiança, mantendo sempre como referência fundamental a revolução de Outubro e os seus ideais libertadores e transformadores.


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