«”Não queremos saber mais do FMI”, garantiu Correa»
Correa vence referendo no Equador
Povo vota constituinte
Quase três milhões e duzentos mil equatorianos aprovaram a realização de uma assembleia constituinte no país, respondendo afirmativamente ao apelo de mudança feito pelo presidente.
Mais de 80 por cento dos equatorianos votou favoravelmente a instalação de uma assembleia constituinte com «plenos poderes» no país. A esmagadora vitória do Sim no referendo proposto pelo recentemente eleito presidente, Rafael Correa, foi confirmada pelo Supremo Tribunal Eleitoral (STE) e já admitida pelos partidos de direita, contrários à redacção de um novo texto fundamental.
A proposta de Correa tem como objectivo a refundação do modelo político, económico e social do Equador, até agora dominado pelo neoliberalismo e seus executantes nos órgãos de poder.
Até ao final do próximo mês de Junho, as diversas forças políticas deveram apresentar as listas concorrentes aos 130 lugares no hemiciclo, prazo após o qual se seguirá a campanha, por um período de 45 dias, informou o STE, e o sufrágio, agendado para meados de Setembro.

Caminho para percorrer

Reagindo à vitória, Correa apontou às tarefas mais imediatas para sublinhar que «faltam muitas mais batalhas para ganhar» e que, por isso, «a prioridade é construir a unidade nas candidaturas visando formar uma força patriótica e progressista», mas foi avisando que «na assembleia constituinte, muitos se apresentarão ora como redentores, ora como coveiros».
Correa considerou ainda o resultado uma vitória da democracia e do povo que, disse, não só já «não se deixa enganar», como confia que tem «um governo e um presidente que sabem servir de instrumento de poder popular e se manifestam dispostos a impedir que se volte a instalar no país um modelo de poder estrangeiro».
Na mesma linha, o ministro Gustavo Larrea dirigiu-se aos sectores conservadores da sociedade equatoriana apelando-lhes para que «cessem o ataque ao governo nacional e compreendam, definitivamente, que não têm nenhum apoio popular e que o país quer a mudança», processo que Larrea considerou «irreversível».

Capital sem espaço de manobra

Na conferência de imprensa realizada, domingo, a partir de Guayaquil, o chefe de Estado andino revelou ainda que o país vai deixar de ter relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
«Na próxima quinta-feira pagaremos nove milhões de dólares e não queremos saber mais do FMI», explicou Correa. Quanto à polémica levantada nos últimos dias de campanha em torno do relacionamento com o Banco Mundial (BM), Correa esclareceu que «a nossa ideia passa por diminuir o nível de endividamento por forma a deixar de depender dessa instituição», a qual, aduziu, «acreditamos ter sido nefasta para o país».
Por último, o presidente revelou que vai expulsar o representante do BM em Quito. Em causa está uma suposta tentativa de suborno a Correa, em 2005, quando este exercia as funções de ministro da Economia.


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