Editorial

«A CDU foi a única força capaz não apenas de resistir mas de resistir crescendo»

MAIS FORÇA PARA CONTINUAR A LUTA

O magnífico resultado obtido pela CDU nas eleições de domingo passado na Região Autónoma da Madeira, constitui o dado mais relevante e significativo daquele acto eleitoral. Tratou-se da maior votação de sempre alcançada na Região pelos comunistas e os seus aliados do PEV e independentes – assim dando continuidade a um crescente e seguro aumento de influência eleitoral que, de há anos a esta parte, se vem registando. Dessa expressiva votação decorre o facto - que importa assinalar e realçar pela enorme importância de que se reveste – de, pela primeira vez, a CDU ter passado a ser a terceira maior força eleitoral na Região, ultrapassando o CDS/PP – que desde 1976 ocupava essa posição – e dando um significativo passo em frente na consolidação e reforço da sua influência eleitoral. Foi graças a esses resultados que a CDU voltou a eleger dois deputados, apesar da redução em 21 do número total de deputados a eleger. E a superação desta dificuldade não é de somenos importância, bem pelo contrário constitui um êxito assinalável.
Estes resultados ganham ainda maior relevância e mais profundo significado se considerarmos que foram obtidos num quadro político-eleitoral particularmente complexo e difícil. Com efeito, o forte e negativo avanço eleitoral do PSD – ao qual a CDU foi a única força capaz não apenas de resistir mas de resistir crescendo – foi consideravelmente facilitado pela política do Governo PS/Sócrates, nomeadamente impondo uma lei de finanças regionais contrária aos interesses das regiões autónomas – uma lei que, criando reais dificuldades financeiras à região, permitiu que Alberto João Jardim representasse demagogicamente o papel de vítima, escondendo, assim, as graves responsabilidades do PSD no agravamento da situação económica e social da Madeira.

É, então, essencialmente à luz da política de direita levada a cabo pelo Governo PS/Sócrates que deve ser lido o resultado obtido pelo PSD – esperado e, como se esperava, conseguido no habitual quadro de abusos de poder e de desrespeito por direitos democráticos fundamentais. Isto, não obstante a cumplicidade, o apoio e a execução de práticas semelhantes do PSD no que a essa política diz respeito já que, como é sabido, PS e PSD são, há mais de três décadas, os executantes de serviço à política de direita, numa alternância que a ambos convém disfarçar fraudulentamente de alternativa para melhor responderem aos interesses do grande capital dominante. Neste caso, foi o PSD a colher os frutos da fraude, capitalizando injustamente em seu favor justos descontentamentos dos trabalhadores e das populações. E ao PS calhou, desta vez, pagar os custos da prática dessa política de direita e das suas consequências dramáticas para a imensa maioria dos portugueses. Na realidade, é aí – e cumulativamente na sua descredibilização regional - que encontraremos a explicação para a significativa quebra do PS, traduzida na perda de mais de 16 mil votos, 12 pontos percentuais e cerca de 45% da sua massa eleitoral.
Tudo isto a confirmar a premente necessidade, insistentemente sublinhada pelo PCP, de uma mudança de política, da substituição desta política frontalmente contrária aos interesses dos trabalhadores, do povo e do País por uma política de esquerda, precisamente ao serviço desses interesses. Tudo isto a confirmar e a tornar mais evidente a necessidade do prosseguimento e da intensificação da luta por esse objectivo.

Este excelente resultado da CDU é fruto de um amplo, persistente, dedicado e intenso trabalho que, ao longo dos anos, tem vindo a ser desenvolvido pelos militantes comunistas e pelos seus aliados na região – um trabalho de estreita ligação aos trabalhadores e às populações e aos seus problemas, anseios e reivindicações; um trabalho feito de abnegação e de entrega à luta pela defesa dos direitos sociais e humanos; um trabalho que tem constituído um paciente e lúcido desbravar do difícil terreno dos preconceitos; um trabalho que, sublinhe-se, é singular no quadro partidário da região - tanto quanto o é a actividade dos comunistas em todo o território nacional. É, pois, nessa postura combativa que se situam as razões essenciais do reforço e crescimento obtidos pela CDU nas eleições regionais.
É certo – e sabemo-lo por experiência própria - que nem sempre há uma correspondência directa entre bom trabalho realizado e votos obtidos. Muitas vezes as múltiplas armadilhas desta democracia em que vivemos, conduzem a terríveis injustiças. Mas não é menos certo que sem esse bom trabalho, não há bons resultados eleitorais. É nessa forte ligação aos trabalhadores e às massas populares; nessa postura de luta constante pela defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações; nesse encarar de frente e com determinação todas as situações que se nos deparam, por mais difíceis que elas sejam, que se encontram os caminhos que abrem caminho à superação dos obstáculos que se nos deparam.
Assim, os resultados obtidos pela CDU criam novas e melhores condições para a luta do Partido na Região Autónoma da Madeira ao mesmo tempo que constituem um importante estímulo para o necessário empenhamento de todo o colectivo partidário nas muitas tarefas que tem pela frente – e das quais emerge, com importância maior, a relevante tarefa de construir a Greve Geral de 30 de Maio.


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