PCP rejeita voto por Ieltsin
O Grupo Parlamentar do PCP esteve contra um voto de pesar apresentado pelo CDS/PP pela morte de Boris Ieltsin, acusando os seus autores de usarem esta iniciativa «como arma de arremesso política - o que não prestigia a Assembleia da República».
Bernardino Soares lembrou que Ieltsin «foi um firme aliado do ocidente e dos Estados Unidos», de que «foi um instrumento útil», sendo responsável por uma «política económica e social desastrosa» que fez «recuar dez anos a esperança média de vida dos russos e que gerou vários conflitos regionais».
«Foi também aquele que mandou bombardear o Parlamento eleito, quando este contestou algumas das suas decisões», salientou o presidente da bancada do PCP, que recordou ter sido também Yeltsin que «transferiu património público para uma oligarquia, muitas vezes associada a actividades criminosas».
O voto do CDS/PP foi igualmente contestado pelo BE - «precipitado», assim o classificou Luís Fazenda - e pelo Partido Ecologista «Os Verdes» que considerou pela voz do deputado Madeira Lopes que Ieltsin deixou «uma herança de miséria na Rússia, com a proliferação da corrupção».
Visão distinta dos acontecimentos teve o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, para quem a canhoada ao Parlamento russo em Agosto de 1991 foi um «gesto de Boris Ieltsin para travar a tentativa de golpe no sentido de parar o processo de democratização da Rússia».
Para além dos seus subcritores, o texto recebeu os votos favoráveis do PS e PSD.


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