«A crise económica e social é terreno fértil ao reaparecimento de ideias de cariz fascista»
Encontro Nacional de Núcleos da URAP
Mobilizar para a luta antifascista
A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) promoveu, sábado, em Lisboa, um Encontro Nacional de Núcleos donde sobressaiu a vitalidade da organização na luta antifascista.
Esclarecer e mobilizar um cada vez maior número de democratas para o combate aos valores fascistas e para a luta contra a imposição de uma versão reescrita da história contemporânea de Portugal foram algumas das conclusões apuradas na iniciativa da URAP.
Durante pouco mais de três horas de trabalho, os cerca de 50 activistas e associados que estiveram no Museu República e Resistência em representação do vários núcleos, analisaram e discutiram as tarefas mais candentes e as principais orientações da organização, donde se destacam a empenhada revitalização das estruturas locais e a abertura de uma frente de trabalho especificamente direccionada para os mais jovens, principais vítimas da campanha de branqueamento da ditadura em curso.
Intervindo no Encontro, Aurélio Santos sublinhou precisamente que a força e insistência das tentativas de branqueamento histórico do fascismo exigem da URAP uma viva acção de reposição da verdade explicando o que realmente foi o fascismo e quais as razões que estiveram na base da sua imposição em Portugal durante 48 anos, sobretudo se considerarmos que a actual conjuntura de crise económica e social é terreno fértil ao reaparecimento de ideias de cariz fascista, xenófobo e racista.
Para o Coordenador do Conselho Directivo da URAP, parte da visibilidade da campanha pode ser assacada à promoção por parte da comunicação social das acções recentes de grupos neo-nazis e fascistas, situação que contrasta com o permanente silenciamento das posições e iniciativas da URAP.
Em curso está a também a concretização de um Museu da Resistência ao fascismo, o qual ficará sediado em Peniche, tendo para tal já sido subscrito um protocolo com a autarquia.

Alargar a influência

Com o objectivo de proporcionar a divulgação e troca de informações, foi inaugurada, simbolicamente no dia 25 de Abril, a página da URAP na Internet, espaço que, explicou Ana Pato, não é um fim em si mesmo mas um instrumento de trabalho voltado para a acção e o alargamento da influência da URAP. Entre os conteúdos estão apontamentos sobre a história da organização e da resistência ao fascismo, a publicitação das actividades centrais e dos núcleos, as notícias mais relevantes e uma secção de cultura onde se podem encontrar livros recomendados, poesia e biografias de antifascistas.
Em www.urap.pt, é ainda possível subscrever o abaixo-assinado contra a construção em Santa Comba Dão do chamado Museu Salazar, documento que conta já com mais de dez mil subscrições mas que importa continuar a promover.
Na mesma toada mobilizadora e de crescimento da força da URAP intervieram diversos activistas que deram a conhecer a actividade desenvolvida pelos núcleos. Exposições, debates, visitas às escolas nos diversos graus de ensino são iniciativas de sucesso que devem ser estimuladas, até porque o objectivo é chegar mais longe e a mais pessoas cumprindo a linha de trabalho que afirma a URAP não apenas como a organização dos que resistiram ao fascismo, mas também dos que se mantêm e manterão na primeira linha da resistência, em prol da unidade das forças democráticas e em defesa dos valores de Abril.


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