Editorial

«Quando dizemos que a CDU é a alternativa não estamos a utilizar um slogan eleitoral»

LISBOA PRECISA DA CDU

Na campanha das eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa, voltou à baila, trazido por António Costa, o tema do «sectarismo do PCP» - que é , como se sabe, tema recorrente por parte do PS sempre que, especialmente em campanhas eleitorais, quer justificar a inevitabilidade do conteúdo de direita das políticas que leva à prática quer nas autarquias quer nos governos.
Jerónimo de Sousa, secretário geral do PCP, e Ruben de Carvalho, candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, deram-lhe a resposta necessária, no domingo, na Ajuda. O truque de Costa é velho: para tentar captar votos de esquerda; para tentar afastar da votação na CDU homens e mulheres que, sinceramente, desejam entendimentos entre as forças à esquerda do PSD - o PS atira para cima do PCP as responsabilidades pelo facto de esses entendimentos não se concretizarem. E fá-lo fugindo à abordagem da verdadeira questão em causa, a saber: a política que o PS pratica no Governo e nas autarquias, uma política de direita que, para além disso, é abusiva e fraudulentamente praticada em nome da esquerda. É essa política de direita e não o pretenso «sectarismo do PCP», a única responsável pela inexistência de entendimentos.
Alguém imagina os eleitos da CDU a entenderem-se com os do PS para que o partido do Governo dê continuidade, na CML, à política que faz no Governo? Repare-se, por exemplo, que, como sublinhou Ruben de Carvalho, uma das primeiras preocupações de António Costa candidato à CML, foi a de anunciar despedimentos de trabalhadores. Obviamente, a preocupação de Costa não surpreende: é isso que ele sabe fazer, é isso que tem vindo a fazer no Governo do qual saiu um dia destes e ao qual voltará um dia destes.
E também não surpreende que os eleitos comunistas, frontal e claramente, rejeitem qualquer entendimento para uma política com essas características.

Como sempre disse – e sempre cumpriu - o PCP não participa em entendimentos com o objectivo de formar maiorias aritméticas para fazer não se sabe que política. E como sempre disse – e sempre cumpriu – o PCP está aberto a todos os entendimentos em torno de projectos que tenham como prioridade primeira a defesa dos interesses das populações.
É claro que António Costa, sabendo que é assim, vai continuar a fingir que não sabe, fugindo ao cerne da questão para tentar iludir segmentos importantes do eleitorado de esquerda. Por isso, é indispensável que os lisboetas – homens, mulheres e jovens de esquerda, homens, mulheres e jovens que, independentemente das suas opções políticas ou partidárias, amam a sua cidade – não se deixem iludir por essas manobras de caça ao voto e, nas próximas eleições, votem em quem sempre defendeu – e, assim, dá garantias de continuar a defender – os interesses de Lisboa e dos lisboetas.
De entre os restantes candidatos há que referir os dois que, directa ou indirectamente, provêm da área do PSD: Carmona Rodrigues e Fernando Negrão. O primeiro já mostrou abundantemente o que não vale e a sua candidatura soa com autêntica sinal de alarme para a cidade: o segundo, não passa de uma promessa garantida e para cumprir de trazer a Lisboa o mais do mesmo com que os seus antecessores têm vindo a destruir a cidade e provocaram estas eleições intercalares.
Quanto a Helena Roseta e Sá Fernandes, que têm a demagogia como principal projecto para a cidade, parecem saídos da mesma forma. Helena Roseta, apresenta-se como «independente», faz dos partidos o alvo da sua campanha e promete, para Lisboa, o paraíso. Ouvindo-a, ninguém diria que ela já foi militante de dois partidos – e que só é candidata «independente» porque o último partido a que pertenceu não a quis como candidata. Ouvindo-a falar dos seus projectos para Lisboa, ninguém diria que a sua experiência como presidente de uma câmara se traduziu numa tragédia para o concelho e respectivos munícipes.
Sá Fernandes, candidato do BE, também se apresenta como independente – o que facilita imenso a vida eleitoral ao candidato e ao partido que o apoia: assim, independente, Sá Fernandes, dá um contributo notável para livrar o BE das responsabilidades reais que teve na situação de degradação da CML ao votar favoravelmente, na anterior Assembleia Municipal, o célebre negócio Bragaparque que, como é sabido, está na origem da realização destas eleições intercalares.

Quando dizemos que a CDU é a alternativa não estamos a utilizar um slogan eleitoral. Estamos a dizer uma verdade confirmada por décadas de prática autárquica na cidade de Lisboa e que pode dividir-se em três períodos distintos: o primeiro, traduzido num combate constante aos desmandos de Abecassis – desmandos que, recorde-se, sempre contaram com apoios dos eleitos do PS; o segundo período, foi o da construção e aplicação de um projecto autárquico na base de um entendimento com o PS na coligação por Lisboa - na qual, recorde-se, o PCP (então com muito maior expressão eleitoral do que o PS) aceitou o encabeçamento da lista por um elemento do PS e exigiu, em contrapartida, um programa eleitoral ao serviço de Lisboa e dos lisboetas; o terceiro período, o mais recente, foi o do combate à política devastadora de Santana Lopes e de Carmona Rodrigues – política com a qual o PSD contou com apoios decisivos por parte de eleitos do PS.
A cidade e os seus habitantes deverão exigir, no dia 15 de Julho, que o período que se segue seja o de uma prática autárquica na CML que corresponda aos seus interesses e direitos. Para isso deverão votar na CDU


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