Editorial

«Milhões de trabalhadores têm na Revolução de Outubro a referência essencial da sua luta»

OUTUBRO SEMPRE

A intensa ofensiva em curso, visando a criminalização da Revolução de Outubro e dos ideais que a fundamentaram, é a demonstração mais evidente da sua importância enquanto acontecimento maior da história da Humanidade e da inequívoca actualidade do ideal comunista.
O mesmo pode dizer-se dos ataques – em muitos casos com aquele toque de ameaça a fazer lembrar tempos que em Abril, Abril venceu – desferidos pelos propagandistas encartados do grande capital, contra os que ousam comemorar o aniversário da primeira grande tentativa de construção de uma sociedade nova – porque liberta de todas as formas de opressão e de exploração.
Temos presente o destempero com que a generalidade da comunicação social dominante - mais os seus sucedâneos que empestam a blogosfera - verteu raivas e ódios, por ocasião da última Festa do Avante!, contra as comemorações da Revolução de Outubro ali levadas a efeito. Só faltou fazerem… o que a revolução libertadora de Abril não lhes permite, nem permitirá, que façam.
Saibam, então, por muito que lhes custe – e custa, ó se custa! – que nós, comunistas portugueses, não apenas comemoramos com orgulho esta data marcante da história universal, como assumimos frontalmente que a nossa existência, a nossa razão de ser e de lutar, e o projecto de sociedade que constitui o nosso objectivo maior – aqui, em Portugal, com a classe operária, os trabalhadores, o povo - têm as suas raízes essenciais nos valores, nos princípios, nas experiências, nos ensinamentos, nos êxitos da Revolução Socialista de Outubro.
Saibam, então, por muito que lhes custe – e custa, ó se custa! – que, neste 90º aniversário de Outubro, o PCP assume, com orgulho, que a sua criação, em 1921, teve como fonte de inspiração essencial o Partido de Lenine, vanguarda revolucionária da classe operária russa e construtor da gloriosa Revolução de Outubro – e assume com igual orgulho que essa inspiração foi força motriz da luta travada, nas mais diversas circunstâncias, nos seus oitenta e seis anos de vida, e do processo que levou à construção inovadora e criativa do PCP como «partido leninista definido com a experiência própria», segundo a definição do camarada Álvaro Cunhal.

Saibam, também, esses propagandistas da exploração e da opressão – e sabem, ó se sabem! - que não estamos sozinhos nesta luta: que milhões e milhões de trabalhadores, à escala planetária, têm como referência dominante da sua luta a Revolução de Outubro e o vasto conjunto de direitos e conquistas sociais, económicas, políticas, culturais dela nascidos e que viriam a estender-se, progressivamente, através da luta estimulada, ela própria, pelo exemplo da Revolução de Outubro, a milhões de trabalhadores de outros países, inclusive dos países capitalistas mais desenvolvidos.
Que saibam, ainda, que os povos do mundo não esquecerão o papel determinante da União Soviética na derrota do nazi-fascismo; no apoio à luta vitoriosa dos povos colonizados; no apoio solidário aos que resistiram às ditaduras fascistas instaladas e apoiadas pelo capitalismo internacional – e especialmente pelo imperialismo norte-americano – em dezenas de países.
O ódio e a raiva ao primeiro grande passo na criação de um Estado proletário; a sanha de criminalização do comunismo e do ideal comunista; as patranhas que apresentam o capitalismo como etapa última da história da Humanidade, radicam, tão-somente, no facto de a Revolução de Outubro ter mostrado que há uma alternativa ao capitalismo – sistema cuja essência criminosa é evidente na sua natureza exploradora e opressora. E que essa alternativa é o socialismo e o comunismo – a sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração.

A derrota desta experiência revolucionária e as interpretações dadas a essa derrota pelos propagandistas do capitalismo dominante, constitui a base fundamental da poderosa ofensiva ideológica em curso - ofensiva que ocupa lugar de relevo no processo de revisão contra-revolucionária da história das revoluções promovido e financiado pelo grande capital dominante.
A resposta a essa ofensiva apresenta-se como exigência imperiosa para os comunistas e é parte integrante, e maior, da luta que travam todos os dias e do esforço para a indispensável atracção a essa luta de amplos segmentos das massas trabalhadoras.
Para essa resposta, e para a sua eficácia, o aprofundamento das causas da derrota da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa é uma questão crucial.

A realidade actual evidencia flagrantemente a necessidade indispensável da existência de partidos comunistas firmes na assunção da sua natureza de classe, nos seus ideais e princípios, influentes, ligados às massas, e incorporando sempre, nas suas lutas por objectivos imediatos, o projecto de sociedade socialista que constitui o seu objectivo maior.
É essa a postura do PCP – hoje, como ao longo dos seus oitenta e seis anos de vida e de luta. Foi nessa perspectiva que definimos como tarefas essenciais do colectivo partidário, na situação presente, o desenvolvimento da luta de massas e o reforço do Partido – objectivos complementares e, em ambos os casos, só possíveis através de uma cada vez mais estreita e mais sólida ligação à classe operária e aos restantes trabalhadores, com a célula comunista a preencher o espaço de classe que lhe pertence nas empresas e locais de trabalho. Um espaço que é seu e que nenhuma outra estrutura, seja de que tipo for, tem condições para preencher.


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