Editorial

«O trabalho colectivo dá muito trabalho... mas é o mais produtivo»

O PARTIDO ESTÁ MAIS FORTE

Ano de congresso é, regra geral, ano de realização de assembleias das organizações do Partido. E é isso que está a acontecer actualmente, como pode constatar-se nas várias edições do Avante! desde o início deste ano.
De norte a sul do País, milhares de militantes comunistas têm vindo a participar nas reuniões do órgão máximo da sua organização e a proceder à análise colectiva da situação nacional e local; ao balanço do trabalho realizado desde a anterior Assembleia; à definição de linhas de trabalho e de orientações políticas para o futuro – para além de elegerem o organismo que assegurará a direcção do trabalho partidário no futuro imediato.
São assembleias de organizações distritais, concelhias, de freguesia, de sectores profissionais, de empresas e locais de trabalho, enfim, de todos os espaços onde o Partido existe e a sua intervenção se faz sentir - e se quer que ela seja mais forte e melhor organizada.
São reuniões no decorrer das quais os colectivos partidários respectivos procuram os melhores caminhos para o desenvolvimento da sua actividade local, com a consciência de que esses são igualmente os caminhos que conduzem ao reforço do Partido à escala nacional.
São realizações singulares no quadro partidário nacional, na medida em que em nenhum outro partido político ocorre tal demonstração de prática colectiva, de militância consciente, de funcionamento democrático interno.
Por isso, de todas estas assembleias emergem como objectivos fundamentais o reforço do Partido e a dinamização da sua actividade – reforço que passa sempre por uma mais intensa e ampla ligação às massas; dinamização que passa sempre pela intensificação da acção dos militantes comunistas no contributo imprescindível para o desenvolvimento da luta de massas; reforço e dinamização que passam sempre por uma prática democrática que tem na participação militante uma das suas fontes de força essenciais.
Não há dúvida: o Partido está mais forte. Mas é necessário que seja ainda mais forte.

Nesse sentido, os objectivos de trazer ao Partido mais militantes – e particularmente militantes jovens – de aumentar a militância e de criar mais e mais células partidárias nas empresas e locais de trabalho, apresentam-se como questões de importância primordial.
Que há condições objectivas para isso, mostra-o, quer a evolução no recrutamento de novos militantes nos últimos tempos – milhares de novos camaradas aderiram ao Partido desde o XVII Congresso - quer o sensível aumento da militância verificado, quer, ainda, os avanços conseguidos no desenvolvimento do trabalho junto dos trabalhadores.
Significativo é o facto de, apesar das enormes dificuldades existentes em matéria de criação de células do Partido nas empresas – dificuldades que decorrem do clima de intimidação, de chantagem, de repressão, de ausência de liberdade e de democracia, em milhares de empresas por todo o País - também aí as coisas terem avançado. E é importante sublinhar que esses avanços estão na razão directa do contributo decisivo dado pelos militantes comunistas para o desenvolvimento e intensificação da luta dos trabalhadores pela defesa dos seus interesses e direitos, contra a política de direita e por uma política alternativa e uma alternativa política. Contributo que, na situação actual, é bem visível nos esforços desenvolvidos pelos militantes comunistas com vistas ao êxito do Aviso Geral promovido pela CGTP –IN - ontem no Porto, hoje em Lisboa - e das comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio – jornadas de luta que são pontos de passagem para as lutas que aí vêm e que é necessário que sejam fortes e fortemente participadas.

Estas assembleias das organizações constituem, igualmente, um passo importante no processo preparatório do XVIII Congresso do Partido – tarefa prioritária do colectivo partidário neste ano de 2008.
São conhecidas as exigências e a complexidade que comporta a realização de um Congresso num partido em que o colectivo é quem mais ordena. Mostra-nos a experiência que o êxito de qualquer congresso do Partido radica sempre na amplitude do empenhamento do colectivo partidário nas diversas fases do processo preparatório.
Seria simples e fácil fazer um congresso no qual, como acontece nos restantes partidos, participa apenas um (ou dois) pequenos núcleos de «cérebros» que se encarregam de decidir por todos – e em que a maioria dos membros é chamada apenas a votar nas propostas de cada um desses núcleos, sem possibilidade de qualquer interferência no conteúdo das orientações que aprova.
Outra coisa é construir um congresso à maneira comunista, um congresso em que se procede a uma profunda análise da situação internacional, das suas evoluções e previsíveis desenvolvimentos, das suas perspectivas. Outra coisa, ainda, é construir um congresso em que se analisa rigorosamente a situação política, económica e social do País, se traçam linhas de intervenção ajustadas a essa situação e se definem objectivos e caminhos para os alcançar.
E para a construção de um congresso como é o do PCP, não há outro caminho que não seja o de uma ampla e criativa participação militante, geradora de um amplo debate colectivo cuja síntese traduza a opinião do colectivo partidário e que, transformada em linhas de orientação e intervenção, constituirá a vontade colectiva a ser aplicada colectivamente.
O trabalho colectivo dá muito trabalho… mas é o mais produtivo. Entre outras coisas porque ele é a base essencial de um funcionamento interno verdadeiramente democrático.


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