Editorial

«O 1º de Maio confirmou que a luta vai continuar mais forte e mais participada»

LUTAR, LUTAR SEMPRE

Ao apelo da GTP-IN, os trabalhadores vieram para a rua comemorar o 1º de Maio em cerca de cinquenta localidades do País e fizeram do Dia do Trabalhador uma importante jornada de luta contra a política de direita ao serviço dos interesses do grande capital e por uma política de esquerda ao serviço dos interesses da maioria dos portugueses.
Naturalmente, as manifestações e concentrações assumiram maior expressão em Lisboa e no Porto – sendo de sublinhar, no entanto, que na totalidade das iniciativas participaram mais de 150 mil trabalhadores.
Na capital, o desfile do Martim Moniz à Alameda Afonso Henriques – retomando um percurso bem conhecido das massas trabalhadoras – constituiu uma impressionante manifestação de força e determinação, uma garantia firme de que a luta vai continuar mais forte e mais participada - e com o recurso às formas de luta que a situação exija.
É nessa perspectiva, e interpretando fielmente o estado de espírito das massas, que deve ser vista a decisão anteontem tomada pelo Conselho Nacional da CGTP-IN de convocar uma grande manifestação nacional para 5 de Junho, em Lisboa.

A generalidade da comunicação social dominante, cumprindo o seu papel de porta-voz dos interesses do grande capital, tratou a jornada de luta do 1º de Maio como é seu hábito: com os habituais silenciamentos, deturpações e manipulações.
Foi nessa postura que se desfez em cânticos e loas à manifestação organizada pela UGT, super-valorizando-a pela «novidade» que representaria e silenciando o facto de se tratar de uma mobilização nacional – enquanto assobiava para o ar face à meia centena de iniciativas promovidas pela CGTP-IN…
Assim sendo, não surpreende que a também generalidade dos politólogos e analistas – sempre tão propensos a científicas futurologias… – tenha fingido não saber aquilo que sabe que vai acontecer: que a UGT, cumprindo o seu papel divisionista e de correia de transmissão dos interesses do grande capital, irá alinhar totalmente com o Governo, em matéria da legislação laboral anunciada – e que o inusitado «esforço» para, no 1º de Maio, ir para a rua, não pretende outra coisa senão preparar as condições para bem cumprir o papel que lhe está reservado.
Aliás, como sempre tem acontecido desde que, há mais de três décadas, foi criada pelos protagonistas da política de direita (PS, PSD e CDS) com fortes apoios das centrais internacionais do divisionismo sindical.
E que a central divisionista continua a iludir trabalhadores, prova-o as declarações de vários dos participantes na manifestação que, às televisões que os entrevistavam, afirmavam ter vindo a Lisboa para protestar contra a política do Governo e contra o código laboral e para exigir uma mudança de política…

Na véspera do 1º de Maio, na Assembleia da República, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou a importante e significativa decisão do Partido de, através do seu Grupo Parlamentar, apresentar uma moção de censura ao Governo PS e à sua política.
Trata-se de uma decisão de profundo conteúdo político, tomada com a consciência plena da correlação de forças existente na Assembleia da República e com idêntica consciência sobre a indispensabilidade de a tomar.
Trata-se, por isso, de uma iniciativa que é parte integrante da luta que as massas trabalhadoras têm vindo a desenvolver – luta que tem sido determinante quer como obstáculo à concretização plena dos intentos do Governo; quer na obtenção de vitórias de inegável alcance e importância; quer para quebrar a arrogância do primeiro-ministro e dos seus ministros; quer, enfim, para afirmar a crescente necessidade de um política alternativa.
Trata-se de uma moção de censura que visa condenar e denunciar com firmeza a política de direita que há 32 anos vem flagelando Portugal e os portugueses - e que com o actual Governo atinge os mais elevados índices de devastação das condições de trabalho e de vida dos portugueses, do conteúdo democrático do regime, da independência e da soberania nacional.
Trata-se de uma moção que visa alertar os portugueses para a gravidade da situação existente e para a necessidade – e possibilidade – de lhe pôr termo já que, como a realidade tem evidenciado, não basta mudar de siglas partidárias em cada eleição – ora agora governa o PS, ora agora governa o PSD, fingindo-se diferentes mas ambos fazendo, no essencial, e mesma política de direita – sendo necessário, isso sim, mudar de política.
Trata-se de uma moção que visa ser porta-voz de todos os descontentamentos evidenciados pelas centenas e centenas de milhares de portugueses que, ao longo dos últimos meses, em diversificadísimas acções de protesto e de exigência, vieram para a rua – e também de muitos outros que, por razões várias, calaram para si esse descontentamento.
Trata-se de uma moção que, por tudo isto, visa tornar clara a necessidade de uma ruptura com esta política comum aos dois partidos que a vêm executando em alternância há 32 anos – uma ruptura de esquerda que devolva aos trabalhadores, ao povo e ao País os caminhos de justiça social, de liberdade e de democracia, de independência e soberania, abertos pela Revolução de Abril.
Trata-se, ainda, de uma moção que, como não poderia deixar de ser, sublinhará perante o País a gravidade das recentes propostas do Governo para a legislação laboral
Trata-se, enfim, de uma moção que radica na convicção profunda de que a luta de massas é caminho decisivo para derrotar a política de direita e impor a alternativa necessária.


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