Quem manda nas televisões cala o PCP
O silenciamento em factos
No mês de Maio a evidente exclusão do Partido dos principais noticiários da RTP, da SIC e da TVI levou a que, na semana passada, seguisse para as respectivas direcções de Informação um protesto formal. Aqui apresentamos mais alguns factos sobre o silenciamento dos comunistas no pequeno écran.
Maio foi um mês de fortíssima actividade e iniciativa política do PCP, quer na denúncia da ofensiva do Governo contra os trabalhadores e o povo português, quer na afirmação das propostas dos comunistas para resolução dos graves problemas do País. A intervenção do Partido ocorreu na Assembleia da República (foi neste mês apresentada uma moção de censura ao Governo) e no Parlamento Europeu, mas ganhou igualmente expressão na participação de Jerónimo de Sousa em várias iniciativas.
Objectivamente, trata-se de uma actividade partidária que não tem paralelo na vida política nacional. Com igual objectividade, a simples contagem das notícias em que surge o PCP, nos dois noticiários mais vistos (às 13 e às 20 horas) dos três principais canais, revela que aos telespectadores foi mostrado outro quadro, muito empobrecido.
Para esta análise, não se recorreu a mecanismos e métodos mais elaborados. Não foi levado em consideração um muito importante conjunto de dados (como a duração destas presenças televisivas, ou os traços principais do seu conteúdo), que certamente acentuariam o retrato do tratamento discriminatório.
Esta simples contagem foi suficiente para concluir que o PCP ficou completamente ausente dos noticiários das 13 e das 20 horas, durante 12 dias na RTP1, 14 dias na TVI e 22 dias na SIC. Os «dias zero» do Governo foram 6 na RTP, 5 na TVI, e 3 na SIC. Apenas houve um dia em que a TVI não falou do PSD, que teve 6 dias sem referências na RTP e 8 «dias zero» na SIC.
Os dias em que não existiu PCP nas notícias das três estações incluiram o fim-de-semana (dias 3 e 4) em que Jerónimo de Sousa esteve com emigrantes, em França e no Luxemburgo. Não foi noticiado o Encontro Nacional do PCP sobre educação (dia 31). O primeiro dia de Junho já teve a mesma marca, com todas as televisões a ignorarem o grande comício, em Guimarães, que culminou a visita do secretário-geral ao Vale do Ave.
Além do encontro sobre educação, a SIC e a TVI ignoraram por completo:
– o encontro nacional sobre os direitos das mulheres (dia 10),
– o encontro de Jerónimo de Sousa com jovens militantes do PCP, no âmbito da preparação do 18.º Congresso (dia 13),
– a homenagem a Catarina Eufémia, em Baleizão (dia 25),
– e a marcha de protesto contra o aumento custo de vida, em Queluz (dia 28).
O encontro do secretário-geral do Partido com orizicultores do Baixo Mondego, na Figueira da Foz (dia 23), passou em branco na RTP e na TVI.
No dia 1 de Maio, nos seis noticiários contados, apenas surgiu uma presença do PCP. E, realmente, os dias em que, nos dois noticiários principais, o PCP surgiu apenas uma vez (ou às 13 ou às 20 horas), preenchem mais uma boa parcela do mês: 9 dias na RTP1, 10 dias na TVI, e 7 dias na SIC. Entre estes dias incluem-se as datas em que ocorreram duas importantes assembleias de organização do PCP, no concelho de Almada (dia 11) e no distrito de Aveiro (dia 17).
Temos assim um quadro que nos diz que, nos 31 dias de Maio, a iniciativa política do PCP esteve ausente ou teve uma presença residual (foi feita apenas uma referência num dos noticiários principais) durante 29 dias na SIC, 24 dias na TVI e 21 dias na RTP1.
Nos dois dias restantes na SIC, o PCP surgiu uma vez em cada noticiário. Nesta estação não houve um só noticiário em que o PCP fosse referido mais do que uma vez.
Na RTP1, houve, no máximo, três referências ao Partido num só dia e isso sucedeu duas vezes durante o mês.
Na TVI, obtido uma vez o recorde de seis notícias por dia, nunca mais foi ultrapassado o limite de duas.
No protesto enviado aos directores de Informação, o PCP declarou que não se conforma com esta situação, expressou o protesto contra o deliberado silenciamento do Partido e exigiu que a RTP, a SIC e a TVI procedam à cobertura da actividade e intervenção do PCP na sociedade portuguesa, em igualdade de circunstâncias com as restantes forças políticas.


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