Editorial

«O PCP insiste: é mentira, as FARC não vão estar na Festa do Avante!» - mas eles não ouvem.

PAPEL DECISIVO E DETERMINANTE

Se é certo que os média dominantes não precisam de pretexto para propagandearem as virtudes do imperialismo e dispararem sobre os que se lhe opõem e o combatem, não é menos certo que dispondo de um pretexto, não resistem a desnudar-se na exibição da sua natureza e das suas práticas.
É o que tem vindo a acontecer desde que se concretizou o resgate de Ingrid Betancourt e a recuperação de alguns prisioneiros de guerra em poder das FARC.
Estamos perante uma poderosa ofensiva política e ideológica, na qual a prática desinformativa e manipuladora é rainha e o vale-tudo é rei.
Pior do que o silenciamento a que os média votam a imensa maioria das iniciativas do PCP, é a manipulação a que amiúde procedem e que, em torno desta questão, têm vindo a utilizar em doses reforçadas.
Escrever, como fez o Público, que «PCP escusa-se a celebrar libertação de Betancourt» - é mentir. Omitir que o Grupo Parlamentar comunista apresentou um voto próprio no qual assume uma posição que desmente a «notícia» divulgada pelo jornal, é manipular a informação e desprezar e insultar os direitos e a inteligência dos leitores.

Houve, então, um voto apresentado pelo PCP – no qual o Partido, naturalmente, se congratulou com a liberdade de Ingrid Betancourt; condenou as práticas terroristas do regime proto- fascista de Uribe – e exigiu a libertação de todos os prisioneiros; sublinhou a necessidade imperiosa de uma solução política para o problema e expressou a sua total solidariedade com a luta dos trabalhadores e do povo colombiano pela libertação do seu país.
E houve um voto, apresentado pelo PS, no qual, essencialmente, se glorificava o regime uribiano com a sua prática repressiva.
E houve um debate em torno dos dois votos apresentados. Um debate que, cumpre dizer em nome da verdade, evidenciou a incomensurável hipocrisia dos partidos da política de direita, os quais, mais do que congratular-se com a liberdade de Ingrid Betancourt, preocuparam-se, isso sim, na glorificação do regime fascista de Uribe - em tais moldes o fazendo que é legítimo supor que a «congratulação» desses partidos não foi pela liberdade de Ingrid Betancourt, mas sim e essencialmente, pela forma como foi resgatada – tudo levando a crer que se ela tivesse voltado para junto dos seus familiares na sequência das negociações que estavam em curso, é bem provável que esses partidos não tivessem pensado sequer em voto de congratulações…
Quanto ao resultado das votações foi sem surpresas, como pode ver-se nesta edição do Avante! A opção do BE – votando a glorificação a Uribe e abstendo-se na condenação desse regime – está muito na linha dos posicionamentos característicos desse partido.

Outra linha desta operação sem escrúpulos é a que visa a Festa do Avante!
Também neste caso, estamos perante uma recorrência: como sabemos, todos os anos, por esta altura – ou seja: ao mesmo tempo que milhares de militantes e simpatizantes comunistas em jornadas de trabalho voluntário iniciam a construção daquele que é o maior acontecimento político, cultural, artístico, convivial realizado no nosso País - entra em acção o comando de serviço na ofensiva contra a Festa – uma ofensiva que de há uns anos a esta parte, tem como prato forte, a baixa invencionice provocatória que é aquilo a que eles chamam a «presença das FARC».
E assim foi, e está a ser, este ano: um qualquer membro do PS – não se sabe a mando de quê nem de quem – escreveu e mandou publicar um «comunicado» «informando» da presença» das FARC na Festa.
Os média, fugindo a testar a «notícia» - para não terem que reconhecer aquilo que estão fartos de saber: que a notícia é falsa - divulgaram-na como coisa certa. O Gabinete de Imprensa do PCP fez o necessário desmentido. Em vão: a mentira continuou a circular como se de verdade incontestada se tratasse; os comentadores do costume tomaram-na como base dos seus escritos provocatórios – um fóssil que aos domingos usa ocupar uma página do Diário de Notícias foi mais longe, em boçalidade provocatória, do que os seus gémeos haviam ido, mas o inevitável Jardim, bolsando no seu jeito peculiar, superou tudo e todos (até ver...) na boçalidade e no arroto provocatórios.
O PCP insiste: é mentira, as FARC não vão estar na Festa do Avante! – mas eles não ouvem. Eles, os paladinos da livre informação, não ouvem: assobiam para o lado e, alegremente, continuam a divulgar a mentira.

Entretanto, enquanto na Colômbia prossegue a acção de um regime que prende, tortura e assassina, e se avolumam os perigos de desestabilização da região com o aumento das dificuldades para os países e povos que a integram - cá por casa a política de direita prossegue, conduzida por um primeiro-ministro que nos garante vivermos no melhor dos mundos, graças à sua genial prestação governativa.
Entretanto, notícias do estado do País mostram-nos todos os dias as duas faces da moeda dessa política de direita: numa face é o consumo do pão a baixar 20%; na outra, são as vendas de automóveis de luxo que sobem cerca de 40%; numa face, está a degradação acelerada das condições de vida da imensa maioria dos portugueses; na outra, estão os escandalosos lucros dos grandes grupos económicos e financeiros…
Entretanto, a luta contra essa política e por uma ruptura de esquerda, continua. E nessa luta o PCP – em coerência plena com a posição que assumiu na questão colombiana - continuará a desempenhar um papel determinante e decisivo, afirmando-se como a verdadeira força de oposição à política e ao Governo PS/José Sócrates.


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