Editorial

«É preciso e é possível dizer basta! a esta política»

OS ETERNOS CULPADOS

Dados divulgados pelo INE registam a continuação e acentuação do aumento do custo de vida e do consequente agravamento das já graves condições em que vive a imensa maioria dos portugueses. Os mesmos dados assinalam que a subida de bens alimentares nos últimos doze meses quase triplicou em relação aos aumentos de salários, o que coloca as famílias de menores rendimentos perante situações dramáticas. Acresce que, segundo os dados divulgados, este aumento do custo de vida incide de forma mais acentuada sobre os bens alimentares, o que é por demais elucidativo quanto ao pesadelo que pesa sobre grande parte das famílias portuguesas – tanto mais quanto não há sinais de esta escalada dos preços parar ou sequer abrandar, bem pelo contrário: no mês de Junho, os bens essenciais aumentaram mais 3,4% do que em igual período do ano passado.
Tudo isto não deixa margem para quaisquer dúvidas sobre a gravidade da situação e as perspectivas do seu agravamento – e o facto de o consumo do pão ter baixado 20% nos primeiros seis meses deste ano é um dado inequívoco sobre o estado a que as coisas chegaram.
Confirmando esta situação, o Eurobarómetro da Comissão Europeia indica que «71% dos portugueses tem dificuldade em pagar as contas no final do mês», situação que coloca Portugal em 2º lugar nesta matéria no conjunto dos países da União Europeia. Ou seja: pior, só a Bulgária – até ver…
E assim tem sido sempre, desde a miragem do «oásis» e da presença de Portugal no «pelotão da frente», exaustivamente anunciados pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, assim escondendo a situação real do País.

A situação do país degrada-se e quem paga as consequências são, essencialmente: os que trabalham e vivem do seu trabalho – e são brutalmente explorados; e os que já trabalharam e, em vez de verem reconhecidos os seus direitos, recebem reformas e pensões de miséria.
Entretanto, os que vivem à custa de quem trabalha aplaudem satisfeitos a política do Governo e aumentam escandalosamente as suas fortunas. E são estes, de facto, grandes beneficiários desta política de direita que há 32 anos flagela os trabalhadores, o povo e o País. São estes, de facto, quem dita as regras a essa política - quem põe e dispõe sobre o seu conteúdo e o seu sentido, subordinando o poder político aos seus ditames e impondo-lhe a sua inequívoca marca de classe. E se é verdade que sempre assim fizeram em relação aos sucessivos governos, também é verdade que, com o actual, esse domínio do grande capital é absoluto e total – podendo dizer-se deste Governo PS/José Sócrates - parafraseando o que Marx e Engels escreveram há 160 anos no «Manifesto do Partido Comunista» (reportando-se aos governos desse tempo) - que ele não passa de uma comissão administrativa dos interesses do grande capital.
Entretanto, para o primeiro-ministro, o «estado da Nação» não só está bem e se recomenda como vai de vento em popa. Para ele, graças à sua sábia governação, estamos a viver no melhor dos mundos – e as medidas que um dia destes vai levar à prática encaminharão o país para o estado de «oásis»… E quanto ao que, apesar dessa superior governação, está mal ou não está bem, as culpas são... dos eternos culpados: os governos anteriores e a conjuntura – diz o primeiro-ministro, sabendo estar a repetir a velhíssima cassette de argumentos e de promessas utilizada por todos os seus antecessores dos últimos trinta e dois anos.

Tudo isto coloca a necessidade, cada vez mais imperiosa, de travar o rumo que as coisas seguem, pondo termo a esta política e substituindo-a por uma política que assuma como prioridade a defesa dos interesses da maioria dos portugueses.
Sabe-se que este é um objectivo difícil de alcançar, mas sabe-se que ele é alcançável – e que, como a realidade vem mostrando, a luta de massas tem nisso um papel determinante.
As poderosas manifestações e lutas dos últimos meses – em alguns casos das maiores movimentações de massas de sempre na história do movimento operário e popular - são por demais demonstrativas de quanto vale a força organizada dos trabalhadores. A adesão à luta de segmentos novos das massas trabalhadoras, a que se juntaram as populações de centenas de localidades, bem como outros sectores da sociedade portuguesa – eleitores do partido do Governo, gente oriunda de diversas áreas e famílias políticas – evidenciam as potencialidades de, no futuro imediato, a luta se desenvolver, ampliar e intensificar, tornando mais forte a expressão do descontentamento com a política de direita e exigindo que lhe seja posto termo dando lugar a uma política de respeito pelos seus direitos e pelos seus interesses.
Os trabalhadores e o povo português não estão condenados eternamente a ser explorados, humilhados e ofendidos, sejam quais forem as justificações inventadas pelos que, no Governo, representam os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros. É preciso e é possível dizer basta! a esta política.
E é nesta perspectiva que, confiantes e determinados, os militantes comunistas continuarão a dar o seu contributo insubstituível para o necessário desenvolvimento e intensificação da luta – ao mesmo tempo que intervêm na aplicação das medidas visando o reforço do Partido; e que constroem a Festa do Avante!; e que intervêm no processo de preparação do XVIII Congresso do Partido.
E que, sábado e domingo próximos, erguerão, em Braga, a Festa da Alegria: festa de combate contra as injustiças sociais, de luta e de resistência, de amizade e de solidariedade – Festa Comunista, enfim.


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