XVIII Congresso
Fortalecer o PCP
O XVIII Congresso do PCP, cuja preparação se vai intensificar a partir de agora, era um tema evocado um pouco por toda a Festa.
• Margarida Folque

No Pavilhão Central, um painel alusivo ao Congresso, dava início à exposição «PCP, por Abril, pelo Socialismo», com a enumeração dos cinco objectivos definidos pelo Comité Central para a sua realização, entre eles, afirmar o PCP como força indispensável e insubstituível para uma nova política e alternativa para o País.
«Em Portugal e no Mundo, o carácter explorador, injusto e desumano do capitalismo não se alterou», lia-se à entrada da exposição, que prosseguia aludindo às grandes conquistas de Abril, seguindo-se imediatamente uma galeria de fotos dos 17 Governos Constitucionais do PS, PSD e CDS/PP que, sozinhos ou diversificadamente coligados, as têm procurado destruir ao longo de três décadas de política de direita. Três décadas, porém, marcadas por uma poderosa resistência e luta contra essa política de direita.
É assim que hoje temos «um País mais injusto, um País mais desigual» e que o socialismo se impõe como «uma exigência da actualidade e do futuro!». Um futuro para cuja construção o PCP é «uma força indispensável»!
A exposição evocava, por fim, as cinco principais vertentes do programa do PCP para «uma democracia avançada», para concluir que «o socialismo, o futuro de Portugal está com o PCP», acabando mesmo com um painel «Este é o teu Partido»!

A ofensiva ideológica

A chuva não permitiu, na sexta-feira, a realização do debate sobre «Preparar o XVIII Congresso – Por Abril, pelo Socialismo. Um Partido mais forte», porém, os debates que se seguiram no sábado, nomeadamente o da «Luta de classes, ofensiva ideológica e a imprensa do Partido» constituíram um forte contributo para a sua preparação. Nele, Seyne Torres, Margarida Botelho e José Casanova deram aos muitos participantes importantes armas para o combate ideológico.
A jovem Seyne Torres denunciou, com exemplos concretos, como a ofensiva ideológica começa na escola, nomeadamente através dos manuais escolares claramente manipuladores, caso da disciplina de História, em que praticamente nada trazem sobre o 25 de Abril, o fascismo ou os campos de concentração.
Margarida Botelho, começou por lembrar como os media são cada vez mais utilizados na ofensiva ideológica e passam os valores da classe dominante. O individualismo, o consumismo, a descredibilização da política e dos partidos, a desideologização vão valores permanentemente veiculados pela comunicação social, que nesta ofensiva usa ainda como arma o silenciamento do PCP. Aliás, a aparente diversidade de órgãos de comunicação social é mesmo «aparente», disse, pois a realidade é que a imensa maioria desses órgãos pertence a três, quatro grupos económicos, cuja lógica, a do lucro e das audiências, define as agendas e decide o que «é notícia».
O conteúdo desta ofensiva, concluiu por fim José Casanova, tem consequências: formatar consciências, «convencer que o capitalismo é o sistema ideal e não tem alternativa». Nunca teve, aliás, pois «a ideologia comunista morreu», ainda que continuem a traçar como alvos os partidos comunistas, os movimentos sindicais de classe, ironizou.
É, pois, falta de seriedade desses órgãos de comunicação dizerem-se «isentos», «imparciais». «Não é verdade! Estão ao serviço dos interesses dos grupos económicos que os detêm!», assegurou José Casanova, reconhecendo que «O Avante!, por exemplo, não é imparcial nem isento, está claramente do lado dos trabalhadores, o que nunca escondeu nos seus 77 anos de vida!».
«É pois preciso uma preparação muito grande para evitarmos que ofensiva ideológica nos atinja e apetrecharmo-nos melhor para lhe dar resposta e contrapor-lhe outra ideologia, a nossa!».

Vencer dificuldades!

«Organizações de base do PCP – iniciativa política, ligação às massas, afirmação do Partido» foi o tema de um debate com Jaime Toga, Alexandre Teixeira e Miguel Viegas. Um debate vivo, onde até jovens de outros partidos ou sem partido puderam intervir e colher experiências.
Miguel Viegas mostrou como é possível «não deixar cair» uma organização, mesmo quando muda o quadro que durante anos foi por ela responsável, caso da organização de Ovar. Mais tarde, respondendo a uma participante, que expunha as dificuldades em organizar células nas grandes superfícies ou centros comerciais, exemplificou com uma experiência da região, onde existiam camaradas em várias empresas do mesmo ramo que nunca reuniam. A solução, disse, foi juntá-los numa única célula, cuja reunião é marcada com antecedência para que se possa marcar folgas ou combinar turnos e todos poderem reunir.
Jaime Toga, após vários exemplos da sua freguesia, referiu-se ao caso da Célula da Brisa, que arrancou com um único militante e hoje já tem 12, que confiam ainda poder crescer.
Para Alexandre Teixeira, as organizações de base, apesar de fundamentais, são por vezes difíceis de arrancar, só que a questão chave é «vencer o medo e as dificuldades, intervindo com os que já participam, agindo». Não se pode olhar ao «número» mas sim intervir, disse, «que os resultados aparecem!».


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