Sectores público e privado em greve e na rua
Hoje em França
Greve contra crise
Trabalhadores de diferentes sectores convergem hoje, quinta-feira, numa jornada de greve nacional e manifestações nas principais cidades.
A jornada de protesto no hexágono foi convocada pelas oito confederações sindicais (CGT, CFDT, FO, CFTC, CFE-CGC, FSU, Unsa e Solidaires), após a cimeira social com o presidente Sarkozy, realizada em 18 de Fevereiro.
Transportes, educação, saúde são alguns dos sectores em que se aguardava maiores perturbações. Em termos gerais, os sindicatos previam uma mobilização pelo menos tão expressiva quanto a de 29 de Janeiro passado, em que participaram cerca de 2,5 milhões de trabalhadores dos sectores público e privado.
Ainda mal terminou o conflito que levantou as populações durante semanas na Guadalupe – onde terminou com a obtenção de um aumento de 200 euros para os salários mais baixos – Martinica (nas Caraíbas) e na Reunião (Índico), com repercussões na Guiana e Polinésia, o governo francês está de novo a braços com uma poderosa vaga de protestos na metrópole, exigindo «respostas sociais» à crise que flagela as camadas laboriosas.
Ao lado dos sindicatos, 12 partidos e movimentos de esquerda apelam igualmente à participação nas greves e manifestações. A adesão dos jornalistas e dos tipógrafos deverá impedir a publicação de jornais amanhã, sexta-feira. Recorde-se que na anterior greve, só alguma imprensa regional conseguiu sair. Todos os diários nacionais foram obrigados a suspender as edições, reforçando o ambiente de protesto.
E não faltam sinais da exasperação dos trabalhadores contra os sucessivos anúncios de encerramentos e despedimentos. Na semana passada, o presidente da Sony em França foi sequestrado durante uma noite por um grupo de trabalhadores indignados com o despedimento colectivo e a atribuição unilateral de indemnizações insignificantes. Já esta semana, a tensão voltou a subir na fábrica de pneus Continental, após o anúncio do encerramento da unidade de origem germânica.
Incapaz de tomar as medidas necessárias, exactamente porque todas elas implicam a ruptura com os dogmas neoliberais que continua a defender, Nicolas Sarkozy tenta desvalorizar os efeitos da crise e ignorar a sangria de postos de trabalho.
Às reivindicações salariais, o seu governo responde inflexível que os cofres estão vazios, como se os trabalhadores não vissem os rios de dinheiro que fluem livremente para os bancos e algumas grandes empresas sem qualquer contrapartida em matéria de emprego ou protecção social. E prossegue com reformas anti-sociais na saúde e na educação.
As contradições tendem assim a agudizar-se, o descontentamento cresce e o presidente vê erodir-se rapidamente a sua base social de apoio. Segundo uma sondagem da Viavoice, 42 por cento dos inquiridos que votaram em Sarkozy apoiam agora a greve nacional.

Governo cede no superior

Após dois meses de forte contestação à reforma do ensino superior, o governo francês anunciou em 25 de Fevereiro, que nenhum posto de trabalho será suprimido em 2010 e 2011, excluindo assim este grau da regra imposta a toda a administração pública de não substituição de um funcionário em cada dois que se reformam. Mostrou-se ainda disponível para reescrever o estatuto dos professores-investigadores, consagrando a sua independência e o carácter nacional do seu estatuto.
As cedências eram de monta, mas não bastaram para desmobilizar a luta. Duas semanas mais tarde, dia 12, perto de 60 mil manifestantes voltam a protestar em todo o país. O principal ponto de discórdia assenta na exigência do grau de mestrado e não apenas da licenciatura para participar nos concursos nacionais de professores. O ministro da Educação, Xavier Darcos, reabriu as negociações dispondo-se a criar melhores condições na formação dos novos professores. Todavia, o mal-estar generalizado na educação faz prever que os protestos do superior vão continuar, designadamente na greve de hoje, em conjunto com os restantes sectores de actividade.


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